sexta-feira, 20 de fevereiro de 2015

Tempo de Penitência

Começamos o tempo quaresmal! Nestes dias de Quaresma, queremos renovar a nossa fé através de uma vida penitencial mais intensa, aproveitando os temas que a liturgia nos oferece, com orações mais frequentes, jejuns e, sobretudo, uma vida de caridade mais aplicada – a fraternidade.
A penitência e a prática que nos impomos, em primeiro lugar, não são exclusivas deste tempo. Toda a nossa vida deve ser imbuída deste espírito se quisermos seguir a Cristo. A ascese faz parte de nossa caminhada espiritual. Porém, para vencer a inconstância, que é característica do ser humano, são importantes tempos fortes para retemperar a nossa vontade, através de uma inteligência do mistério da cruz redentora. É um tempo de retomar com mais vigor essa caminhada ascética.

São Paulo descreve essa fraqueza falando de si mesmo, da luta interior que experimentamos para viver a fé: "Sabemos que a Lei é espiritual, mas eu sou carnal, vendido como escravo ao pecado. Realmente não consigo entender o que faço, pois não pratico o que quero, mas faço o que detesto” (Rom 7, 14). E conclui: "Quem me libertará deste corpo de morte"?(Idem, 24). Por isso, se esforçava, como aquele que corre no estádio e castiga o seu corpo reduzindo-o à servidão (1Cor. 9, 24-27).

Nascidos no pecado e na concupiscência, como nos lembra o salmista {salmo 51 (50)}. “Eis que nasci na iniquidade, minha mãe concebeu-me no pecado", somente a conversão pode restituir-nos a vida, integrando-nos no Reino da Graça.

A penitência é esse dom que recebemos e respondemos com nosso esforço, que temos de fazer para vencer as fraquezas da carne, para superarmos as paixões e vícios da natureza humana. Ninguém consegue sair de uma prisão, de um atoleiro sem acolher uma boa notícia que o fortifique para dar passos concretos, com sua vontade.

A própria vida de Cristo nos é um exemplo, como ensina “A Imitação de Cristo”: "Toda a vida de Cristo foi cruz e martírio; e tu queres descanso e alegria" (L II, cap. 12). E mais adiante, reitera que não é próprio do homem carregar a sua cruz, mas "é por meio de muitas tribulações que podemos entrar no Reino de Deus” (Atos, 14,21).

Poderia parecer, sobretudo em nossos dias, que esta batalha interior e também exterior, pois somos uma unidade, espírito e matéria, seria um contrassenso. Cada dia nos sentimos mais e mais capazes, mais desenvolvidos cultural e fisicamente. Então, a cruz teria sentido?

Se o nosso horizonte se limitar ao nascer e ao pôr do sol de uma vida, se não considerarmos nosso destino eterno, não tem sentido. Seremos os mais tolos dos homens se nos dermos a estas práticas, responde São Paulo.

Mas a Lei do Espírito da vida nos liberta da morte e realiza em nós a esperança, que está no coração de todo homem e se transborda por toda a natureza, da realização plena da liberdade e da paz na glória dos filhos de Deus.

No sofrimento penitencial, na Cruz, unida ao mistério redentor de Cristo, está a salvação, a vida, a força do espírito. 

O jejum nos ensina que somos radicalmente dependentes de Deus. Na Escritura, a palavra nephesh significa, ao mesmo tempo, vida e garganta. A idéia que isso exprime é que nossa vida não vem de nós mesmos, não a damos a nós próprios; nós a recebemos continuamente: ela entra pela nossa garganta com o alimento que comemos, a água que bebemos, o ar que respiramos. Jamais o homem pode pensar que se basta a si mesmo, que pode se fechar para Deus. Quando jejuamos, sentimos uma certa fraqueza e lerdeza, às vezes nos vem mesmo um pouco de tontura. Isso faz parte da “psicologia do jejum”: recorda-nos o que somos sem esta vida que vem de fora, que nos é dada por Deus continuamente.

A prática do jejum impede-nos, então, da ilusão de pensar que a nossa existência, uma vez recebida, é autônoma, fechada, independente. Muitas vezes dizemos erroneamente: “A vida é minha; faço como eu quero”! A vida será, sempre e em todas as suas etapas, um dom de Deus, um presente gratuito, e nós seremos sempre dependentes Dele. Esta dependência nos amadurece, nos liberta de nossos estreitos e mesquinhos horizontes, nos livra da autossuficiência e nos faz compreender “na carne” nossa própria verdade, recordando-nos que a vida é para ser vivida em diálogo de amor com Aquele que no-la deu. 

O próprio Jesus, de modo particular, e a Escritura, de modo geral, nos exortam à vigilância e à sobriedade. O jejum e a abstinência, portanto, são um treino para que sejamos senhores de nós mesmos, de nossas paixões, desejos e vontades. Assim, seremos realmente livres para Cristo, sendo livres para realizar aquilo que é reto e desejável aos olhos de Deus! O próprio Jesus afirmou que quem comete pecado é escravo do pecado! Não adianta: sem o exercício da abstinência, jamais seremos fortes. Não basta malhar o corpo; é preciso malhar o coração!


Cardeal Orani João Tempesta

Arcebispo da Arquidiocese de São Sebastião do Rio de Janeiro
Cidade natal: São José do Rio Pardo
Data de nascimento: 23/06/1950

segunda-feira, 16 de fevereiro de 2015

Papa no Angelus: "Contagiar e deixar-se contagiar pelo bem"

Papa saúda os presentes na Praça São Pedro, reunidos para a 
Oração do Angelus neste 6ª Domingo do Tempo Comum

Ao meio-dia deste domingo, 15 de fevereiro, o Papa Francisco assomou à janela do apartamento Pontifício para rezar com os fiéis reunidos na Praça São Pedro a Oração mariana do Angelus. A compaixão de Jesus pelo leproso, um símbolo da marginalização, inspirou a alocução do Santo Padre que ao final convidou a nos deixar “contagiar pelo bem e contagiar com o bem”.
O Evangelho deste 6º Domingo do Tempo Comum trata da cura do leproso, que ocorre “em três breves passagens: o pedido do doente, a resposta de Jesus e as consequências da cura prodigiosa”.  O leproso suplica a Jesus de joelhos, que por sua vez reage com a compaixão - uma palavra muito profunda -, que significa “padecer com o outro”. “O coração de Cristo – disse o Papa – manifesta a compaixão paterna de Deus por aquele homem, aproximando-se dele e tocando-o, este gesto tão importante":
“A misericórdia de Deus supera toda barreira e a mão de Jesus toca o leproso. Ele não se coloca numa distância de segurança e não age por procuração, mas se expõe diretamente ao contágio do nosso mal; e assim justamente o nosso mal torna-se o local de contato: Ele, Jesus, assume a nossa humanidade doente e nós assumimos dele a sua humanidade sã e curadora. E isto ocorre cada vez que recebemos com fé um Sacramento: o Senhor Jesus nos toca e nos dá a sua graça. Neste caso pensemos especialmente ao Sacramento da Reconciliação, que nos cura da lepra do pecado”.
Este Evangelho – diz o Papa Francisco – nos mostra o que Deus faz diante do nosso mal:
“Deus não vem dar uma palestra sobre a dor; não vem nem mesmo eliminar do mundo o sofrimento e a morte; vem, isto sim, tomar sobre si o peso de nossa condição humana e assumi-la até as últimas consequências, para libertar-nos de modo radical e definitivo. Assim Cristo combate os males e os sofrimento no mundo: assumindo-os e vencendo-os com a força da misericórdia de Deus”.
O Papa conclui dizendo que, se queremos ser verdadeiros discípulos, somos chamados a ser, unidos a Jesus, “instrumentos de seu amor misericordioso, superando todo tipo de marginalização”:
“Para sermos imitadores de Cristo, diante de um pobre ou de um doente, não devemos ter medo de olhá-lo nos olhos e de aproximarmo-nos com ternura e compaixão, de tocá-lo e de abraçá-lo. Seguidamente eu peço às pessoas que ajudam os outros, para fazê-lo olhando nos olhos, de não ter medo de tocá-los. Que o gesto de ajuda seja também um gesto de comunicação. Também nós temos necessidade de ser por eles acolhidos. Um gesto de ternura, um gesto de compaixão.... Mas eu vos pergunto: vocês, quando ajudam os outros, olham em seus olhos? Os acolhem sem medo de tocá-los?  Os acolhem com ternura? Pensem nisto: como vocês os ajudam, com distância ou com ternura, com proximidade? Se o mal é contagioso, o bem também o é. Assim é necessário que abunde em nós, sempre mais, o bem. Deixemo-nos contagiar pelo bem e contagiemos o bem”.
Ao final do tradicional encontro dominical na Praça São Pedro, o Santo Padre  saudou os diversos grupos presentes, pediu uma salva de palmas aos novos cardeais e fez votos “de serenidade e de paz a todos os homens e mulheres que no Extremo Oriente e em várias partes do mundo se preparam para celebrar o Ano Novo lunar:

“Que tais festividades ofereçam a eles a feliz ocasião de redescobrir e viver de modo intenso a fraternidade, que é um vínculo precioso da vida familiar e base da vida social. Que este retorno anual às raízes da pessoa e da família possam ajudar estes povos a construir uma sociedade em que sejam tecidas relações interpessoais marcadas pelo respeito, justiça e caridade". 

quinta-feira, 15 de janeiro de 2015

Liberdade de expressão não justifica ofensas à fé, diz Papa

Referindo-se aos recentes atentados em Paris, Papa declarou a jornalistas que não se pode ofender a fé, mas matar em nome de Deus é uma “aberração”

A liberdade de expressão e a liberdade de religião são direitos fundamentais, disse o Papa Francisco nesta quinta-feira, 15, ressaltando que não se pode matar em nome de Deus nem ofender a religião dos outros. Em entrevista aos jornalistas no voo do Sri Lanka rumo às Filipinas, ele se referiu aos atentados em Paris na semana passada.

Perguntado sobre o tema por um jornalista francês, Francisco destacou que a liberdade de expressão é um direito fundamental, mas, da mesma forma, é um direito fundamental aquele de uma fé não ser ridicularizada. Ele disse que assim como é uma “aberração” matar em nome de Deus, erra também quem chega a ofender uma religião levantando a bandeira do direito a dizer aquilo que se quer.
O Santo Padre reconheceu que não se pode reagir com violência a uma afronta, mas também não se pode provocar. “Não se pode insultar a fé dos outros, porque há um limite, aquele da dignidade que cada religião possui”.
Francisco defendeu que o uso da liberdade não justifica o gesto de ofender. “É verdade que não se pode reagir violentamente, mas se o doutor Gasbarri [organizador das viagens pontifícias, que se encontra normalmente junto do Papa], que é um amigo, ofender a minha mãe, vai levar um murro”, brincou o Pontífice.

quarta-feira, 14 de janeiro de 2015

Ano da Esperança

Segundo a opção de nosso Plano de Pastoral, a nossa arquidiocese, depois de ter celebrado o Ano da Fé em 2013 e o Ano da Caridade em 2014, agora, no ano de 2015, celebrará o Ano da Esperança. Portanto, convido, entusiasticamente, toda a nossa querida comunidade arquidiocesana para que neste ano de 2015 possamos refletir esse tema. Isso para completar a tríade das virtudes teologais e pontuar a realidade da esperança cristã. E, sem dúvida, encontrar o nosso caminho de ser anunciadores da esperança em tempos de tantas dificuldades e cansaço das pessoas.
Na encíclica “Spe Salvi”, o Papa emérito Bento XVI fala das realidades eternas e do autêntico fundamento da esperança cristã: o encontro com o Deus vivo que vem a nós em Cristo Jesus e nos promete a vida em plenitude em seu Reino. É a segunda encíclica de seu pontificado, dedicada exatamente ao tema da esperança cristã e publicada na Festa de Santo André, apóstolo (30/11/2007). Para este ano, para o nosso trabalho pastoral poderemos nos inspirar na leitura da encíclica “Spe Salvi”.
Ele afirmou o seguinte: “A verdadeira e grande esperança do homem, que resiste apesar de todas as desilusões, só pode ser Deus – o Deus que nos amou, e ama ainda agora”. Nossa esperança está em Deus, nossa esperança é Deus. Aquele mesmo Deus que criou tudo e formou o homem à sua imagem e semelhança.
A fé cristã está alicerçada na experiência do conhecimento e do reconhecimento de uma realidade que a ultrapassa. Ou seja, diante das vicissitudes da nossa vida, frente às experiências diversas que possamos vivenciar, ou até mesmo diante das fraquezas, as nossas muitas fraquezas, faz-se necessário afirmar que a vida humana, as ações e as escolhas de cada dia se não estiverem iluminadas e guiadas pela luz de Deus, perdem todo o seu sentido. Viver sem esperança é como caminhar numa estrada escura e sem rumo: não se vê claramente e não se sabe aonde vai chegar.
Podemos nos perguntar: o que queremos e qual é a verdadeira esperança? Bento XVI escreve que o que nós desejamos, do fundo do coração, é a vida plena, a vida feliz. A propósito, o Papa cita Agostinho, que, “na sua extensa carta sobre a oração, dirigida a Proba – uma viúva romana rica e mãe de três cônsules –, escreve: no fundo, queremos uma só coisa, ‘a vida bem-aventurada’, a vida que é simplesmente vida, pura ‘felicidade’. No fim das contas, nada mais pedimos na oração. Só para ela caminhamos; só disto se trata” (n.11).
Entretanto, não sabemos exatamente em que consiste essa vida feliz. É alta demais para nós. Sozinhos, temos a convicção de que não podemos atingi-la, embora estejamos impelidos a ela desde o profundo de nosso ser. Ela é, na verdade, conhecida e desconhecida ao mesmo tempo. Aproximamo-nos dela quando nos dirigimos para além da temporalidade. Assim, essa vida feliz, nós a chamamos de vida eterna, não no sentido de que consista numa ilimitada e enfadonha sucessão dos dias do calendário – isso não seria desejável –, mas no sentido de que nos faz mergulhar no oceano do amor infinito e viver no único instante repleto de satisfação, sem a possibilidade de perda. Significa sair da temporalidade para, de algum modo, abraçar a totalidade do ser e do bem (n. 12). É essa vida que almejamos. Desejamos ser preenchidos pela plenitude do amor e da graça de modo irreversível. Na verdade, o homem, com sua razão e liberdade, permanece sempre homem, isto é, um ser capaz tanto do bem quanto do mal. O erro fundamental da modernidade foi apostar demais no homem: ou confiou no homem como agente só do bem, como o fez a fé iluminista no progresso rumo ao melhor, ou achou que, instauradas as justas estruturas sociais, o homem se tornaria, como se fosse um mero produto das relações materiais, justo também, como tentou fazer o marxismo.
Ora, o progresso é ambíguo. O filosófo Adorno constatou que, visto sob certo ângulo, é o progresso da funda à superbomba. Equivale a dizer: o progresso pode trazer coisas boas como coisas más, e, isto é certo, nunca poderá instaurar o paraíso na Terra. A tarefa, pois, de ordenar o mundo para melhor é tarefa jamais concluída, e cada geração deve retomá-la (n. 25).
Contudo, o cristianismo moderno é convidado pelo Santo Padre Bento XVI a exercer uma crítica de si mesmo: “É preciso que, na autocrítica da idade moderna, conflua também uma autocrítica do cristianismo moderno, que deve aprender sempre de novo a compreender-se a si mesmo a partir das próprias raízes” (n. 22).
O Papa Francisco disse, em 2013, que: “A esperança é um dom, é um presente do Espírito Santo. Paulo dirá que é um dom que ‘jamais decepciona’. Por quê? Porque é um dom que o Espírito Santo nos deu. E Paulo nos diz que a esperança tem um nome: Jesus.

Que neste ano de 2015 renovemos a nossa esperança em Jesus. Ele refaz tudo e nos anima a anunciá-Lo neste mundo carente de paz e de justiça!



Cardeal Orani João Tempesta

Arcebispo da Arquidiocese de São Sebastião do Rio de Janeiro
Cidade natal: São José do Rio Pardo
Data de nascimento: 23/06/1950






segunda-feira, 22 de dezembro de 2014

Papa alerta Cúria sobre “doenças” e pede exame de consciência

Ao listar tentações que podem atingir tanto a Cúria Romana quando cada cristão, Francisco pediu exame de consciência como preparação ao Natal


O Papa Francisco reuniu-se na manhã desta segunda-feira, 22, com a Cúria Romana, para os tradicionais votos de fim de ano. Ele falou do perigo de algumas doenças que podem afetar tanto a Cúria quanto cada cristão, propondo, assim, um exame de consciência a fim de preparar o coração para o Natal. Ele também enfatizou que o Espírito Santo é capaz de curar toda enfermidade.
A imagem sobre a qual o Pontífice se concentrou em seu discurso foi a do Corpo de Jesus, comparando a Cúria a um pequeno modelo da Igreja, ou seja, um corpo que procura ser mais vivo, mais harmonioso e unido em si mesmo e em Cristo.
O Santo Padre reconheceu a complexidade da Cúria Romana que, justamente por sua dinamicidade,  não pode viver sem o relacionamento vital com Cristo. Um membro da Cúria que não se alimenta disso acaba se tornando um burocrata, um ramo que murcha e morre lentamente, disse.
“A oração cotidiana, a participação assídua nos Sacramentos, de modo particular na Eucaristia e na reconciliação, o contato cotidiano com a palavra de Deus e a espiritualidade traduzida em caridade vivida são alimento vital para cada um de nós”, indicou.
Francisco lembrou que a Cúria é chamada a melhorar constantemente e a crescer em comunhão, santidade e sabedoria para realizar sua missão. Porém, como todo corpo, ela também está exposta a algumas doenças, que enfraquecem o serviço a Deus.
O Santo Padre fez um “catálogo” dessas doenças que podem afetar a Cúria, elencando 15 itens:
1 – sentir-se imortal, imune ou até mesmo indispensável, negligenciando os controles necessários e habituais. “Uma Cúria que não faz autocrítica, que não se atualiza é um corpo enfermo”. É o “complexo dos eleitos, do narcisismo”
2 – a doença do “martalismo” (que vem de Marta), da ocupação excessiva, os que trabalham sem usufruirem do melhor. A falta de repouso leva ao stress e à agitação
3 – a doença do “empedramento” mental e espiritual, isso é, daqueles que têm coração de pedra. Quando se perde a serenidade interior, a vivacidade e a audácia e nos escondemos atrás de papeis, deixando de ser “homens de Deus”
4 – planejamento excessivo e funcionalismo, tornando o apóstolo um contador ou comercialista. “Quando o Apóstolo planifica tudo minuciosamente e pensa que assim as coisas progridem torna-se num contabilista”. É a tentação de querer pilotar o Espírito Santo
5 – má coordenação, sem harmonia entre as partes do “corpo”.
6 – “Alzheimer espiritual”, ou seja, o esquecimento da história da Salvação, da história com o Senhor, do “primeiro amor”
7- rivalidade e orgulho, quando a aparência, as cores das vestes e insígnias de honra tornam-se o objetivo primário da vida. “Leva-nos a ser falsos e a viver um falso misticismo”
8– esquizofrenia existencial, que é a doença dos que vivem uma vida dupla, fruto da hipocrisia típica do medíocre e do progressivo vazio espiritual que licenciaturas ou títulos acadêmicos não podem preencher
9 – fofocas, murmurações e mexericos. “É a doença dos velhacos que não tendo a coragem de falar diretamente falam pelas costas. Defendamo-nos do terrorismo dos mexericos”
10 – a doença de divinizar os chefes, que é a daqueles que cortejam os superiores esperando obter sua benevolência. “Vivem o serviço pensando unicamente àquilo que devem obter e não ao que devem dar”. Pode acontecer também aos superiores
11- indiferença para com os outros. “Quando se esconde o que se sabe. Quando por ciúme sente-se alegria em ver a queda dos outros em vez de o ajudar a levantar”
12 – doença da “cara fúnebre”, de pessoas carrancudas que pensam que para serem sérias é preciso pintar a face de melancolia, de severidade e tratar os outros com rigidez, dureza e arrogância. “O apóstolo deve esforçar-se por ser uma pessoa cortês, serena, entusiasta e alegre e que transmite alegria…”. “Como faz bem uma boa dose de são humorismo”
13 – a doença do acumular, quando o apóstolo procura preencher um vazio existencial no seu coração acumulando bens materiais, não por necessidade, mas para se sentir seguro
14 – doença dos círculos fechados, onde a pertença ao grupinho se torna mais forte que aquela ao Corpo e, em algumas situações, ao próprio Cristo
15 – a doença do lucro mundano, do exibicionismo. “Quando o apóstolo transforma o seu serviço em poder e o seu poder em mercadoria para obter lucros mundanos ou mais poder”.

“Irmãos, tais doenças e tentações são naturalmente um perigo para cada cristão e para cada cúria, comunidade, congregação, paróquia, movimento eclesial…e podem atingir seja em nível individual seja comunitário”, disse o Papa, lembrando que apenas o Espírito Santo é capaz de curar toda enfermidade.
Fonte: Canção Nova

Santa Francisca Xavier Cabríni, a heroína dos tempos modernos

Chamada por Pio XII de “heroína dos tempos modernos”, Santa Francisca nasceu em Sant’Angelo de Lódi, na Lombardia, Itália, em 1850. Última dos 13 filhos de Agostinho Cabríni e Estela Oldini, recebeu no batismo o nome de Maria Francisca, ao qual mais tarde ajuntou o de Xavier, pelo seu amor e veneração ao apóstolo das Índias.
Aos 11 anos fez voto de castidade. Seguiu a carreira do magistério com as religiosas Filhas do Sagrado Coração de Jesus, em Arluno, terminando-a aos 18 anos. Sentindo vocação divina, pretendeu entrar para essa Congregação religiosa, mas foi recusada por falta de saúde.
Exerceu durante dois anos o cargo de professora primária em Vidardo e durante três anos dedicou-se na sua terra à instrução religiosa da juventude e ao tratamento dos enfermos e daqueles que eram atingidos pela peste. Aos 23 anos tentou mais uma vez ser religiosa nas Filhas do Sagrado Coração, mas de novo obteve uma negativa.
Após isso, Santa Francisca transladou-se à “Casa da Providência” em Codogno, a fim de a reformar, pois estava em franca decadência. Fez a profissão em 1877 e a partir disso, em meio a grandes tribulações e sofrimentos, ela encontrou as sete primeiras companheiras de sua futura Obra.
Três anos mais tarde, fundou uma nova Congregação religiosa. A 10 de novembro de 1880 alojou-se, com sete companheiras, num desmantelado Convento franciscano, onde, a 14 do mesmo mês, deu princípio ao novo Instituto, com a inauguração de uma capela em honra ao Sagrado Coração de Jesus. Um mês mais tarde, a sua Obra recebia a aprovação episcopal. Francisca contava então 30 anos.
Enquanto se dedicava com as companheiras à educação das meninas e à catequização dos rapazes, foi compondo as regras do seu Instituto, obra de prudência sobre-humana, que recebeu aprovação episcopal em 1881 e a definitiva da Santa Sé em 1907. Em 1884, com 7 anos de vida, a Obra já contava com cinco casas.
Em 1887, partiu para Roma onde, a princípio, só encontrou dificuldades e portas fechadas até que, com fé, simplicidade e perseverança, Santa Francisca obteve a autorização do Cardeal Vigário para construir uma escola gratuita para pobres fora da Porta Pia e um asilo infantil na Sabina, em Aspra.
O problema da emigração italiana para a América do Norte preocupava o então Bispo de Placença, Mons. Scalabrini, que pediu à serva de Deus algumas das suas religiosas para irem socorrer aqueles desamparados. Mas a virtuosa fundadora não se decidia a responder, pois pensava nas Missões do Oriente. Foi então consultar o Papa Leão XIII que, após ouvir Francisca, concluiu: “Não ao Oriente mas ao Ocidente”. E desde esse momento ficou decidida a sua partida para Nova Iorque, a qual veio realizar pela primeira vez em 1889.
Quase aos 40 anos de idade, começa uma série ininterrupta de viagens, percorrendo a América inteira, transpondo a cavalo a Cordilheira dos Andes, sendo por toda parte conhecida como a “Mãe dos emigrados”. Ia de casa em casa, a procura da ovelha perdida, do enfermo e da criança ignorante. Lutou denotadamente contra a fome, as enfermidades e a própria morte.
Em 1912 fez a sua última viagem de Roma a Nova Iorque. A santa fundadora das Missionárias do Sagrado Coração morreu em Illinois, perto de Chicago, a 22 de dezembro de 1917, com 67 anos de idade. Igual era o número das casas que então deixara fundadas e que em 1938 subiam a mais de 100, com cerca de 4.000 religiosas.
A fama das suas virtudes e os prodígios por ela operados fizeram que logo após a morte se começasse o processo da sua beatificação, que veio a se realizar em 1938. Foi canonizada pelo Papa Pio XII a 7 de julho de 1946.
Santa Francisca Xavier Cabrini, rogai por nós!

quarta-feira, 10 de dezembro de 2014

Preparai o caminho do Senhor

Realmente, o Senhor sempre nos deu um instrumento maravilhoso para anunciarmos aquilo que Ele quer. “E eis uma voz a clamar: ‘Preparai o caminho, preparai o caminho do Senhor’”. Este é o trecho de uma música que também diz: “Vejo um rei vindo da montanha”. Sim, nós O vemos, porque está cada dia mais próxima a vinda do Senhor.
Muita gente pensa que o Advento é simplesmente uma preparação para o Natal, mas é muito mais que isso; é a preparação para a segunda vinda de Jesus. Olhando para a primeira vinda do Senhor, em Belém, somos impulsionados a olhar para frente, para o Senhor que vem uma segunda vez. Hoje, a vinda d’Ele está mais próxima do que esteve ontem, mas não tanto como o estará amanhã. Portanto, clamemos: vinde, vinde logo, Senhor Jesus!
Ele quer você como mensageiro do Senhor que vem. Precisamos acreditar, apostar na vinda d’Ele e anunciar essa graça por todos os meios que tivermos para apressarmos Sua vinda. E esta é justamente a palavra de João Batista e deve ser a nossa: “Preparai os caminho do Senhor e endireitai suas estradas”.
Seu irmão,
Monsenhor Jonas Abib
Fundador da Comunidade Canção Nova

sexta-feira, 26 de setembro de 2014

Deus faz grandes coisas por intermédio dos pequenos

O anjo disse a Maria que, para Deus, nada é impossível e ela deu o seu “sim” ao Senhor. Nossa Senhora ainda era uma menina, imaculada, pura, por isso pôde dizer: “Eis aqui a escrava do Senhor”. Ela esperava pelo Salvador, como todos O esperavam, mas nunca imaginara que Ele viesse dela. Essa graça era grande demais para o entendimentos dela, mas Deus a escolheu.
Como isso aconteceu já que ela era tão pequena? Porque para Deus nada é impossível. O Senhor faz grandes coisas por intermédio dos pequenos. É para o pequeno e para o humilde que Ele manifesta a Sua glória.
“O que agrada a Deus, em minha pequena alma, é que eu ame a minha pequenez e minha pobreza. É a esperança cega que tenho em Sua misericórdia”.
É difícil, para o orgulhoso, acolher sua pequenez e assumir que é pequeno. Por isso assuma-se e ame-se, pois o que agrada a Deus e o que dá liberdade para Ele agir em nós é quando somos pequenos, pobres e humildes e assumimos nossa pequenez.
Sou uma “poeirinha”, mas Deus olha para mim, põe os olhos em mim, como disse Maria. E isso acontece porque sou pequeno. Aceito, assumo e amo a minha pequenez. Maria nunca quis ser grande, por isso o Senhor olhou para ela e fez nela maravilhas.
Seu irmão,
Monsenhor Jonas Abib
Fundador da Comunidade Canção Nova

segunda-feira, 22 de setembro de 2014

"Primavera de Museus" na Arquidiocese

O Museu Arquidiocesano de Arte Sacra (Maas)  participará pela primeira vez do “Primavera de Museus”, que mobiliza os museus do país a trabalhar em torno de uma mesma temática envolvendo ações com foco na comunidade, além de estimular e incentivar a visitação a museus.
 Este ano será a 8ª edição do “Primavera de Museus”, que terá como tema ‘Museu criativo’. O Museu Arquidiocesano de Arte Sacra estará desenvolvendo diversas atividades de 24 a 28 de setembro, de 9h às 16h, com entrada gratuita.
Na programação constam as palestras: dia 24 de setembro, das 13h às 16h, “História da Arte Sacra no Brasil: uma colônia barroca”, sob a responsabilidade da doutora em história da arte, Janayna Ayres. Dia 25 de setembro, das 13h às 15h, “Devoção Mariana a partir dos 4 dogmas de Maria’, com o doutor em teologia, padre Waldecir Gonzaga. Dia 26 de setembro, das 13h às 15h, “Conservar para não Restaurar”, com a mestre em história e crítica de arte, a restauradora Mônica. Dia 27 de setembro, a partir das 13h, será a sessão pipoca com o filme “Karol: O Homem Que Se Tornou Papa", que retrata a vida de São João Paulo II antes de se tornar Papa. E, finalizando, dia 28 de setembro, das 11h às 16h, haverá medições e oficinas de artes voltadas para crianças.
O Museu Arquidiocesano de Arte Sacra está localizado na Catedral de São Sebastião do Rio de Janeiro, na Avenida Chile, 245, no Centro. Mais informações pelo telefone: 2240-2669 ou pelo email maas@catedral.com.br.
Fonte: arqrio.org

quarta-feira, 10 de setembro de 2014

"Jesus está no meio do povo, não fala de seu púlpito", afirma o Papa

Jesus não é um professor que fala de seu púlpito, mas está no meio do povo e se deixa tocar para curar. Foi o que disse o Papa Francisco na Missa presidida esta manhã na Casa Santa Marta.
Comentando o Evangelho do dia, o Pontífice refletiu sobre três momentos da vida de Jesus. O primeiro é a oração. Jesus passa “toda a noite rezando a Deus”. Parece um pouco estranho que Aquele que veio para nos salvar reze ao Pai”, disse o Papa. “E o faça com frequência. Mas Jesus é o grande intercessor”:
“Ele está diante do Pai neste momento, rezando por nós. E isto deve nos encorajar! Porque nos momentos difíceis, de necessidade e de tantas coisas, devemos pensar: ‘Mas Tu estás rezando por mim. Reza por mim junto ao Pai!’. É a sua missão hoje: rezar por nós, pela sua Igreja. Nós nos esquecemos disso com frequência, que Jesus reza por nós. Esta é a nossa força. Dizer ao Pai: ‘Mas se Tu, Pai, não nos olha, olha teu Filho que reza por nós’. Jesus reza desde o primeiro momento: rezou quando estava na terra e continua a rezar agora por cada um de nós, por toda a Igreja”. 
Depois da oração, Jesus escolhe os 12 Apóstolos. O Senhor diz claramente: “Não foram vocês que me escolheram. Eu escolhi vocês!”. “Este segundo momento – afirma o Papa – nos dá coragem: ‘Eu fui escolhido, fui escolhida pelo Senhor! No dia do Batismo, Ele me escolheu’. E Paulo, pensando nisso, dizia: ‘Ele escolheu a mim, desde o seio de minha mãe’”. Nós cristãos, portanto, fomos escolhidos:
“Essas são coisas de amor! O amor não olha se alguém tem o rosto belo ou feio: ama! E Jesus faz o mesmo: ama e escolhe com amor. E escolhe todos! Ele, na lista, não tem ninguém importante – entre aspas – segundo os critérios do mundo: são pessoas comuns. Mas uma coisa – sim – destaca-se em todos: são pecadores. Jesus escolheu os pecadores. Escolhe os pecadores. E esta é a acusação que os doutores da lei e os escribas fazem: ‘Ele come com os pecadores, fala com as prostitutas.’. Jesus chama todos! Lembram aquela parábola das núpcias do filho: quando os convidados não aparecem, o que faz o dono da casa? Manda os seus servos: ‘Ide e trazei todos à casa! Bons e maus’, diz o Evangelho. Jesus escolheu todos!”.
Jesus – continuou o Papa - também escolheu Judas Iscariotes, “que se tornou o traidor ... O maior pecador para Ele. Mas foi escolhido por Jesus”. Depois, há o terceiro momento: “Jesus próximo do povo”. Em muitos vão até Ele “para ouvi-lo e serem curados de suas doenças. Toda a multidão procurava tocá-lo”, porque “d’Ele saia uma força que curava todos”. Jesus está no meio do seu povo;
“Não é um professor, um mestre, um místico que se afasta do povo e fala da cátedra. Não! Está no meio do povo; se deixa tocar; deixa que as pessoas perguntem. Assim é Jesus: perto do povo. E essa proximidade não é uma coisa nova para Ele: Ele a sublinha em seu modo de agir, e é algo que vem desde a primeira escolha de Deus para o seu povo. Deus diz ao seu povo: “Pensem, qual povo tem um Deus tão próximo como Eu estou próximo de vocês?”. A proximidade de Deus ao seu povo é a proximidade de Jesus às pessoas”.
“Assim é o nosso Mestre, assim é o nosso Senhor – concluiu o Papa -; alguém que reza, alguém que escolhe as pessoas e alguém que não tem vergonha de estar próximo do povo. E isso nos dá confiança n’Ele. Confiamos n’Ele porque reza, porque nos escolheu e porque está próximo de nós”

Semana de Cura pela Palavra



segunda-feira, 7 de julho de 2014

Investidura de novos Leitores

Nesse Domingo, nossa Paróquia recebeu mais cinco Leitoras, para servirem à Mesa da Palavra em nossas celebrações. Sejam bem vindas.


Foto: Bira Santaos

domingo, 6 de julho de 2014

#1anoJMJRio

A Arquidiocese do Rio, para celebrar um ano da Jornada Mundial da Juventude Rio2013, criou a hashtag#1anoJMJRio. Jovens de todo Brasil e do mundo podem compartilhar suas fotos, memórias vividas ao longo desse ano pós-jornada. Desde o início da campanha já foram recebidas mais de 600 fotos.
Peregrinação dos Símbolos
Será realizada nos vicariatos a peregrinação das réplicas dos símbolos da JMJ – a cruz peregrina e o ícone de Nossa Senhora – a partir do dia 19 de julho. O objetivo é trazer de volta o ardor e a alegria vividos na cidade do Rio. No dia 18 de julho, às 19h, o arcebispo do Rio, Cardeal Orani João Tempesta presidirá a bênção dos símbolos na Praça da Medalha Milagrosa, na Tijuca.
Juventude Mix
O Juventude Mix (Jmix) nasceu antes da Jornada e foi o primeiro programa em rede católica de rádio. Segundo Daniela Oliveira, apresentadora do Jmix, uma série de programas especiais está sendo feita para relembrar os momentos marcantes da JMJ.
“O programa tinha o nome de JMJ Mix. Quando a Jornada passou, nós continuamos com o nome Juventude Mix. Ele passou a ser voltado para o legado da Jornada e as atividades da Pastoral da Juventude na arquidiocese”, registrou Daniela Oliveira.
No último programa especial da série, em 23 de julho, serão relembrados áudios do Papa Francisco em Copacabana, em Manguinhos, no Hospital São Francisco de Assis, além do testemunho de jovens que participaram em vários pontos do Brasil e do mundo. O Juventude Mix é transmitido pela Rádio Catedral nas quartas-feiras às 17h10.
Dia 26 de julho
Para marcar um ano da vinda do Papa Francisco ao Brasil será realizado um evento na Quinta da Boa Vista, no dia 26 de julho das 13h às 19h. O arcebispo do Rio, Cardeal Orani João Tempesta, presidirá missa no local às 18h.
“É importante que todos os vicariatos e toda a arquidiocese estejam presentes neste dia. Vamos recordar de maneira singela e com muito amor a nossa JMJ”, afirmou Raphael Fritz, assessor da Coordenação Arquidiocesana de Pastoral.
Exposição de fotos
Ocorrerá uma exposição itinerante com cerca de 40 fotos pela cidade. A ideia é expor as imagens nas igrejas, ruas do Rio, shoppings, de modo que público possa reviver o que foi a JMJ. A exposição será inaugurada no dia 15 de julho, no Largo da Carioca.
Histórico da JMJ
O encontro internacional dos jovens com o Papa acontece a cada dois ou três anos, com duração de aproximadamente uma semana. Além de promover um intercâmbio de culturas, a JMJ proporciona ao jovem peregrino a partilha de testemunhos e experiências de fé. A JMJ foi criada em 1986 por São João Paulo II.
A próxima JMJ será realizada em Cracóvia, na Polônia, em 2016.

quinta-feira, 3 de julho de 2014

Divulgada logo da JMJ Cracóvia 2016


Foi divulgada nesta quinta-feira, 3 de julho, a logomarca da JMJ Cracóvia 2016. A logo é composta por três cores: azul, vermelho e amarelo que se referem ao tema da JMJ: “Bem-aventurados os misericordiosos, pois obterão misericórdia” (Mt 5,7). A gráfica da logo representa o formato geográfico da Polônia, com uma cruz que retrata Jesus Cristo, centro do encontro.

Os raios da Divina Misericórdia saem da cruz, com as mesmas cores e formas da pintura “Jesus confio em Ti”, realizada por pedido de Jesus quando de Sua aparição à Santa Faustina Kowalska.
Cracóvia é assinalada com um ponto circular que representa também os jovens e que foi usado muitas vezes com o mesmo significado nas logos das jornadas anteriores. A JMJ Cracóvia 2016 será realizada de 26 e 31 de julho de 2016. A chegada do Papa Francisco está prevista para o dia 28.

sexta-feira, 20 de junho de 2014

Papa diz “não” a qualquer tipo de droga e “sim” à vida

Santo Padre falou aos participantes da reunião anual antidroga,
reiterando seu “sim” à vida
Da Redação, com Rádio Vaticano

O Papa Francisco recebeu em audiência nesta sexta-feira, 20, os participantes da 31ª edição da Conferência Internacional Antidroga.
Trata-se de uma reunião anual dos responsáveis das agências antidroga mundiais, que este ano se realizou em Roma entre os dias 17 e 19 de junho. Na ocasião, Francisco reafirmou o seu “não” a qualquer tipo de droga.
No seu discurso aos presentes, o Pontífice expressou apreço pelo trabalho que a Conferência realiza enfrentando este problema grave e complexo da atualidade. Ele fez votos de que se possa atingir os objetivos propostos, como coordenar as políticas antidroga e desenvolver uma estratégia operativa que contraste o narcotráfico.
“O flagelo das drogas continua a fazer estragos em formas e dimensões impressionantes, alimentado por um mercado vergonhoso que atravessa as fronteiras nacionais e continentais. Desta forma, continua a crescer o perigo para os jovens e adolescentes. Diante deste fenômeno, sinto a necessidade de expressar a minha tristeza e a minha preocupação”.
Francisco ressaltou que a droga não se vence com a droga. Segundo ele, trata-se de um mal com o qual não pode haver relaxamento ou compromissos, de forma que a tentativa de reduzir o dano permitindo o uso de psicofármacos àquelas pessoas que continuam a usar droga não resolve de fato o problema.
“A legalização das chamadas ‘drogas leves’, mesmo de modo parcial, além de ser, pelo menos, questionável em termos de legislação, não produz os efeitos que foram pré-fixados. As drogas substitutivas, então, não são uma terapia suficiente, mas uma forma velada de se render ao fenômeno. Quero reafirmar o que eu já disse em outra ocasião: ‘não a qualquer tipo de droga’”.
Mas para dizer esse “não” às drogas é preciso dizer “sim” à vida, observou o Santo Padre. Ele acredita que se houver um “sim” aos outros, ao amor, à educação, ao trabalho e a mais fontes de trabalho não haverá lugar para as drogas, para o álcool e para outras dependências.
O Papa Francisco recordou que a Igreja, fiel ao mandato de Jesus de ir a todos os lugares onde há um ser humano que sofre, não abandonou aqueles que caíram na espiral da droga, mas com o seu amor criativo foi ao encontro deles. “O exemplo dos muitos jovens que, desejosos de escapar da dependência da droga, se empenham em reconstruir as suas vidas, é um incentivo para olhar para frente com confiança”, finalizou o Papa Francisco.
Esse Congresso Internacional realizado em Roma teve como tema “O desmantelamento das estruturas financeiras do narcotráfico”. 500 delegados de 129 países se reuniram para discutir sobre o assunto, divididos em sete grupos de trabalho compostos por área geográfica (América do Sul, Caribe, América do Norte e Central, Ásia do Sul e Central, Europa, África, Sudeste asiático), abordando as problemáticas da lavagem de dinheiro proveniente do tráfico de drogas.

terça-feira, 17 de junho de 2014

Unidade na Trindade

A liturgia da palavra, na Solenidade da Santíssima Trindade, segue o itinerário da fé, como resposta do homem à revelação divina: do Uno ao Trino. Na oração coletiva, nos dirigimos a Deus, o Pai, que, ‘enviando a palavra da verdade e o Espírito santificador’, revelou seu mistério. A seguir, inverte o movimento do Trino ao Uno: “Fazei que reconheçamos a glória da Trindade e adoremos a unidade onipotente”, pois na revelação de cada uma das pessoas se manifesta a “mesma natureza divina e igual majestade”. Assim sendo, a verdade trinitária é a afirmação da unidade e da unicidade de Deus.
A leitura de pequeno trecho do Livro do Êxodo é a síntese dos sinais reveladores de Deus no Antigo Testamento (Ex 34, 4b-6.8-9). É quem convoca Moisés. Liberta da escravidão. Revela o nome. Sela a aliança. Promulga a lei. Caminha à frente com o povo de sua propriedade. Seus atributos são salvíficos: misericordioso e clemente, paciente, rico em bondade e fiel (v. 6). Seu nome é invocado (v. 5) em favor das necessidades do seu povo. Neste sentido, Ele é salvador. A resposta da fé é a obediência da lei, do cumpridor da palavra, no amor e na fidelidade à eleição e à aliança, afirmando a pertença. Portanto, a confissão de fé em Deus possui o objetivo prático, sobretudo, da justiça da lei.
O pequeno trecho do Evangelho contrasta com a densidade da nova revelação do Filho (Jo 3, 16-18). Percebe-se a síntese feita pelo evangelista. Visa à revelação do Filho pelo qual, mediante a fé, somos salvos e alcançamos a vida plena. Então, diz sem rodeios: “Deus amou tanto o mundo, que deu o seu Filho unigênito, para que não morra todo o que n’Ele crer, mas tenha a vida eterna” (v. 18). A sorte do homem está já lançada: “quem nele crê, não é condenado, mas quem não crê, já está condenado porque não acreditou no nome do Filho” (v. 18). Claro que se trata da descrença culposa (12,37). Seu nome é Jesus, o mesmo que Salvador. Neste nome, está contida a profissão de fé. Sempre acompanhada pelo amor-ágape.
Quanto ao brevíssimo texto da epístola, reproduz a saudação de origem litúrgica: “A graça do Senhor Jesus Cristo, o amor de Deus e a comunhão do Espírito Santo estejam com todos vós” (2 Cor 13,13). O desejo da saudação é que cultivemos o relacionamento, correspondente a cada uma das pessoas divinas: graça, amor, comunhão. Promove as relações humanas interpessoais, na Igreja e nas sociedades, no respeito pelas diferenças, a favor da gratuidade e da comunhão, na verdade e na unidade, do “mesmo sentimento, mesmo amor, numa só alma, num só pensamento” (Fl 2, 2). Sobretudo, supõe e estimula que a alma seja o ambiente íntimo de adoração e de louvor à divina presença.
Fazei que reconheçamos a glória da Trindade e adoremos a unidade onipotente.
Dom Edson de Castro Homem - Bispo Auxiliar