terça-feira, 21 de abril de 2015

Igreja no Rio de Janeiro terá novos acólitos no dia 25

temp_titleacolitato_17042015103127
“Ao desembarcar, Jesus viu uma grande multidão e compadeceu-se dela, porque era como ovelhas que não têm pastor. E começou a ensinar-lhes muitas coisas. A hora já estava bem avançada quando se achegaram a ele os seus discípulos e disseram: Este lugar é deserto, e já é tarde. Despede-os para irem aos sítios e aldeias vizinhas comprar algum alimento. Mas Ele respondeu-lhes: Dai-lhes vós mesmos de comer” (Mc 6, 34-37).

Com o tema “Dai-lhe vós mesmos de comer”, os seminaristas Anderson Manoel dos Santos, Eraldo de Souza, Felipe Machado, Guilherme Freitas, José Carlos Rosa, Marcelo Henrique Freitas, Thiago Luiz Serejo e Vítor José de Oliveira, que estão na fase final em direção ao sacerdócio, vão receber o ministério do acolitato no dia 25 de abril, no Santuário de São Sebastião dos Frades Capuchinhos.

Para o reitor do Seminário de São José, cônego Leandro Câmara, esse é um passo importante antes do sacerdócio, e espera ordenar, ainda neste ano, novos diáconos para a Igreja.

“Que eles possam ver neste passo a mão de Deus que os conduz desde o início do processo formativo até a confirmação da vocação: a ordenação. Este passo é bastante importante e decisivo para o próximo que será a ordenação diaconal. Esperamos que, em dezembro, tenhamos novos diáconos para a Igreja no Rio de Janeiro. A esperança da Igreja é de que a vocação deles se confirme e se concretize num serviço cada vez mais generoso, desprendido de si mesmo e dedicado ao povo de Deus”, disse.
O que é acolitato?

O acolitato é um ministério instituído (não ordenado) e que remonta a uma antiga tradição da Igreja. Os seminaristas recebem esse apostolado antes da ordenação diaconal. O acólito é instituído para auxiliar na organização do altar e da Liturgia, na formação dos leigos para receber o sacramento. Além disso, ele se torna um Ministro Extraordinário da Sagrada Comunhão e pode, assim, entregar a Eucaristia durante as celebrações litúrgicas e levá-la aos enfermos.
Mais um passo para o sacerdócio

Este será mais um passo para os seminaristas. Quanto a eles, esperam ansiosos pelo dia da consagração e confirmação da vontade de Deus em suas vidas.
O Santuário São sebastião fica na Rua Haddock Lobo, 266, Tijuca. A celebração será ás 8:30 no dia 25 de abril.
Fonte: arqrio.org

segunda-feira, 13 de abril de 2015

Papa diz que a Divina Misericórdia supera todo limite humano

Após a Santa Missa, o Papa Francisco rezou o Regina Coeli,
que foi inspirado na liturgia deste Domingo da Misericórdia


Após a Missa deste domingo, 12, o Papa Francisco assomou à janela do apartamento Pontifício para rezar, com os milhares de fiéis reunidos na Praça São Pedro, a oração mariana do Regina Coeli.
Inspirado na liturgia deste Domingo da Misericórdia, o Santo Padre falou do mistério pascal manifestado em plenitude na amabilidade de Jesus, que indo de encontro à incredulidade de Tomé, mostra-lhe suas chagas, sinais de sua paixão, para que possa chegar à plenitude da fé pascal.
“Tomé é alguém que não se contenta e busca, pretende verificar pessoalmente, ter uma experiência pessoal própria. Após as iniciais resistências e inquietudes, por fim também ele passa a acreditar, mesmo avançando com cansaço. Jesus o espera pacientemente e se oferece às dificuldades e inseguranças do último a chegar”.
O Senhor proclama “Bem-aventurados” aqueles que acreditam sem ver e a primeira é Maria, recordou o Papa, observando que Jesus também vai ao encontro à exigência do discípulo incrédulo. “Coloque aqui o teu dedo e olha as minhas mãos”.
“Ao contato salvífico com as chagas do Ressuscitado, Tomé manifesta as próprias feridas, as próprias lacerações, a própria humilhação. No sinal dos pregos encontra a prova decisiva de que era amado, esperado, entendido. Encontra-se diante de um Messias pleno de doçura, de misericórdia, de ternura. Era ele o Senhor que buscava nas profundidades secretas do próprio ser, pois sempre soube que era assim”.
O Papa disse que ao ter este contato pessoal com a amabilidade e a misericordiosa paciência de Deus, Tomé compreende o significado profundo da sua ressurreição e, intimamente transformado, declara a sua fé plena e total Nele, exclamando: “Meu Senhor e meu Deus!”.
Tomé pode tocar o Mistério pascal que manifesta plenamente o amor salvífico de Deus, rico em misericórdia.
Este II domingo de Páscoa, disse o Papa Francisco, convida todos a contemplar nas chagas do Ressuscitado a Divina Misericórdia, que supera todo limite humano e resplandece sobre a obscuridade do mal e do pecado.
“Um tempo intenso e prolongado para acolher as imensas riquezas do amor misericordioso de Deus. Será o próximo Jubileu Extraordinário da Misericórdia, cuja Bula de convocação promulguei na tarde de ontem na Basílica de São Pedro. “Misericordiae Vultus”, o Rosto da Misericórdia é Jesus Cristo. Tenhamos o olhar voltado para Ele. E que a Virgem Mãe nos ajude a sermos misericordiosos com os outros como Jesus é conosco”.
Após saudar os diversos grupos de peregrinos presentes na Praça, o Santo Padre dirigiu suas cordiais felicitações aos fiéis das Igrejas do Oriente que, segundo seu calendário, celebram neste domingo, 12, a Santa Páscoa e aos armênios vindos para participar da celebração na Basílica Vaticana.

O Pontífice também agradeceu e retribuiu as mensagens de Páscoa chegadas de todo o mundo nas últimas semanas, manifestando a todos afeto e proximidade, reiterando seu pedido de que continuem a rezar por ele.
Fonte: Canção Nova

terça-feira, 10 de março de 2015

Papa: Deus não dá show, mas atua na humildade e no silêncio

O Papa celebrou na manhã desta segunda-feira (09/03) a Missa na Casa Santa Marta. Comentando o Evangelho do dia, Francisco ressaltou o trecho em que Jesus repreende os habitantes de Nazaré pela falta de fé: no início, Ele é ouvido com admiração, mas depois explode “a ira e a indignação”:
“Naquele momento, entre as pessoas que ouviam com prazer o que Jesus dizia, um, dois ou três não gostaram do que ele disse, e um falador se levantou e afirmou: ‘Mas o que esta pessoa está falando? Onde estudou para nos dizer essas coisas? Que nos mostre o diploma! Em qual Universidade estudou? Ele é o filho do carpinteiro e o conhecemos bem”. E começou a fúria, e também a violência. “E o expulsaram da cidade e o conduziram até o cume da colina”. E queriam jogá-lo lá de cima”.
A primeira leitura fala de Naamã, comandante do exército sírio, leproso. O Profeta Eliseu lhe diz de banhar-se sete vezes no Jordão e também ele se indigna porque pensava num gesto maior. Depois ouve o conselho dos servos, faz o que disse o Profeta e a lepra desaparece. Seja os habitantes de Nazaré, seja os de Naamã – observou o Papa – “queriam um show”, mas “o estilo do bom Deus não é dar show: Deus atua na humildade, no silêncio, nas coisas pequenas”. Isso – destacou – se vê em “toda a história da salvação”, a partir da Criação, onde o Senhor não pegou “a varinha mágica”, mas criou o homem “com o barro”:
“Quando ele quis libertar o seu povo, libertou-o pela fé e a confiança de um homem, Moisés. Quando ele quis fazer cair a poderosa cidade de Jericó, ele o fez através de uma prostituta. Também para a conversão dos samaritanos, pediu o trabalho de outra pecadora. Quando Ele enviou Davi para lutar contra Golias, parecia loucura: o pequeno Davi diante do gigante, que tinha uma espada, tinha muitas coisas, e Davi apenas uma funda e pedras. Quando disse aos Magos, que tinha nascido o Rei, o Grande Rei, o que eles encontram? Uma criança, uma manjedoura. As coisas simples, a humildade de Deus, este é o estilo divino, jamais um show”.
O Papa recorda “também uma das três tentações de Jesus no deserto: o show”. Satanás o convida a lançar-se do pináculo do Templo porque vendo o milagre as pessoas possam acreditar n’Ele. “O Senhor – ao invés disso - se revela na simplicidade, na humildade”. “Nós fará bem nesta Quaresma - conclui Francisco - pensar em nossas vidas em como o Senhor nos ajudou, como o Senhor nos fez seguir em frente, e vamos descobrir que ele fez isso com coisas simples”:
“Assim age o Senhor: faz as coisas de forma simples. Fala-nos silenciosamente ao coração. Recordamos na nossa vida as muitas vezes que ouvimos essas coisas: a humildade de Deus é o seu estilo; a simplicidade de Deus é o seu estilo. E também na liturgia, nos sacramentos, que bonito é que se manifeste a humildade de Deus e não o show mundano. Irá nos fazer bem percorrer a nossa vida e pensar nas muitas vezes em que o Senhor nos visitou com sua graça, e sempre com esse estilo humilde, o estilo que também Ele nos pede para ter: a humildade”.

segunda-feira, 9 de março de 2015

A resposta da fé a todos os problemas

Na realidade em que estamos, cristãos são chamados
 a serem homens e mulheres de soluções.

Nas voltas que o mundo dá, sucedem-se crises de todo tipo. As pessoas conhecem ciclos diversos, mudanças condicionadas pela idade, situação social, opções feitas no correr da vida. A sociedade conhece também suas etapas e eventuais fases difíceis, como o quadro político e econômico em que nos encontramos, ampliado pelos inúmeros desafios que expressam quase um regresso à barbárie, tamanhos são os fatos violentos que passam diante de nossos olhos a cada dia. A Igreja está mergulhada em nosso mundo, com todos os seus problemas e é chamada a dar a resposta da fé a todos eles, superando o medo que podem provocar. Os cristãos são chamados a serem homens e mulheres de soluções, exercendo a necessária criatividade, que lhes possibilite ser presença qualificada no meio de todas as pessoas de boa vontade.

São João descreve, logo no início do quarto evangelho, uma das visitas de Jesus ao Templo de Jerusalém (Jo 2, 13-25). O espaço destinado a ser casa de oração tinha se transformado em comércio, a prática das leis do Antigo Testamento estava em crise, alguns poucos se faziam donos da religião, a presença invasiva dos romanos corrompia as relações entre as pessoas e, ao mesmo tempo, muitas pessoas mantinham viva a esperança da chegada do Messias prometido. O Templo, que já não era o que foi edificado por Salomão, mas a segunda construção, depois restaurada por Herodes, o Grande, veio a ser efetivamente destruído pela invasão romana, alguns anos mais tarde, restando apenas um espaço sagrado utilizado pelos judeus. Na antiga esplanada do templo, foram posteriormente erguidas duas Mesquitas, lugares de culto dos Muçulmanos. E a Jerusalém de hoje, com todos os conflitos subjacentes à sua organização e governo, abriga judeus, muçulmanos e cristãos. Muitos sonham, e nós também, com uma convivência pacífica das três grandes religiões monoteístas. E de lá para cá, por motivos diversos se destroem templos e monumentos de várias religiões, como temos acompanhado nos últimos dias. Com os edifícios destruídos, também fica comprometida a memória histórica da humanidade!

Não era simples o relacionamento dos judeus com as autoridades romanas e seus prepostos. São Lucas descreve alguns fatos reveladores: "Chegaram algumas pessoas trazendo a Jesus notícias a respeito dos galileus que Pilatos tinha matado, misturando o sangue deles com o dos sacrifícios que ofereciam. Ele lhes respondeu: Pensais que esses galileus eram mais pecadores do que qualquer outro galileu, por terem sofrido tal coisa? Digo-vos que não. Mas se vós não vos converterdes, perecereis todos do mesmo modo. E aqueles dezoito que morreram quando a torre de Siloé caiu sobre eles? Pensais que eram mais culpados do que qualquer outro morador de Jerusalém? Eu vos digo que não. Mas, se não vos converterdes, perecereis todos do mesmo modo" (Lc 13, 1-5). Jesus anuncia e faz acontecer o Reino de Deus no meio de uma sociedade conflitiva, com tensões e revoltas prontas a estourarem a qualquer momento.

Ao Templo de Jerusalém chega o esperado das nações, como nos descrevem os textos evangélicos. No entanto, ele vem de forma diferente, certamente decepcionando os sonhos de confronto e poder de muitos de seus contemporâneos. Sua presença quer conduzir as pessoas do Templo edificado com tanto esforço ao novo Templo, o novo lugar que é Ele mesmo, onde acontece o verdadeiro culto ao Pai do Céu. Jesus não destrói o Templo, antes o respeita profundamente, com palavras duras e fortes: "Tirai daqui essas coisas. Não façais da casa de meu Pai um mercado! Os discípulos se recordaram do que está escrito: O zelo por tua casa me há de devorar" (Jo 2,16-17). Além das lições que nós cristãos podemos aprender com estes fatos, nasça um grande respeito pela religião dos outros, sejam quais forem suas convicções!

Profeticamente, o Senhor anuncia que o Templo será destruído e reconstruído após três dias, pois ele falava a respeito do seu corpo. Depois que Jesus ressuscitou dos mortos, os discípulos se recordaram de que ele tinha dito isso, e creram na Escritura e na palavra que Jesus havia falado (Cf. Jo 2, 21-22). De fato, na força de sua Ressurreição gloriosa, a morte veio a ser vencida e todas as suas manifestações podem ser superadas.

Nós cristãos professamos a fé no Cristo Morto e Ressuscitado. Com a fé, nossa vida tem uma meta a ser alcançada, impedindo-nos de sermos afogados pelos acontecimentos positivos ou negativos. Nosso olhar se volta para a plenitude do amor de Deus, acendendo continuamente a luz da esperança. Com esta fé, passamos pelo mundo fazendo o bem, acreditando que é possível restaurar vidas e superar as muitas dilacerações existentes na sociedade.

Para tanto, somos chamados a algumas atitudes e gestos. Para nós, a maldade não tem a última palavra em quem quer que seja. Olhamos para as pessoas e suas crises pessoais e descobrimos aquela fagulha, para não apagar a chama que fumega, pois no nome de Jesus as nações podem depositar a esperança (Cf. Mt 12,15-21; Is 42,1-4). No dia a dia, não desperdiçamos as oportunidades para tecer novos relacionamentos com as pessoas, aproveitando os eventuais laços que poderiam impedir a caminhada para compor redes de fraternidade. As iniciativas de pessoas e grupos em vista do bem comum encontrarão em nós a disposição para parcerias inteligentes, nas quais cada um pode dar o que sabe e pode. Onde quer que encontremos eventuais restos de edificações destruídas, recolheremos os pedaços para realizar a profecia: "Quando o invocares, o Senhor te atenderá, e ao clamares, ele responderá: Aqui estou! Se, pois, tirares do teu meio toda espécie de opressão, o dedo que acusa e a conversa maligna, se entregares ao faminto o que mais gostarias de comer, matando a fome de um humilhado, então a tua luz brilhará nas trevas, o teu escuro será igual ao meio-dia. O Senhor te guiará todos os dias e vai satisfazer teu apetite, até no meio do deserto. Ele dará a teu corpo nova vida, e serás um jardim bem irrigado, mina d’água que nunca para de correr. E a tua gente reconstruirá as ruínas que pareciam eternas, farás subir os alicerces que atravessaram gerações, serás chamado reparador de brechas, restaurador de caminhos, para que lá se possa morar" (Is 58, 9-12).

Se o sonho parece muito alto, sabemos que nossa fé professa nada menos do que a vitória sobre a morte! Portanto, a esta altura do caminho quaresmal em direção à Páscoa, recomecemos a cada dia a tarefa recebida do Senhor, para reconstruir as eventuais ruínas que encontrarmos.
Dom Alberto Taveira Corrêa
Arcebispo de Belém do Pará (PA).

Fonte: domtotal.com

São Domingos Sávio - Padroeiro dos acólitos

Este jovem santo ofereceu a sua juventude por amor a Deus e Maria Santíssima

São Domingos Sávio - Padroeiro dos acólitos
O santo de hoje viveu o lema 

“Antes morrer do que pecar”.
Nascido em Turim, na Itália, no ano de 1842, Domingos conheceu muito cedo Dom Bosco e participou do Oratório – lugar de formação integral – onde seu coração se apaixonou por Jesus e Nossa Senhora Auxiliadora.
Pequeno na estatura, mas gigante na busca de corresponder ao chamado à santidade, foi um ícone da alegria de ser santo. Um jovem comum, que buscava cumprir os seus deveres e amava a vida de oração.
Com a saúde fragilizada, faleceu com apenas 15 anos.
São Domingos Sávio, rogai por nós.

quinta-feira, 5 de março de 2015

O sentido espiritual da Quaresma

Origem da Quaresma
Imitando Cristo no seu deserto de 40 dias, que foi, por sua vez, a realização plena da imagem vétero-testamentária do povo que caminhou por 40 anos no deserto até chegar à terra prometida, a Igreja realiza a sua Quaresma: 40 dias nos quais ela se deixa, a exemplo de Jesus, conduzir para o deserto, lugar da tentação, mas, também, do encontro com Deus, para aí se preparar para a grande festa da Páscoa.

A Quaresma surgiu a partir de uma dupla necessidade: a prática da penitência para que os fiéis pudessem participar da Páscoa do Senhor e a necessidade da preparação mais intensa dos catecúmenos que recebiam, na Vigília Pascal, os sacramentos da iniciação cristã.

Assim sendo, a Quaresma possui uma dupla dimensão: a dimensão batismal e a dimensão penitencial. Na liturgia da Palavra são-nos propostos três ciclos de leitura: ano A (Quaresma Batismal); ano B (Quaresma Cristocêntrica); ano C (Quaresma Penitencial). O ciclo A é mais antigo e propõe textos que possuem uma dimensão marcadamente batismal, tendo em vista que neste período, já na Igreja primitiva, dava-se início à iniciação cristã dos adultos.

Exercícios quaresmais
A Quaresma é vivida por muitos cristãos, na maioria das vezes, como um fardo demasiadamente pesado. Muitos vivem as práticas da Quaresma – notadamente, a oração, o jejum e a esmola – como se elas significassem a satisfação do desejo descontrolado de Deus de ver-nos sobrecarregados de sacrifícios que servem para expiar os nossos muitos pecados. Essa é uma forma errada de ver a Quaresma. O que nela começamos, devemos continuar no decorrer do ano litúrgico.

Os assim chamados “exercícios quaresmais”, não seriam propriamente “exercícios” se não tivessem como finalidade criar em nós disposições e atitudes que estimulem a vida cristã durante todo o ano litúrgico. O que vivemos na Quaresma, então, deve produzir frutos maduros em nós. Os exercícios que aqui começamos não podem terminar neste tempo.

Jejum
Durante o período quaresmal, a Igreja nos convida, sobretudo, a três exercícios: o jejum, a oração e a esmola. Reflitamos um pouco sobre cada um desses exercícios. O jejum, por exemplo, é um dos exercícios quaresmais muito mal vividos. Vivemos o jejum como se Deus precisasse desse sacrifício para nos oferecer o perdão dos nossos pecados. Como conciliar essa mentalidade com Mateus 12, 7, onde o Senhor, citando Oséias 6,6, nos afirma que quer a misericórdia e não o sacrifício? Será então que não devemos fazer o jejum? Ou será que o espírito com o qual fazemos o jejum não está equivocado? Devemos modificar a nossa forma de ver o jejum. Não é que Deus precise do nosso jejum para poder nos perdoar, como se esse sacrifício fosse uma forma de aplacar a ira divina. Nós é que precisamos do jejum para aprendermos a nos relacionar com os bens da criação.

Pelo pecado original – doutrina católica apoiada na verdade que nos é revelada na Sagrada Escritura e muito negligenciada atualmente, sobretudo em alguns círculos teológicos – a verdadeira natureza das coisas ficou velada para o homem, e este, ao invés de reconhecer o Criador nas criaturas, acabou por idolatrar as criaturas, esquecendo-se do seu Criador. O jejum tira-nos da idolatria das criaturas.

O jejum nos ensina uma nova forma de lidar com os alimentos, vendo-os não como uma fonte de prazer somente, mas como dom de Deus. Através do jejum aprendemos a controlar a nossa sede de prazer e a não sermos mais dominados pelo instinto. Aprendemos que o prazer é benéfico, é também dom de Deus, mas nós é que devemos controlá-lo, e não ele a nós. A experiência que fazemos com o jejum redunda em todas as outras áreas da nossa vida, inclusive na própria sexualidade. Evágrio Pôntico diz no seu Tratado Prático que: “Quando a concupiscência se inflama, a extinguem a fome (jejum), a fadiga e a solidão.”

Oração
A oração, por sua vez, nos faz sair da ilusão de que nós somos capazes de resolver tudo com as nossas próprias mãos. Ela nos tira da nossa autossuficiência e nos projeta para o Deus verdadeiro, Aquele que é realmente onipotente. Este é o tempo favorável para através da oração diária nos tornarmos mais íntimos de Deus.

A Quaresma é um tempo propício para participarmos melhor da liturgia da Igreja e, também, para orarmos com a Palavra de Deus. A Palavra de Deus nos proporciona um itinerário espiritual. É ela que deve orientar a nossa vida espiritual na Quaresma e em qualquer tempo litúrgico.

Esmola

A esmola, ou a caridade, como quisermos chamá-la, nos faz quebrar a idolatria do ter. Pela esmola, aprendemos a dividir com o próximo aquilo o que Deus confiou a nós para que o administrássemos. Pela prática da esmola, entendemos que não somos donos de nada, mas meros administradores dos bens de Deus. A esmola tira-nos do perigo de sermos possuídos pelos bens. Às vezes, pensamos tanto ser donos dos bens que Deus nos confiou, que no final eles é que se tornam nossos donos, acabamos sendo possuídos pelas coisas. A esmola nos liberta dessa possessão e deixa o nosso coração livre para Deus.

São Máximo Confessor, reconhecendo que a avareza é um dos males que dominam o homem, nos estimula ao desprendimento, à esmola, quando nos diz na sua obra “Centúrias sobre a Caridade”, n. 18: “O amante do prazer ama o dinheiro para deleitar-se mediante ele. O que se vangloria para ser glorificado por ele. O que não tem fé para escondê-lo e custodiá-lo, tendo medo da fome, da velhice, da doença ou do exílio; e espera mais nele (no dinheiro) do que em Deus, autor e providência da criação toda, até dos últimos e menores seres vivos”.
Como podemos ver, essas práticas, então, não servem somente para este período do ano litúrgico. Elas são praticadas de modo mais intenso agora, como “exercício”, e depois continuam em todo o ano litúrgico. Que este seja nosso programa. Que o itinerário quaresmal não seja para nós um fardo a carregar, mas um programa de vida, um constante caminho de santificação.
Por fim, tenhamos sempre diante dos nossos olhos, sobretudo nestes dias de Quaresma, a “Cruz de Nosso Senhor Jesus Cristo”. A Cruz é o “sinal da vida”. É assim que São Gregório Magno a chama no Livro II dos Diálogos, quando narra o milagre pelo qual São Bento fora salvo da morte por envenenamento ao traçar sobre a taça de vinho o sinal da cruz: “Tomaram, pois, a resolução de colocar veneno no seu vinho. Quando, segundo o costume monástico, apresentaram ao Pai, que estava sentado à mesa, a taça de vidro com a bebida mortífera para ser abençoada, Bento estendeu a mão e traçou o sinal da cruz. A este gesto, a taça, que estava a certa distância dele, estalou e fez-se em pedaços, como se ao invés da Cruz lhe tivesse atirado uma pedra. O homem de Deus logo compreendeu que o vaso continha uma bebida mortal, pois não pôde suportar o sinal da vida.” Tenhamos todos os dias, começando pela Quaresma, esse sinal diante de nós. O chamado de Cristo para nós é um chamado à vida, mas não à vida nesse mundo pura e simplesmente. Cristo nos chama à vida verdadeira, a qual se alcança pela cruz, como Ele o fez.
Uma santa Quaresma a todos!

Padre Fábio Siqueira

Vice-diretor das Escolas de Fé e Catequese Mater Ecclesiae e Luz e Vida

sexta-feira, 20 de fevereiro de 2015

Tempo de Penitência

Começamos o tempo quaresmal! Nestes dias de Quaresma, queremos renovar a nossa fé através de uma vida penitencial mais intensa, aproveitando os temas que a liturgia nos oferece, com orações mais frequentes, jejuns e, sobretudo, uma vida de caridade mais aplicada – a fraternidade.
A penitência e a prática que nos impomos, em primeiro lugar, não são exclusivas deste tempo. Toda a nossa vida deve ser imbuída deste espírito se quisermos seguir a Cristo. A ascese faz parte de nossa caminhada espiritual. Porém, para vencer a inconstância, que é característica do ser humano, são importantes tempos fortes para retemperar a nossa vontade, através de uma inteligência do mistério da cruz redentora. É um tempo de retomar com mais vigor essa caminhada ascética.

São Paulo descreve essa fraqueza falando de si mesmo, da luta interior que experimentamos para viver a fé: "Sabemos que a Lei é espiritual, mas eu sou carnal, vendido como escravo ao pecado. Realmente não consigo entender o que faço, pois não pratico o que quero, mas faço o que detesto” (Rom 7, 14). E conclui: "Quem me libertará deste corpo de morte"?(Idem, 24). Por isso, se esforçava, como aquele que corre no estádio e castiga o seu corpo reduzindo-o à servidão (1Cor. 9, 24-27).

Nascidos no pecado e na concupiscência, como nos lembra o salmista {salmo 51 (50)}. “Eis que nasci na iniquidade, minha mãe concebeu-me no pecado", somente a conversão pode restituir-nos a vida, integrando-nos no Reino da Graça.

A penitência é esse dom que recebemos e respondemos com nosso esforço, que temos de fazer para vencer as fraquezas da carne, para superarmos as paixões e vícios da natureza humana. Ninguém consegue sair de uma prisão, de um atoleiro sem acolher uma boa notícia que o fortifique para dar passos concretos, com sua vontade.

A própria vida de Cristo nos é um exemplo, como ensina “A Imitação de Cristo”: "Toda a vida de Cristo foi cruz e martírio; e tu queres descanso e alegria" (L II, cap. 12). E mais adiante, reitera que não é próprio do homem carregar a sua cruz, mas "é por meio de muitas tribulações que podemos entrar no Reino de Deus” (Atos, 14,21).

Poderia parecer, sobretudo em nossos dias, que esta batalha interior e também exterior, pois somos uma unidade, espírito e matéria, seria um contrassenso. Cada dia nos sentimos mais e mais capazes, mais desenvolvidos cultural e fisicamente. Então, a cruz teria sentido?

Se o nosso horizonte se limitar ao nascer e ao pôr do sol de uma vida, se não considerarmos nosso destino eterno, não tem sentido. Seremos os mais tolos dos homens se nos dermos a estas práticas, responde São Paulo.

Mas a Lei do Espírito da vida nos liberta da morte e realiza em nós a esperança, que está no coração de todo homem e se transborda por toda a natureza, da realização plena da liberdade e da paz na glória dos filhos de Deus.

No sofrimento penitencial, na Cruz, unida ao mistério redentor de Cristo, está a salvação, a vida, a força do espírito. 

O jejum nos ensina que somos radicalmente dependentes de Deus. Na Escritura, a palavra nephesh significa, ao mesmo tempo, vida e garganta. A idéia que isso exprime é que nossa vida não vem de nós mesmos, não a damos a nós próprios; nós a recebemos continuamente: ela entra pela nossa garganta com o alimento que comemos, a água que bebemos, o ar que respiramos. Jamais o homem pode pensar que se basta a si mesmo, que pode se fechar para Deus. Quando jejuamos, sentimos uma certa fraqueza e lerdeza, às vezes nos vem mesmo um pouco de tontura. Isso faz parte da “psicologia do jejum”: recorda-nos o que somos sem esta vida que vem de fora, que nos é dada por Deus continuamente.

A prática do jejum impede-nos, então, da ilusão de pensar que a nossa existência, uma vez recebida, é autônoma, fechada, independente. Muitas vezes dizemos erroneamente: “A vida é minha; faço como eu quero”! A vida será, sempre e em todas as suas etapas, um dom de Deus, um presente gratuito, e nós seremos sempre dependentes Dele. Esta dependência nos amadurece, nos liberta de nossos estreitos e mesquinhos horizontes, nos livra da autossuficiência e nos faz compreender “na carne” nossa própria verdade, recordando-nos que a vida é para ser vivida em diálogo de amor com Aquele que no-la deu. 

O próprio Jesus, de modo particular, e a Escritura, de modo geral, nos exortam à vigilância e à sobriedade. O jejum e a abstinência, portanto, são um treino para que sejamos senhores de nós mesmos, de nossas paixões, desejos e vontades. Assim, seremos realmente livres para Cristo, sendo livres para realizar aquilo que é reto e desejável aos olhos de Deus! O próprio Jesus afirmou que quem comete pecado é escravo do pecado! Não adianta: sem o exercício da abstinência, jamais seremos fortes. Não basta malhar o corpo; é preciso malhar o coração!


Cardeal Orani João Tempesta

Arcebispo da Arquidiocese de São Sebastião do Rio de Janeiro
Cidade natal: São José do Rio Pardo
Data de nascimento: 23/06/1950

segunda-feira, 16 de fevereiro de 2015

Papa no Angelus: "Contagiar e deixar-se contagiar pelo bem"

Papa saúda os presentes na Praça São Pedro, reunidos para a 
Oração do Angelus neste 6ª Domingo do Tempo Comum

Ao meio-dia deste domingo, 15 de fevereiro, o Papa Francisco assomou à janela do apartamento Pontifício para rezar com os fiéis reunidos na Praça São Pedro a Oração mariana do Angelus. A compaixão de Jesus pelo leproso, um símbolo da marginalização, inspirou a alocução do Santo Padre que ao final convidou a nos deixar “contagiar pelo bem e contagiar com o bem”.
O Evangelho deste 6º Domingo do Tempo Comum trata da cura do leproso, que ocorre “em três breves passagens: o pedido do doente, a resposta de Jesus e as consequências da cura prodigiosa”.  O leproso suplica a Jesus de joelhos, que por sua vez reage com a compaixão - uma palavra muito profunda -, que significa “padecer com o outro”. “O coração de Cristo – disse o Papa – manifesta a compaixão paterna de Deus por aquele homem, aproximando-se dele e tocando-o, este gesto tão importante":
“A misericórdia de Deus supera toda barreira e a mão de Jesus toca o leproso. Ele não se coloca numa distância de segurança e não age por procuração, mas se expõe diretamente ao contágio do nosso mal; e assim justamente o nosso mal torna-se o local de contato: Ele, Jesus, assume a nossa humanidade doente e nós assumimos dele a sua humanidade sã e curadora. E isto ocorre cada vez que recebemos com fé um Sacramento: o Senhor Jesus nos toca e nos dá a sua graça. Neste caso pensemos especialmente ao Sacramento da Reconciliação, que nos cura da lepra do pecado”.
Este Evangelho – diz o Papa Francisco – nos mostra o que Deus faz diante do nosso mal:
“Deus não vem dar uma palestra sobre a dor; não vem nem mesmo eliminar do mundo o sofrimento e a morte; vem, isto sim, tomar sobre si o peso de nossa condição humana e assumi-la até as últimas consequências, para libertar-nos de modo radical e definitivo. Assim Cristo combate os males e os sofrimento no mundo: assumindo-os e vencendo-os com a força da misericórdia de Deus”.
O Papa conclui dizendo que, se queremos ser verdadeiros discípulos, somos chamados a ser, unidos a Jesus, “instrumentos de seu amor misericordioso, superando todo tipo de marginalização”:
“Para sermos imitadores de Cristo, diante de um pobre ou de um doente, não devemos ter medo de olhá-lo nos olhos e de aproximarmo-nos com ternura e compaixão, de tocá-lo e de abraçá-lo. Seguidamente eu peço às pessoas que ajudam os outros, para fazê-lo olhando nos olhos, de não ter medo de tocá-los. Que o gesto de ajuda seja também um gesto de comunicação. Também nós temos necessidade de ser por eles acolhidos. Um gesto de ternura, um gesto de compaixão.... Mas eu vos pergunto: vocês, quando ajudam os outros, olham em seus olhos? Os acolhem sem medo de tocá-los?  Os acolhem com ternura? Pensem nisto: como vocês os ajudam, com distância ou com ternura, com proximidade? Se o mal é contagioso, o bem também o é. Assim é necessário que abunde em nós, sempre mais, o bem. Deixemo-nos contagiar pelo bem e contagiemos o bem”.
Ao final do tradicional encontro dominical na Praça São Pedro, o Santo Padre  saudou os diversos grupos presentes, pediu uma salva de palmas aos novos cardeais e fez votos “de serenidade e de paz a todos os homens e mulheres que no Extremo Oriente e em várias partes do mundo se preparam para celebrar o Ano Novo lunar:

“Que tais festividades ofereçam a eles a feliz ocasião de redescobrir e viver de modo intenso a fraternidade, que é um vínculo precioso da vida familiar e base da vida social. Que este retorno anual às raízes da pessoa e da família possam ajudar estes povos a construir uma sociedade em que sejam tecidas relações interpessoais marcadas pelo respeito, justiça e caridade". 

quinta-feira, 15 de janeiro de 2015

Liberdade de expressão não justifica ofensas à fé, diz Papa

Referindo-se aos recentes atentados em Paris, Papa declarou a jornalistas que não se pode ofender a fé, mas matar em nome de Deus é uma “aberração”

A liberdade de expressão e a liberdade de religião são direitos fundamentais, disse o Papa Francisco nesta quinta-feira, 15, ressaltando que não se pode matar em nome de Deus nem ofender a religião dos outros. Em entrevista aos jornalistas no voo do Sri Lanka rumo às Filipinas, ele se referiu aos atentados em Paris na semana passada.

Perguntado sobre o tema por um jornalista francês, Francisco destacou que a liberdade de expressão é um direito fundamental, mas, da mesma forma, é um direito fundamental aquele de uma fé não ser ridicularizada. Ele disse que assim como é uma “aberração” matar em nome de Deus, erra também quem chega a ofender uma religião levantando a bandeira do direito a dizer aquilo que se quer.
O Santo Padre reconheceu que não se pode reagir com violência a uma afronta, mas também não se pode provocar. “Não se pode insultar a fé dos outros, porque há um limite, aquele da dignidade que cada religião possui”.
Francisco defendeu que o uso da liberdade não justifica o gesto de ofender. “É verdade que não se pode reagir violentamente, mas se o doutor Gasbarri [organizador das viagens pontifícias, que se encontra normalmente junto do Papa], que é um amigo, ofender a minha mãe, vai levar um murro”, brincou o Pontífice.

quarta-feira, 14 de janeiro de 2015

Ano da Esperança

Segundo a opção de nosso Plano de Pastoral, a nossa arquidiocese, depois de ter celebrado o Ano da Fé em 2013 e o Ano da Caridade em 2014, agora, no ano de 2015, celebrará o Ano da Esperança. Portanto, convido, entusiasticamente, toda a nossa querida comunidade arquidiocesana para que neste ano de 2015 possamos refletir esse tema. Isso para completar a tríade das virtudes teologais e pontuar a realidade da esperança cristã. E, sem dúvida, encontrar o nosso caminho de ser anunciadores da esperança em tempos de tantas dificuldades e cansaço das pessoas.
Na encíclica “Spe Salvi”, o Papa emérito Bento XVI fala das realidades eternas e do autêntico fundamento da esperança cristã: o encontro com o Deus vivo que vem a nós em Cristo Jesus e nos promete a vida em plenitude em seu Reino. É a segunda encíclica de seu pontificado, dedicada exatamente ao tema da esperança cristã e publicada na Festa de Santo André, apóstolo (30/11/2007). Para este ano, para o nosso trabalho pastoral poderemos nos inspirar na leitura da encíclica “Spe Salvi”.
Ele afirmou o seguinte: “A verdadeira e grande esperança do homem, que resiste apesar de todas as desilusões, só pode ser Deus – o Deus que nos amou, e ama ainda agora”. Nossa esperança está em Deus, nossa esperança é Deus. Aquele mesmo Deus que criou tudo e formou o homem à sua imagem e semelhança.
A fé cristã está alicerçada na experiência do conhecimento e do reconhecimento de uma realidade que a ultrapassa. Ou seja, diante das vicissitudes da nossa vida, frente às experiências diversas que possamos vivenciar, ou até mesmo diante das fraquezas, as nossas muitas fraquezas, faz-se necessário afirmar que a vida humana, as ações e as escolhas de cada dia se não estiverem iluminadas e guiadas pela luz de Deus, perdem todo o seu sentido. Viver sem esperança é como caminhar numa estrada escura e sem rumo: não se vê claramente e não se sabe aonde vai chegar.
Podemos nos perguntar: o que queremos e qual é a verdadeira esperança? Bento XVI escreve que o que nós desejamos, do fundo do coração, é a vida plena, a vida feliz. A propósito, o Papa cita Agostinho, que, “na sua extensa carta sobre a oração, dirigida a Proba – uma viúva romana rica e mãe de três cônsules –, escreve: no fundo, queremos uma só coisa, ‘a vida bem-aventurada’, a vida que é simplesmente vida, pura ‘felicidade’. No fim das contas, nada mais pedimos na oração. Só para ela caminhamos; só disto se trata” (n.11).
Entretanto, não sabemos exatamente em que consiste essa vida feliz. É alta demais para nós. Sozinhos, temos a convicção de que não podemos atingi-la, embora estejamos impelidos a ela desde o profundo de nosso ser. Ela é, na verdade, conhecida e desconhecida ao mesmo tempo. Aproximamo-nos dela quando nos dirigimos para além da temporalidade. Assim, essa vida feliz, nós a chamamos de vida eterna, não no sentido de que consista numa ilimitada e enfadonha sucessão dos dias do calendário – isso não seria desejável –, mas no sentido de que nos faz mergulhar no oceano do amor infinito e viver no único instante repleto de satisfação, sem a possibilidade de perda. Significa sair da temporalidade para, de algum modo, abraçar a totalidade do ser e do bem (n. 12). É essa vida que almejamos. Desejamos ser preenchidos pela plenitude do amor e da graça de modo irreversível. Na verdade, o homem, com sua razão e liberdade, permanece sempre homem, isto é, um ser capaz tanto do bem quanto do mal. O erro fundamental da modernidade foi apostar demais no homem: ou confiou no homem como agente só do bem, como o fez a fé iluminista no progresso rumo ao melhor, ou achou que, instauradas as justas estruturas sociais, o homem se tornaria, como se fosse um mero produto das relações materiais, justo também, como tentou fazer o marxismo.
Ora, o progresso é ambíguo. O filosófo Adorno constatou que, visto sob certo ângulo, é o progresso da funda à superbomba. Equivale a dizer: o progresso pode trazer coisas boas como coisas más, e, isto é certo, nunca poderá instaurar o paraíso na Terra. A tarefa, pois, de ordenar o mundo para melhor é tarefa jamais concluída, e cada geração deve retomá-la (n. 25).
Contudo, o cristianismo moderno é convidado pelo Santo Padre Bento XVI a exercer uma crítica de si mesmo: “É preciso que, na autocrítica da idade moderna, conflua também uma autocrítica do cristianismo moderno, que deve aprender sempre de novo a compreender-se a si mesmo a partir das próprias raízes” (n. 22).
O Papa Francisco disse, em 2013, que: “A esperança é um dom, é um presente do Espírito Santo. Paulo dirá que é um dom que ‘jamais decepciona’. Por quê? Porque é um dom que o Espírito Santo nos deu. E Paulo nos diz que a esperança tem um nome: Jesus.

Que neste ano de 2015 renovemos a nossa esperança em Jesus. Ele refaz tudo e nos anima a anunciá-Lo neste mundo carente de paz e de justiça!



Cardeal Orani João Tempesta

Arcebispo da Arquidiocese de São Sebastião do Rio de Janeiro
Cidade natal: São José do Rio Pardo
Data de nascimento: 23/06/1950






segunda-feira, 22 de dezembro de 2014

Papa alerta Cúria sobre “doenças” e pede exame de consciência

Ao listar tentações que podem atingir tanto a Cúria Romana quando cada cristão, Francisco pediu exame de consciência como preparação ao Natal


O Papa Francisco reuniu-se na manhã desta segunda-feira, 22, com a Cúria Romana, para os tradicionais votos de fim de ano. Ele falou do perigo de algumas doenças que podem afetar tanto a Cúria quanto cada cristão, propondo, assim, um exame de consciência a fim de preparar o coração para o Natal. Ele também enfatizou que o Espírito Santo é capaz de curar toda enfermidade.
A imagem sobre a qual o Pontífice se concentrou em seu discurso foi a do Corpo de Jesus, comparando a Cúria a um pequeno modelo da Igreja, ou seja, um corpo que procura ser mais vivo, mais harmonioso e unido em si mesmo e em Cristo.
O Santo Padre reconheceu a complexidade da Cúria Romana que, justamente por sua dinamicidade,  não pode viver sem o relacionamento vital com Cristo. Um membro da Cúria que não se alimenta disso acaba se tornando um burocrata, um ramo que murcha e morre lentamente, disse.
“A oração cotidiana, a participação assídua nos Sacramentos, de modo particular na Eucaristia e na reconciliação, o contato cotidiano com a palavra de Deus e a espiritualidade traduzida em caridade vivida são alimento vital para cada um de nós”, indicou.
Francisco lembrou que a Cúria é chamada a melhorar constantemente e a crescer em comunhão, santidade e sabedoria para realizar sua missão. Porém, como todo corpo, ela também está exposta a algumas doenças, que enfraquecem o serviço a Deus.
O Santo Padre fez um “catálogo” dessas doenças que podem afetar a Cúria, elencando 15 itens:
1 – sentir-se imortal, imune ou até mesmo indispensável, negligenciando os controles necessários e habituais. “Uma Cúria que não faz autocrítica, que não se atualiza é um corpo enfermo”. É o “complexo dos eleitos, do narcisismo”
2 – a doença do “martalismo” (que vem de Marta), da ocupação excessiva, os que trabalham sem usufruirem do melhor. A falta de repouso leva ao stress e à agitação
3 – a doença do “empedramento” mental e espiritual, isso é, daqueles que têm coração de pedra. Quando se perde a serenidade interior, a vivacidade e a audácia e nos escondemos atrás de papeis, deixando de ser “homens de Deus”
4 – planejamento excessivo e funcionalismo, tornando o apóstolo um contador ou comercialista. “Quando o Apóstolo planifica tudo minuciosamente e pensa que assim as coisas progridem torna-se num contabilista”. É a tentação de querer pilotar o Espírito Santo
5 – má coordenação, sem harmonia entre as partes do “corpo”.
6 – “Alzheimer espiritual”, ou seja, o esquecimento da história da Salvação, da história com o Senhor, do “primeiro amor”
7- rivalidade e orgulho, quando a aparência, as cores das vestes e insígnias de honra tornam-se o objetivo primário da vida. “Leva-nos a ser falsos e a viver um falso misticismo”
8– esquizofrenia existencial, que é a doença dos que vivem uma vida dupla, fruto da hipocrisia típica do medíocre e do progressivo vazio espiritual que licenciaturas ou títulos acadêmicos não podem preencher
9 – fofocas, murmurações e mexericos“É a doença dos velhacos que não tendo a coragem de falar diretamente falam pelas costas. Defendamo-nos do terrorismo dos mexericos”
10 – a doença de divinizar os chefes, que é a daqueles que cortejam os superiores esperando obter sua benevolência. “Vivem o serviço pensando unicamente àquilo que devem obter e não ao que devem dar”. Pode acontecer também aos superiores
11- indiferença para com os outros. “Quando se esconde o que se sabe. Quando por ciúme sente-se alegria em ver a queda dos outros em vez de o ajudar a levantar”
12 – doença da “cara fúnebre”, de pessoas carrancudas que pensam que para serem sérias é preciso pintar a face de melancolia, de severidade e tratar os outros com rigidez, dureza e arrogância. “O apóstolo deve esforçar-se por ser uma pessoa cortês, serena, entusiasta e alegre e que transmite alegria…”. “Como faz bem uma boa dose de são humorismo”
13 – a doença do acumular, quando o apóstolo procura preencher um vazio existencial no seu coração acumulando bens materiais, não por necessidade, mas para se sentir seguro
14 – doença dos círculos fechados, onde a pertença ao grupinho se torna mais forte que aquela ao Corpo e, em algumas situações, ao próprio Cristo
15 – a doença do lucro mundano, do exibicionismo. “Quando o apóstolo transforma o seu serviço em poder e o seu poder em mercadoria para obter lucros mundanos ou mais poder”.

“Irmãos, tais doenças e tentações são naturalmente um perigo para cada cristão e para cada cúria, comunidade, congregação, paróquia, movimento eclesial…e podem atingir seja em nível individual seja comunitário”, disse o Papa, lembrando que apenas o Espírito Santo é capaz de curar toda enfermidade.
Fonte: Canção Nova

Santa Francisca Xavier Cabríni, a heroína dos tempos modernos

Chamada por Pio XII de “heroína dos tempos modernos”, Santa Francisca nasceu em Sant’Angelo de Lódi, na Lombardia, Itália, em 1850. Última dos 13 filhos de Agostinho Cabríni e Estela Oldini, recebeu no batismo o nome de Maria Francisca, ao qual mais tarde ajuntou o de Xavier, pelo seu amor e veneração ao apóstolo das Índias.
Aos 11 anos fez voto de castidade. Seguiu a carreira do magistério com as religiosas Filhas do Sagrado Coração de Jesus, em Arluno, terminando-a aos 18 anos. Sentindo vocação divina, pretendeu entrar para essa Congregação religiosa, mas foi recusada por falta de saúde.
Exerceu durante dois anos o cargo de professora primária em Vidardo e durante três anos dedicou-se na sua terra à instrução religiosa da juventude e ao tratamento dos enfermos e daqueles que eram atingidos pela peste. Aos 23 anos tentou mais uma vez ser religiosa nas Filhas do Sagrado Coração, mas de novo obteve uma negativa.
Após isso, Santa Francisca transladou-se à “Casa da Providência” em Codogno, a fim de a reformar, pois estava em franca decadência. Fez a profissão em 1877 e a partir disso, em meio a grandes tribulações e sofrimentos, ela encontrou as sete primeiras companheiras de sua futura Obra.
Três anos mais tarde, fundou uma nova Congregação religiosa. A 10 de novembro de 1880 alojou-se, com sete companheiras, num desmantelado Convento franciscano, onde, a 14 do mesmo mês, deu princípio ao novo Instituto, com a inauguração de uma capela em honra ao Sagrado Coração de Jesus. Um mês mais tarde, a sua Obra recebia a aprovação episcopal. Francisca contava então 30 anos.
Enquanto se dedicava com as companheiras à educação das meninas e à catequização dos rapazes, foi compondo as regras do seu Instituto, obra de prudência sobre-humana, que recebeu aprovação episcopal em 1881 e a definitiva da Santa Sé em 1907. Em 1884, com 7 anos de vida, a Obra já contava com cinco casas.
Em 1887, partiu para Roma onde, a princípio, só encontrou dificuldades e portas fechadas até que, com fé, simplicidade e perseverança, Santa Francisca obteve a autorização do Cardeal Vigário para construir uma escola gratuita para pobres fora da Porta Pia e um asilo infantil na Sabina, em Aspra.
O problema da emigração italiana para a América do Norte preocupava o então Bispo de Placença, Mons. Scalabrini, que pediu à serva de Deus algumas das suas religiosas para irem socorrer aqueles desamparados. Mas a virtuosa fundadora não se decidia a responder, pois pensava nas Missões do Oriente. Foi então consultar o Papa Leão XIII que, após ouvir Francisca, concluiu: “Não ao Oriente mas ao Ocidente”. E desde esse momento ficou decidida a sua partida para Nova Iorque, a qual veio realizar pela primeira vez em 1889.
Quase aos 40 anos de idade, começa uma série ininterrupta de viagens, percorrendo a América inteira, transpondo a cavalo a Cordilheira dos Andes, sendo por toda parte conhecida como a “Mãe dos emigrados”. Ia de casa em casa, a procura da ovelha perdida, do enfermo e da criança ignorante. Lutou denotadamente contra a fome, as enfermidades e a própria morte.
Em 1912 fez a sua última viagem de Roma a Nova Iorque. A santa fundadora das Missionárias do Sagrado Coração morreu em Illinois, perto de Chicago, a 22 de dezembro de 1917, com 67 anos de idade. Igual era o número das casas que então deixara fundadas e que em 1938 subiam a mais de 100, com cerca de 4.000 religiosas.
A fama das suas virtudes e os prodígios por ela operados fizeram que logo após a morte se começasse o processo da sua beatificação, que veio a se realizar em 1938. Foi canonizada pelo Papa Pio XII a 7 de julho de 1946.
Santa Francisca Xavier Cabrini, rogai por nós!