segunda-feira, 9 de março de 2015

A resposta da fé a todos os problemas

Na realidade em que estamos, cristãos são chamados
 a serem homens e mulheres de soluções.

Nas voltas que o mundo dá, sucedem-se crises de todo tipo. As pessoas conhecem ciclos diversos, mudanças condicionadas pela idade, situação social, opções feitas no correr da vida. A sociedade conhece também suas etapas e eventuais fases difíceis, como o quadro político e econômico em que nos encontramos, ampliado pelos inúmeros desafios que expressam quase um regresso à barbárie, tamanhos são os fatos violentos que passam diante de nossos olhos a cada dia. A Igreja está mergulhada em nosso mundo, com todos os seus problemas e é chamada a dar a resposta da fé a todos eles, superando o medo que podem provocar. Os cristãos são chamados a serem homens e mulheres de soluções, exercendo a necessária criatividade, que lhes possibilite ser presença qualificada no meio de todas as pessoas de boa vontade.

São João descreve, logo no início do quarto evangelho, uma das visitas de Jesus ao Templo de Jerusalém (Jo 2, 13-25). O espaço destinado a ser casa de oração tinha se transformado em comércio, a prática das leis do Antigo Testamento estava em crise, alguns poucos se faziam donos da religião, a presença invasiva dos romanos corrompia as relações entre as pessoas e, ao mesmo tempo, muitas pessoas mantinham viva a esperança da chegada do Messias prometido. O Templo, que já não era o que foi edificado por Salomão, mas a segunda construção, depois restaurada por Herodes, o Grande, veio a ser efetivamente destruído pela invasão romana, alguns anos mais tarde, restando apenas um espaço sagrado utilizado pelos judeus. Na antiga esplanada do templo, foram posteriormente erguidas duas Mesquitas, lugares de culto dos Muçulmanos. E a Jerusalém de hoje, com todos os conflitos subjacentes à sua organização e governo, abriga judeus, muçulmanos e cristãos. Muitos sonham, e nós também, com uma convivência pacífica das três grandes religiões monoteístas. E de lá para cá, por motivos diversos se destroem templos e monumentos de várias religiões, como temos acompanhado nos últimos dias. Com os edifícios destruídos, também fica comprometida a memória histórica da humanidade!

Não era simples o relacionamento dos judeus com as autoridades romanas e seus prepostos. São Lucas descreve alguns fatos reveladores: "Chegaram algumas pessoas trazendo a Jesus notícias a respeito dos galileus que Pilatos tinha matado, misturando o sangue deles com o dos sacrifícios que ofereciam. Ele lhes respondeu: Pensais que esses galileus eram mais pecadores do que qualquer outro galileu, por terem sofrido tal coisa? Digo-vos que não. Mas se vós não vos converterdes, perecereis todos do mesmo modo. E aqueles dezoito que morreram quando a torre de Siloé caiu sobre eles? Pensais que eram mais culpados do que qualquer outro morador de Jerusalém? Eu vos digo que não. Mas, se não vos converterdes, perecereis todos do mesmo modo" (Lc 13, 1-5). Jesus anuncia e faz acontecer o Reino de Deus no meio de uma sociedade conflitiva, com tensões e revoltas prontas a estourarem a qualquer momento.

Ao Templo de Jerusalém chega o esperado das nações, como nos descrevem os textos evangélicos. No entanto, ele vem de forma diferente, certamente decepcionando os sonhos de confronto e poder de muitos de seus contemporâneos. Sua presença quer conduzir as pessoas do Templo edificado com tanto esforço ao novo Templo, o novo lugar que é Ele mesmo, onde acontece o verdadeiro culto ao Pai do Céu. Jesus não destrói o Templo, antes o respeita profundamente, com palavras duras e fortes: "Tirai daqui essas coisas. Não façais da casa de meu Pai um mercado! Os discípulos se recordaram do que está escrito: O zelo por tua casa me há de devorar" (Jo 2,16-17). Além das lições que nós cristãos podemos aprender com estes fatos, nasça um grande respeito pela religião dos outros, sejam quais forem suas convicções!

Profeticamente, o Senhor anuncia que o Templo será destruído e reconstruído após três dias, pois ele falava a respeito do seu corpo. Depois que Jesus ressuscitou dos mortos, os discípulos se recordaram de que ele tinha dito isso, e creram na Escritura e na palavra que Jesus havia falado (Cf. Jo 2, 21-22). De fato, na força de sua Ressurreição gloriosa, a morte veio a ser vencida e todas as suas manifestações podem ser superadas.

Nós cristãos professamos a fé no Cristo Morto e Ressuscitado. Com a fé, nossa vida tem uma meta a ser alcançada, impedindo-nos de sermos afogados pelos acontecimentos positivos ou negativos. Nosso olhar se volta para a plenitude do amor de Deus, acendendo continuamente a luz da esperança. Com esta fé, passamos pelo mundo fazendo o bem, acreditando que é possível restaurar vidas e superar as muitas dilacerações existentes na sociedade.

Para tanto, somos chamados a algumas atitudes e gestos. Para nós, a maldade não tem a última palavra em quem quer que seja. Olhamos para as pessoas e suas crises pessoais e descobrimos aquela fagulha, para não apagar a chama que fumega, pois no nome de Jesus as nações podem depositar a esperança (Cf. Mt 12,15-21; Is 42,1-4). No dia a dia, não desperdiçamos as oportunidades para tecer novos relacionamentos com as pessoas, aproveitando os eventuais laços que poderiam impedir a caminhada para compor redes de fraternidade. As iniciativas de pessoas e grupos em vista do bem comum encontrarão em nós a disposição para parcerias inteligentes, nas quais cada um pode dar o que sabe e pode. Onde quer que encontremos eventuais restos de edificações destruídas, recolheremos os pedaços para realizar a profecia: "Quando o invocares, o Senhor te atenderá, e ao clamares, ele responderá: Aqui estou! Se, pois, tirares do teu meio toda espécie de opressão, o dedo que acusa e a conversa maligna, se entregares ao faminto o que mais gostarias de comer, matando a fome de um humilhado, então a tua luz brilhará nas trevas, o teu escuro será igual ao meio-dia. O Senhor te guiará todos os dias e vai satisfazer teu apetite, até no meio do deserto. Ele dará a teu corpo nova vida, e serás um jardim bem irrigado, mina d’água que nunca para de correr. E a tua gente reconstruirá as ruínas que pareciam eternas, farás subir os alicerces que atravessaram gerações, serás chamado reparador de brechas, restaurador de caminhos, para que lá se possa morar" (Is 58, 9-12).

Se o sonho parece muito alto, sabemos que nossa fé professa nada menos do que a vitória sobre a morte! Portanto, a esta altura do caminho quaresmal em direção à Páscoa, recomecemos a cada dia a tarefa recebida do Senhor, para reconstruir as eventuais ruínas que encontrarmos.
Dom Alberto Taveira Corrêa
Arcebispo de Belém do Pará (PA).

Fonte: domtotal.com

São Domingos Sávio - Padroeiro dos acólitos

Este jovem santo ofereceu a sua juventude por amor a Deus e Maria Santíssima

São Domingos Sávio - Padroeiro dos acólitos
O santo de hoje viveu o lema 

“Antes morrer do que pecar”.
Nascido em Turim, na Itália, no ano de 1842, Domingos conheceu muito cedo Dom Bosco e participou do Oratório – lugar de formação integral – onde seu coração se apaixonou por Jesus e Nossa Senhora Auxiliadora.
Pequeno na estatura, mas gigante na busca de corresponder ao chamado à santidade, foi um ícone da alegria de ser santo. Um jovem comum, que buscava cumprir os seus deveres e amava a vida de oração.
Com a saúde fragilizada, faleceu com apenas 15 anos.
São Domingos Sávio, rogai por nós.

quinta-feira, 5 de março de 2015

O sentido espiritual da Quaresma

Origem da Quaresma
Imitando Cristo no seu deserto de 40 dias, que foi, por sua vez, a realização plena da imagem vétero-testamentária do povo que caminhou por 40 anos no deserto até chegar à terra prometida, a Igreja realiza a sua Quaresma: 40 dias nos quais ela se deixa, a exemplo de Jesus, conduzir para o deserto, lugar da tentação, mas, também, do encontro com Deus, para aí se preparar para a grande festa da Páscoa.

A Quaresma surgiu a partir de uma dupla necessidade: a prática da penitência para que os fiéis pudessem participar da Páscoa do Senhor e a necessidade da preparação mais intensa dos catecúmenos que recebiam, na Vigília Pascal, os sacramentos da iniciação cristã.

Assim sendo, a Quaresma possui uma dupla dimensão: a dimensão batismal e a dimensão penitencial. Na liturgia da Palavra são-nos propostos três ciclos de leitura: ano A (Quaresma Batismal); ano B (Quaresma Cristocêntrica); ano C (Quaresma Penitencial). O ciclo A é mais antigo e propõe textos que possuem uma dimensão marcadamente batismal, tendo em vista que neste período, já na Igreja primitiva, dava-se início à iniciação cristã dos adultos.

Exercícios quaresmais
A Quaresma é vivida por muitos cristãos, na maioria das vezes, como um fardo demasiadamente pesado. Muitos vivem as práticas da Quaresma – notadamente, a oração, o jejum e a esmola – como se elas significassem a satisfação do desejo descontrolado de Deus de ver-nos sobrecarregados de sacrifícios que servem para expiar os nossos muitos pecados. Essa é uma forma errada de ver a Quaresma. O que nela começamos, devemos continuar no decorrer do ano litúrgico.

Os assim chamados “exercícios quaresmais”, não seriam propriamente “exercícios” se não tivessem como finalidade criar em nós disposições e atitudes que estimulem a vida cristã durante todo o ano litúrgico. O que vivemos na Quaresma, então, deve produzir frutos maduros em nós. Os exercícios que aqui começamos não podem terminar neste tempo.

Jejum
Durante o período quaresmal, a Igreja nos convida, sobretudo, a três exercícios: o jejum, a oração e a esmola. Reflitamos um pouco sobre cada um desses exercícios. O jejum, por exemplo, é um dos exercícios quaresmais muito mal vividos. Vivemos o jejum como se Deus precisasse desse sacrifício para nos oferecer o perdão dos nossos pecados. Como conciliar essa mentalidade com Mateus 12, 7, onde o Senhor, citando Oséias 6,6, nos afirma que quer a misericórdia e não o sacrifício? Será então que não devemos fazer o jejum? Ou será que o espírito com o qual fazemos o jejum não está equivocado? Devemos modificar a nossa forma de ver o jejum. Não é que Deus precise do nosso jejum para poder nos perdoar, como se esse sacrifício fosse uma forma de aplacar a ira divina. Nós é que precisamos do jejum para aprendermos a nos relacionar com os bens da criação.

Pelo pecado original – doutrina católica apoiada na verdade que nos é revelada na Sagrada Escritura e muito negligenciada atualmente, sobretudo em alguns círculos teológicos – a verdadeira natureza das coisas ficou velada para o homem, e este, ao invés de reconhecer o Criador nas criaturas, acabou por idolatrar as criaturas, esquecendo-se do seu Criador. O jejum tira-nos da idolatria das criaturas.

O jejum nos ensina uma nova forma de lidar com os alimentos, vendo-os não como uma fonte de prazer somente, mas como dom de Deus. Através do jejum aprendemos a controlar a nossa sede de prazer e a não sermos mais dominados pelo instinto. Aprendemos que o prazer é benéfico, é também dom de Deus, mas nós é que devemos controlá-lo, e não ele a nós. A experiência que fazemos com o jejum redunda em todas as outras áreas da nossa vida, inclusive na própria sexualidade. Evágrio Pôntico diz no seu Tratado Prático que: “Quando a concupiscência se inflama, a extinguem a fome (jejum), a fadiga e a solidão.”

Oração
A oração, por sua vez, nos faz sair da ilusão de que nós somos capazes de resolver tudo com as nossas próprias mãos. Ela nos tira da nossa autossuficiência e nos projeta para o Deus verdadeiro, Aquele que é realmente onipotente. Este é o tempo favorável para através da oração diária nos tornarmos mais íntimos de Deus.

A Quaresma é um tempo propício para participarmos melhor da liturgia da Igreja e, também, para orarmos com a Palavra de Deus. A Palavra de Deus nos proporciona um itinerário espiritual. É ela que deve orientar a nossa vida espiritual na Quaresma e em qualquer tempo litúrgico.

Esmola

A esmola, ou a caridade, como quisermos chamá-la, nos faz quebrar a idolatria do ter. Pela esmola, aprendemos a dividir com o próximo aquilo o que Deus confiou a nós para que o administrássemos. Pela prática da esmola, entendemos que não somos donos de nada, mas meros administradores dos bens de Deus. A esmola tira-nos do perigo de sermos possuídos pelos bens. Às vezes, pensamos tanto ser donos dos bens que Deus nos confiou, que no final eles é que se tornam nossos donos, acabamos sendo possuídos pelas coisas. A esmola nos liberta dessa possessão e deixa o nosso coração livre para Deus.

São Máximo Confessor, reconhecendo que a avareza é um dos males que dominam o homem, nos estimula ao desprendimento, à esmola, quando nos diz na sua obra “Centúrias sobre a Caridade”, n. 18: “O amante do prazer ama o dinheiro para deleitar-se mediante ele. O que se vangloria para ser glorificado por ele. O que não tem fé para escondê-lo e custodiá-lo, tendo medo da fome, da velhice, da doença ou do exílio; e espera mais nele (no dinheiro) do que em Deus, autor e providência da criação toda, até dos últimos e menores seres vivos”.
Como podemos ver, essas práticas, então, não servem somente para este período do ano litúrgico. Elas são praticadas de modo mais intenso agora, como “exercício”, e depois continuam em todo o ano litúrgico. Que este seja nosso programa. Que o itinerário quaresmal não seja para nós um fardo a carregar, mas um programa de vida, um constante caminho de santificação.
Por fim, tenhamos sempre diante dos nossos olhos, sobretudo nestes dias de Quaresma, a “Cruz de Nosso Senhor Jesus Cristo”. A Cruz é o “sinal da vida”. É assim que São Gregório Magno a chama no Livro II dos Diálogos, quando narra o milagre pelo qual São Bento fora salvo da morte por envenenamento ao traçar sobre a taça de vinho o sinal da cruz: “Tomaram, pois, a resolução de colocar veneno no seu vinho. Quando, segundo o costume monástico, apresentaram ao Pai, que estava sentado à mesa, a taça de vidro com a bebida mortífera para ser abençoada, Bento estendeu a mão e traçou o sinal da cruz. A este gesto, a taça, que estava a certa distância dele, estalou e fez-se em pedaços, como se ao invés da Cruz lhe tivesse atirado uma pedra. O homem de Deus logo compreendeu que o vaso continha uma bebida mortal, pois não pôde suportar o sinal da vida.” Tenhamos todos os dias, começando pela Quaresma, esse sinal diante de nós. O chamado de Cristo para nós é um chamado à vida, mas não à vida nesse mundo pura e simplesmente. Cristo nos chama à vida verdadeira, a qual se alcança pela cruz, como Ele o fez.
Uma santa Quaresma a todos!

Padre Fábio Siqueira

Vice-diretor das Escolas de Fé e Catequese Mater Ecclesiae e Luz e Vida

sexta-feira, 20 de fevereiro de 2015

Tempo de Penitência

Começamos o tempo quaresmal! Nestes dias de Quaresma, queremos renovar a nossa fé através de uma vida penitencial mais intensa, aproveitando os temas que a liturgia nos oferece, com orações mais frequentes, jejuns e, sobretudo, uma vida de caridade mais aplicada – a fraternidade.
A penitência e a prática que nos impomos, em primeiro lugar, não são exclusivas deste tempo. Toda a nossa vida deve ser imbuída deste espírito se quisermos seguir a Cristo. A ascese faz parte de nossa caminhada espiritual. Porém, para vencer a inconstância, que é característica do ser humano, são importantes tempos fortes para retemperar a nossa vontade, através de uma inteligência do mistério da cruz redentora. É um tempo de retomar com mais vigor essa caminhada ascética.

São Paulo descreve essa fraqueza falando de si mesmo, da luta interior que experimentamos para viver a fé: "Sabemos que a Lei é espiritual, mas eu sou carnal, vendido como escravo ao pecado. Realmente não consigo entender o que faço, pois não pratico o que quero, mas faço o que detesto” (Rom 7, 14). E conclui: "Quem me libertará deste corpo de morte"?(Idem, 24). Por isso, se esforçava, como aquele que corre no estádio e castiga o seu corpo reduzindo-o à servidão (1Cor. 9, 24-27).

Nascidos no pecado e na concupiscência, como nos lembra o salmista {salmo 51 (50)}. “Eis que nasci na iniquidade, minha mãe concebeu-me no pecado", somente a conversão pode restituir-nos a vida, integrando-nos no Reino da Graça.

A penitência é esse dom que recebemos e respondemos com nosso esforço, que temos de fazer para vencer as fraquezas da carne, para superarmos as paixões e vícios da natureza humana. Ninguém consegue sair de uma prisão, de um atoleiro sem acolher uma boa notícia que o fortifique para dar passos concretos, com sua vontade.

A própria vida de Cristo nos é um exemplo, como ensina “A Imitação de Cristo”: "Toda a vida de Cristo foi cruz e martírio; e tu queres descanso e alegria" (L II, cap. 12). E mais adiante, reitera que não é próprio do homem carregar a sua cruz, mas "é por meio de muitas tribulações que podemos entrar no Reino de Deus” (Atos, 14,21).

Poderia parecer, sobretudo em nossos dias, que esta batalha interior e também exterior, pois somos uma unidade, espírito e matéria, seria um contrassenso. Cada dia nos sentimos mais e mais capazes, mais desenvolvidos cultural e fisicamente. Então, a cruz teria sentido?

Se o nosso horizonte se limitar ao nascer e ao pôr do sol de uma vida, se não considerarmos nosso destino eterno, não tem sentido. Seremos os mais tolos dos homens se nos dermos a estas práticas, responde São Paulo.

Mas a Lei do Espírito da vida nos liberta da morte e realiza em nós a esperança, que está no coração de todo homem e se transborda por toda a natureza, da realização plena da liberdade e da paz na glória dos filhos de Deus.

No sofrimento penitencial, na Cruz, unida ao mistério redentor de Cristo, está a salvação, a vida, a força do espírito. 

O jejum nos ensina que somos radicalmente dependentes de Deus. Na Escritura, a palavra nephesh significa, ao mesmo tempo, vida e garganta. A idéia que isso exprime é que nossa vida não vem de nós mesmos, não a damos a nós próprios; nós a recebemos continuamente: ela entra pela nossa garganta com o alimento que comemos, a água que bebemos, o ar que respiramos. Jamais o homem pode pensar que se basta a si mesmo, que pode se fechar para Deus. Quando jejuamos, sentimos uma certa fraqueza e lerdeza, às vezes nos vem mesmo um pouco de tontura. Isso faz parte da “psicologia do jejum”: recorda-nos o que somos sem esta vida que vem de fora, que nos é dada por Deus continuamente.

A prática do jejum impede-nos, então, da ilusão de pensar que a nossa existência, uma vez recebida, é autônoma, fechada, independente. Muitas vezes dizemos erroneamente: “A vida é minha; faço como eu quero”! A vida será, sempre e em todas as suas etapas, um dom de Deus, um presente gratuito, e nós seremos sempre dependentes Dele. Esta dependência nos amadurece, nos liberta de nossos estreitos e mesquinhos horizontes, nos livra da autossuficiência e nos faz compreender “na carne” nossa própria verdade, recordando-nos que a vida é para ser vivida em diálogo de amor com Aquele que no-la deu. 

O próprio Jesus, de modo particular, e a Escritura, de modo geral, nos exortam à vigilância e à sobriedade. O jejum e a abstinência, portanto, são um treino para que sejamos senhores de nós mesmos, de nossas paixões, desejos e vontades. Assim, seremos realmente livres para Cristo, sendo livres para realizar aquilo que é reto e desejável aos olhos de Deus! O próprio Jesus afirmou que quem comete pecado é escravo do pecado! Não adianta: sem o exercício da abstinência, jamais seremos fortes. Não basta malhar o corpo; é preciso malhar o coração!


Cardeal Orani João Tempesta

Arcebispo da Arquidiocese de São Sebastião do Rio de Janeiro
Cidade natal: São José do Rio Pardo
Data de nascimento: 23/06/1950

segunda-feira, 16 de fevereiro de 2015

Papa no Angelus: "Contagiar e deixar-se contagiar pelo bem"

Papa saúda os presentes na Praça São Pedro, reunidos para a 
Oração do Angelus neste 6ª Domingo do Tempo Comum

Ao meio-dia deste domingo, 15 de fevereiro, o Papa Francisco assomou à janela do apartamento Pontifício para rezar com os fiéis reunidos na Praça São Pedro a Oração mariana do Angelus. A compaixão de Jesus pelo leproso, um símbolo da marginalização, inspirou a alocução do Santo Padre que ao final convidou a nos deixar “contagiar pelo bem e contagiar com o bem”.
O Evangelho deste 6º Domingo do Tempo Comum trata da cura do leproso, que ocorre “em três breves passagens: o pedido do doente, a resposta de Jesus e as consequências da cura prodigiosa”.  O leproso suplica a Jesus de joelhos, que por sua vez reage com a compaixão - uma palavra muito profunda -, que significa “padecer com o outro”. “O coração de Cristo – disse o Papa – manifesta a compaixão paterna de Deus por aquele homem, aproximando-se dele e tocando-o, este gesto tão importante":
“A misericórdia de Deus supera toda barreira e a mão de Jesus toca o leproso. Ele não se coloca numa distância de segurança e não age por procuração, mas se expõe diretamente ao contágio do nosso mal; e assim justamente o nosso mal torna-se o local de contato: Ele, Jesus, assume a nossa humanidade doente e nós assumimos dele a sua humanidade sã e curadora. E isto ocorre cada vez que recebemos com fé um Sacramento: o Senhor Jesus nos toca e nos dá a sua graça. Neste caso pensemos especialmente ao Sacramento da Reconciliação, que nos cura da lepra do pecado”.
Este Evangelho – diz o Papa Francisco – nos mostra o que Deus faz diante do nosso mal:
“Deus não vem dar uma palestra sobre a dor; não vem nem mesmo eliminar do mundo o sofrimento e a morte; vem, isto sim, tomar sobre si o peso de nossa condição humana e assumi-la até as últimas consequências, para libertar-nos de modo radical e definitivo. Assim Cristo combate os males e os sofrimento no mundo: assumindo-os e vencendo-os com a força da misericórdia de Deus”.
O Papa conclui dizendo que, se queremos ser verdadeiros discípulos, somos chamados a ser, unidos a Jesus, “instrumentos de seu amor misericordioso, superando todo tipo de marginalização”:
“Para sermos imitadores de Cristo, diante de um pobre ou de um doente, não devemos ter medo de olhá-lo nos olhos e de aproximarmo-nos com ternura e compaixão, de tocá-lo e de abraçá-lo. Seguidamente eu peço às pessoas que ajudam os outros, para fazê-lo olhando nos olhos, de não ter medo de tocá-los. Que o gesto de ajuda seja também um gesto de comunicação. Também nós temos necessidade de ser por eles acolhidos. Um gesto de ternura, um gesto de compaixão.... Mas eu vos pergunto: vocês, quando ajudam os outros, olham em seus olhos? Os acolhem sem medo de tocá-los?  Os acolhem com ternura? Pensem nisto: como vocês os ajudam, com distância ou com ternura, com proximidade? Se o mal é contagioso, o bem também o é. Assim é necessário que abunde em nós, sempre mais, o bem. Deixemo-nos contagiar pelo bem e contagiemos o bem”.
Ao final do tradicional encontro dominical na Praça São Pedro, o Santo Padre  saudou os diversos grupos presentes, pediu uma salva de palmas aos novos cardeais e fez votos “de serenidade e de paz a todos os homens e mulheres que no Extremo Oriente e em várias partes do mundo se preparam para celebrar o Ano Novo lunar:

“Que tais festividades ofereçam a eles a feliz ocasião de redescobrir e viver de modo intenso a fraternidade, que é um vínculo precioso da vida familiar e base da vida social. Que este retorno anual às raízes da pessoa e da família possam ajudar estes povos a construir uma sociedade em que sejam tecidas relações interpessoais marcadas pelo respeito, justiça e caridade". 

quinta-feira, 15 de janeiro de 2015

Liberdade de expressão não justifica ofensas à fé, diz Papa

Referindo-se aos recentes atentados em Paris, Papa declarou a jornalistas que não se pode ofender a fé, mas matar em nome de Deus é uma “aberração”

A liberdade de expressão e a liberdade de religião são direitos fundamentais, disse o Papa Francisco nesta quinta-feira, 15, ressaltando que não se pode matar em nome de Deus nem ofender a religião dos outros. Em entrevista aos jornalistas no voo do Sri Lanka rumo às Filipinas, ele se referiu aos atentados em Paris na semana passada.

Perguntado sobre o tema por um jornalista francês, Francisco destacou que a liberdade de expressão é um direito fundamental, mas, da mesma forma, é um direito fundamental aquele de uma fé não ser ridicularizada. Ele disse que assim como é uma “aberração” matar em nome de Deus, erra também quem chega a ofender uma religião levantando a bandeira do direito a dizer aquilo que se quer.
O Santo Padre reconheceu que não se pode reagir com violência a uma afronta, mas também não se pode provocar. “Não se pode insultar a fé dos outros, porque há um limite, aquele da dignidade que cada religião possui”.
Francisco defendeu que o uso da liberdade não justifica o gesto de ofender. “É verdade que não se pode reagir violentamente, mas se o doutor Gasbarri [organizador das viagens pontifícias, que se encontra normalmente junto do Papa], que é um amigo, ofender a minha mãe, vai levar um murro”, brincou o Pontífice.

quarta-feira, 14 de janeiro de 2015

Ano da Esperança

Segundo a opção de nosso Plano de Pastoral, a nossa arquidiocese, depois de ter celebrado o Ano da Fé em 2013 e o Ano da Caridade em 2014, agora, no ano de 2015, celebrará o Ano da Esperança. Portanto, convido, entusiasticamente, toda a nossa querida comunidade arquidiocesana para que neste ano de 2015 possamos refletir esse tema. Isso para completar a tríade das virtudes teologais e pontuar a realidade da esperança cristã. E, sem dúvida, encontrar o nosso caminho de ser anunciadores da esperança em tempos de tantas dificuldades e cansaço das pessoas.
Na encíclica “Spe Salvi”, o Papa emérito Bento XVI fala das realidades eternas e do autêntico fundamento da esperança cristã: o encontro com o Deus vivo que vem a nós em Cristo Jesus e nos promete a vida em plenitude em seu Reino. É a segunda encíclica de seu pontificado, dedicada exatamente ao tema da esperança cristã e publicada na Festa de Santo André, apóstolo (30/11/2007). Para este ano, para o nosso trabalho pastoral poderemos nos inspirar na leitura da encíclica “Spe Salvi”.
Ele afirmou o seguinte: “A verdadeira e grande esperança do homem, que resiste apesar de todas as desilusões, só pode ser Deus – o Deus que nos amou, e ama ainda agora”. Nossa esperança está em Deus, nossa esperança é Deus. Aquele mesmo Deus que criou tudo e formou o homem à sua imagem e semelhança.
A fé cristã está alicerçada na experiência do conhecimento e do reconhecimento de uma realidade que a ultrapassa. Ou seja, diante das vicissitudes da nossa vida, frente às experiências diversas que possamos vivenciar, ou até mesmo diante das fraquezas, as nossas muitas fraquezas, faz-se necessário afirmar que a vida humana, as ações e as escolhas de cada dia se não estiverem iluminadas e guiadas pela luz de Deus, perdem todo o seu sentido. Viver sem esperança é como caminhar numa estrada escura e sem rumo: não se vê claramente e não se sabe aonde vai chegar.
Podemos nos perguntar: o que queremos e qual é a verdadeira esperança? Bento XVI escreve que o que nós desejamos, do fundo do coração, é a vida plena, a vida feliz. A propósito, o Papa cita Agostinho, que, “na sua extensa carta sobre a oração, dirigida a Proba – uma viúva romana rica e mãe de três cônsules –, escreve: no fundo, queremos uma só coisa, ‘a vida bem-aventurada’, a vida que é simplesmente vida, pura ‘felicidade’. No fim das contas, nada mais pedimos na oração. Só para ela caminhamos; só disto se trata” (n.11).
Entretanto, não sabemos exatamente em que consiste essa vida feliz. É alta demais para nós. Sozinhos, temos a convicção de que não podemos atingi-la, embora estejamos impelidos a ela desde o profundo de nosso ser. Ela é, na verdade, conhecida e desconhecida ao mesmo tempo. Aproximamo-nos dela quando nos dirigimos para além da temporalidade. Assim, essa vida feliz, nós a chamamos de vida eterna, não no sentido de que consista numa ilimitada e enfadonha sucessão dos dias do calendário – isso não seria desejável –, mas no sentido de que nos faz mergulhar no oceano do amor infinito e viver no único instante repleto de satisfação, sem a possibilidade de perda. Significa sair da temporalidade para, de algum modo, abraçar a totalidade do ser e do bem (n. 12). É essa vida que almejamos. Desejamos ser preenchidos pela plenitude do amor e da graça de modo irreversível. Na verdade, o homem, com sua razão e liberdade, permanece sempre homem, isto é, um ser capaz tanto do bem quanto do mal. O erro fundamental da modernidade foi apostar demais no homem: ou confiou no homem como agente só do bem, como o fez a fé iluminista no progresso rumo ao melhor, ou achou que, instauradas as justas estruturas sociais, o homem se tornaria, como se fosse um mero produto das relações materiais, justo também, como tentou fazer o marxismo.
Ora, o progresso é ambíguo. O filosófo Adorno constatou que, visto sob certo ângulo, é o progresso da funda à superbomba. Equivale a dizer: o progresso pode trazer coisas boas como coisas más, e, isto é certo, nunca poderá instaurar o paraíso na Terra. A tarefa, pois, de ordenar o mundo para melhor é tarefa jamais concluída, e cada geração deve retomá-la (n. 25).
Contudo, o cristianismo moderno é convidado pelo Santo Padre Bento XVI a exercer uma crítica de si mesmo: “É preciso que, na autocrítica da idade moderna, conflua também uma autocrítica do cristianismo moderno, que deve aprender sempre de novo a compreender-se a si mesmo a partir das próprias raízes” (n. 22).
O Papa Francisco disse, em 2013, que: “A esperança é um dom, é um presente do Espírito Santo. Paulo dirá que é um dom que ‘jamais decepciona’. Por quê? Porque é um dom que o Espírito Santo nos deu. E Paulo nos diz que a esperança tem um nome: Jesus.

Que neste ano de 2015 renovemos a nossa esperança em Jesus. Ele refaz tudo e nos anima a anunciá-Lo neste mundo carente de paz e de justiça!



Cardeal Orani João Tempesta

Arcebispo da Arquidiocese de São Sebastião do Rio de Janeiro
Cidade natal: São José do Rio Pardo
Data de nascimento: 23/06/1950






segunda-feira, 22 de dezembro de 2014

Papa alerta Cúria sobre “doenças” e pede exame de consciência

Ao listar tentações que podem atingir tanto a Cúria Romana quando cada cristão, Francisco pediu exame de consciência como preparação ao Natal


O Papa Francisco reuniu-se na manhã desta segunda-feira, 22, com a Cúria Romana, para os tradicionais votos de fim de ano. Ele falou do perigo de algumas doenças que podem afetar tanto a Cúria quanto cada cristão, propondo, assim, um exame de consciência a fim de preparar o coração para o Natal. Ele também enfatizou que o Espírito Santo é capaz de curar toda enfermidade.
A imagem sobre a qual o Pontífice se concentrou em seu discurso foi a do Corpo de Jesus, comparando a Cúria a um pequeno modelo da Igreja, ou seja, um corpo que procura ser mais vivo, mais harmonioso e unido em si mesmo e em Cristo.
O Santo Padre reconheceu a complexidade da Cúria Romana que, justamente por sua dinamicidade,  não pode viver sem o relacionamento vital com Cristo. Um membro da Cúria que não se alimenta disso acaba se tornando um burocrata, um ramo que murcha e morre lentamente, disse.
“A oração cotidiana, a participação assídua nos Sacramentos, de modo particular na Eucaristia e na reconciliação, o contato cotidiano com a palavra de Deus e a espiritualidade traduzida em caridade vivida são alimento vital para cada um de nós”, indicou.
Francisco lembrou que a Cúria é chamada a melhorar constantemente e a crescer em comunhão, santidade e sabedoria para realizar sua missão. Porém, como todo corpo, ela também está exposta a algumas doenças, que enfraquecem o serviço a Deus.
O Santo Padre fez um “catálogo” dessas doenças que podem afetar a Cúria, elencando 15 itens:
1 – sentir-se imortal, imune ou até mesmo indispensável, negligenciando os controles necessários e habituais. “Uma Cúria que não faz autocrítica, que não se atualiza é um corpo enfermo”. É o “complexo dos eleitos, do narcisismo”
2 – a doença do “martalismo” (que vem de Marta), da ocupação excessiva, os que trabalham sem usufruirem do melhor. A falta de repouso leva ao stress e à agitação
3 – a doença do “empedramento” mental e espiritual, isso é, daqueles que têm coração de pedra. Quando se perde a serenidade interior, a vivacidade e a audácia e nos escondemos atrás de papeis, deixando de ser “homens de Deus”
4 – planejamento excessivo e funcionalismo, tornando o apóstolo um contador ou comercialista. “Quando o Apóstolo planifica tudo minuciosamente e pensa que assim as coisas progridem torna-se num contabilista”. É a tentação de querer pilotar o Espírito Santo
5 – má coordenação, sem harmonia entre as partes do “corpo”.
6 – “Alzheimer espiritual”, ou seja, o esquecimento da história da Salvação, da história com o Senhor, do “primeiro amor”
7- rivalidade e orgulho, quando a aparência, as cores das vestes e insígnias de honra tornam-se o objetivo primário da vida. “Leva-nos a ser falsos e a viver um falso misticismo”
8– esquizofrenia existencial, que é a doença dos que vivem uma vida dupla, fruto da hipocrisia típica do medíocre e do progressivo vazio espiritual que licenciaturas ou títulos acadêmicos não podem preencher
9 – fofocas, murmurações e mexericos“É a doença dos velhacos que não tendo a coragem de falar diretamente falam pelas costas. Defendamo-nos do terrorismo dos mexericos”
10 – a doença de divinizar os chefes, que é a daqueles que cortejam os superiores esperando obter sua benevolência. “Vivem o serviço pensando unicamente àquilo que devem obter e não ao que devem dar”. Pode acontecer também aos superiores
11- indiferença para com os outros. “Quando se esconde o que se sabe. Quando por ciúme sente-se alegria em ver a queda dos outros em vez de o ajudar a levantar”
12 – doença da “cara fúnebre”, de pessoas carrancudas que pensam que para serem sérias é preciso pintar a face de melancolia, de severidade e tratar os outros com rigidez, dureza e arrogância. “O apóstolo deve esforçar-se por ser uma pessoa cortês, serena, entusiasta e alegre e que transmite alegria…”. “Como faz bem uma boa dose de são humorismo”
13 – a doença do acumular, quando o apóstolo procura preencher um vazio existencial no seu coração acumulando bens materiais, não por necessidade, mas para se sentir seguro
14 – doença dos círculos fechados, onde a pertença ao grupinho se torna mais forte que aquela ao Corpo e, em algumas situações, ao próprio Cristo
15 – a doença do lucro mundano, do exibicionismo. “Quando o apóstolo transforma o seu serviço em poder e o seu poder em mercadoria para obter lucros mundanos ou mais poder”.

“Irmãos, tais doenças e tentações são naturalmente um perigo para cada cristão e para cada cúria, comunidade, congregação, paróquia, movimento eclesial…e podem atingir seja em nível individual seja comunitário”, disse o Papa, lembrando que apenas o Espírito Santo é capaz de curar toda enfermidade.
Fonte: Canção Nova

Santa Francisca Xavier Cabríni, a heroína dos tempos modernos

Chamada por Pio XII de “heroína dos tempos modernos”, Santa Francisca nasceu em Sant’Angelo de Lódi, na Lombardia, Itália, em 1850. Última dos 13 filhos de Agostinho Cabríni e Estela Oldini, recebeu no batismo o nome de Maria Francisca, ao qual mais tarde ajuntou o de Xavier, pelo seu amor e veneração ao apóstolo das Índias.
Aos 11 anos fez voto de castidade. Seguiu a carreira do magistério com as religiosas Filhas do Sagrado Coração de Jesus, em Arluno, terminando-a aos 18 anos. Sentindo vocação divina, pretendeu entrar para essa Congregação religiosa, mas foi recusada por falta de saúde.
Exerceu durante dois anos o cargo de professora primária em Vidardo e durante três anos dedicou-se na sua terra à instrução religiosa da juventude e ao tratamento dos enfermos e daqueles que eram atingidos pela peste. Aos 23 anos tentou mais uma vez ser religiosa nas Filhas do Sagrado Coração, mas de novo obteve uma negativa.
Após isso, Santa Francisca transladou-se à “Casa da Providência” em Codogno, a fim de a reformar, pois estava em franca decadência. Fez a profissão em 1877 e a partir disso, em meio a grandes tribulações e sofrimentos, ela encontrou as sete primeiras companheiras de sua futura Obra.
Três anos mais tarde, fundou uma nova Congregação religiosa. A 10 de novembro de 1880 alojou-se, com sete companheiras, num desmantelado Convento franciscano, onde, a 14 do mesmo mês, deu princípio ao novo Instituto, com a inauguração de uma capela em honra ao Sagrado Coração de Jesus. Um mês mais tarde, a sua Obra recebia a aprovação episcopal. Francisca contava então 30 anos.
Enquanto se dedicava com as companheiras à educação das meninas e à catequização dos rapazes, foi compondo as regras do seu Instituto, obra de prudência sobre-humana, que recebeu aprovação episcopal em 1881 e a definitiva da Santa Sé em 1907. Em 1884, com 7 anos de vida, a Obra já contava com cinco casas.
Em 1887, partiu para Roma onde, a princípio, só encontrou dificuldades e portas fechadas até que, com fé, simplicidade e perseverança, Santa Francisca obteve a autorização do Cardeal Vigário para construir uma escola gratuita para pobres fora da Porta Pia e um asilo infantil na Sabina, em Aspra.
O problema da emigração italiana para a América do Norte preocupava o então Bispo de Placença, Mons. Scalabrini, que pediu à serva de Deus algumas das suas religiosas para irem socorrer aqueles desamparados. Mas a virtuosa fundadora não se decidia a responder, pois pensava nas Missões do Oriente. Foi então consultar o Papa Leão XIII que, após ouvir Francisca, concluiu: “Não ao Oriente mas ao Ocidente”. E desde esse momento ficou decidida a sua partida para Nova Iorque, a qual veio realizar pela primeira vez em 1889.
Quase aos 40 anos de idade, começa uma série ininterrupta de viagens, percorrendo a América inteira, transpondo a cavalo a Cordilheira dos Andes, sendo por toda parte conhecida como a “Mãe dos emigrados”. Ia de casa em casa, a procura da ovelha perdida, do enfermo e da criança ignorante. Lutou denotadamente contra a fome, as enfermidades e a própria morte.
Em 1912 fez a sua última viagem de Roma a Nova Iorque. A santa fundadora das Missionárias do Sagrado Coração morreu em Illinois, perto de Chicago, a 22 de dezembro de 1917, com 67 anos de idade. Igual era o número das casas que então deixara fundadas e que em 1938 subiam a mais de 100, com cerca de 4.000 religiosas.
A fama das suas virtudes e os prodígios por ela operados fizeram que logo após a morte se começasse o processo da sua beatificação, que veio a se realizar em 1938. Foi canonizada pelo Papa Pio XII a 7 de julho de 1946.
Santa Francisca Xavier Cabrini, rogai por nós!

quarta-feira, 10 de dezembro de 2014

Preparai o caminho do Senhor

Realmente, o Senhor sempre nos deu um instrumento maravilhoso para anunciarmos aquilo que Ele quer. “E eis uma voz a clamar: ‘Preparai o caminho, preparai o caminho do Senhor’”. Este é o trecho de uma música que também diz: “Vejo um rei vindo da montanha”. Sim, nós O vemos, porque está cada dia mais próxima a vinda do Senhor.
Muita gente pensa que o Advento é simplesmente uma preparação para o Natal, mas é muito mais que isso; é a preparação para a segunda vinda de Jesus. Olhando para a primeira vinda do Senhor, em Belém, somos impulsionados a olhar para frente, para o Senhor que vem uma segunda vez. Hoje, a vinda d’Ele está mais próxima do que esteve ontem, mas não tanto como o estará amanhã. Portanto, clamemos: vinde, vinde logo, Senhor Jesus!
Ele quer você como mensageiro do Senhor que vem. Precisamos acreditar, apostar na vinda d’Ele e anunciar essa graça por todos os meios que tivermos para apressarmos Sua vinda. E esta é justamente a palavra de João Batista e deve ser a nossa: “Preparai os caminho do Senhor e endireitai suas estradas”.
Seu irmão,
Monsenhor Jonas Abib
Fundador da Comunidade Canção Nova

sexta-feira, 26 de setembro de 2014

Deus faz grandes coisas por intermédio dos pequenos

O anjo disse a Maria que, para Deus, nada é impossível e ela deu o seu “sim” ao Senhor. Nossa Senhora ainda era uma menina, imaculada, pura, por isso pôde dizer: “Eis aqui a escrava do Senhor”. Ela esperava pelo Salvador, como todos O esperavam, mas nunca imaginara que Ele viesse dela. Essa graça era grande demais para o entendimentos dela, mas Deus a escolheu.
Como isso aconteceu já que ela era tão pequena? Porque para Deus nada é impossível. O Senhor faz grandes coisas por intermédio dos pequenos. É para o pequeno e para o humilde que Ele manifesta a Sua glória.
“O que agrada a Deus, em minha pequena alma, é que eu ame a minha pequenez e minha pobreza. É a esperança cega que tenho em Sua misericórdia”.
É difícil, para o orgulhoso, acolher sua pequenez e assumir que é pequeno. Por isso assuma-se e ame-se, pois o que agrada a Deus e o que dá liberdade para Ele agir em nós é quando somos pequenos, pobres e humildes e assumimos nossa pequenez.
Sou uma “poeirinha”, mas Deus olha para mim, põe os olhos em mim, como disse Maria. E isso acontece porque sou pequeno. Aceito, assumo e amo a minha pequenez. Maria nunca quis ser grande, por isso o Senhor olhou para ela e fez nela maravilhas.
Seu irmão,
Monsenhor Jonas Abib
Fundador da Comunidade Canção Nova

segunda-feira, 22 de setembro de 2014

"Primavera de Museus" na Arquidiocese

O Museu Arquidiocesano de Arte Sacra (Maas)  participará pela primeira vez do “Primavera de Museus”, que mobiliza os museus do país a trabalhar em torno de uma mesma temática envolvendo ações com foco na comunidade, além de estimular e incentivar a visitação a museus.
 Este ano será a 8ª edição do “Primavera de Museus”, que terá como tema ‘Museu criativo’. O Museu Arquidiocesano de Arte Sacra estará desenvolvendo diversas atividades de 24 a 28 de setembro, de 9h às 16h, com entrada gratuita.
Na programação constam as palestras: dia 24 de setembro, das 13h às 16h, “História da Arte Sacra no Brasil: uma colônia barroca”, sob a responsabilidade da doutora em história da arte, Janayna Ayres. Dia 25 de setembro, das 13h às 15h, “Devoção Mariana a partir dos 4 dogmas de Maria’, com o doutor em teologia, padre Waldecir Gonzaga. Dia 26 de setembro, das 13h às 15h, “Conservar para não Restaurar”, com a mestre em história e crítica de arte, a restauradora Mônica. Dia 27 de setembro, a partir das 13h, será a sessão pipoca com o filme “Karol: O Homem Que Se Tornou Papa", que retrata a vida de São João Paulo II antes de se tornar Papa. E, finalizando, dia 28 de setembro, das 11h às 16h, haverá medições e oficinas de artes voltadas para crianças.
O Museu Arquidiocesano de Arte Sacra está localizado na Catedral de São Sebastião do Rio de Janeiro, na Avenida Chile, 245, no Centro. Mais informações pelo telefone: 2240-2669 ou pelo email maas@catedral.com.br.
Fonte: arqrio.org

quarta-feira, 10 de setembro de 2014

"Jesus está no meio do povo, não fala de seu púlpito", afirma o Papa

Jesus não é um professor que fala de seu púlpito, mas está no meio do povo e se deixa tocar para curar. Foi o que disse o Papa Francisco na Missa presidida esta manhã na Casa Santa Marta.
Comentando o Evangelho do dia, o Pontífice refletiu sobre três momentos da vida de Jesus. O primeiro é a oração. Jesus passa “toda a noite rezando a Deus”. Parece um pouco estranho que Aquele que veio para nos salvar reze ao Pai”, disse o Papa. “E o faça com frequência. Mas Jesus é o grande intercessor”:
“Ele está diante do Pai neste momento, rezando por nós. E isto deve nos encorajar! Porque nos momentos difíceis, de necessidade e de tantas coisas, devemos pensar: ‘Mas Tu estás rezando por mim. Reza por mim junto ao Pai!’. É a sua missão hoje: rezar por nós, pela sua Igreja. Nós nos esquecemos disso com frequência, que Jesus reza por nós. Esta é a nossa força. Dizer ao Pai: ‘Mas se Tu, Pai, não nos olha, olha teu Filho que reza por nós’. Jesus reza desde o primeiro momento: rezou quando estava na terra e continua a rezar agora por cada um de nós, por toda a Igreja”. 
Depois da oração, Jesus escolhe os 12 Apóstolos. O Senhor diz claramente: “Não foram vocês que me escolheram. Eu escolhi vocês!”. “Este segundo momento – afirma o Papa – nos dá coragem: ‘Eu fui escolhido, fui escolhida pelo Senhor! No dia do Batismo, Ele me escolheu’. E Paulo, pensando nisso, dizia: ‘Ele escolheu a mim, desde o seio de minha mãe’”. Nós cristãos, portanto, fomos escolhidos:
“Essas são coisas de amor! O amor não olha se alguém tem o rosto belo ou feio: ama! E Jesus faz o mesmo: ama e escolhe com amor. E escolhe todos! Ele, na lista, não tem ninguém importante – entre aspas – segundo os critérios do mundo: são pessoas comuns. Mas uma coisa – sim – destaca-se em todos: são pecadores. Jesus escolheu os pecadores. Escolhe os pecadores. E esta é a acusação que os doutores da lei e os escribas fazem: ‘Ele come com os pecadores, fala com as prostitutas.’. Jesus chama todos! Lembram aquela parábola das núpcias do filho: quando os convidados não aparecem, o que faz o dono da casa? Manda os seus servos: ‘Ide e trazei todos à casa! Bons e maus’, diz o Evangelho. Jesus escolheu todos!”.
Jesus – continuou o Papa - também escolheu Judas Iscariotes, “que se tornou o traidor ... O maior pecador para Ele. Mas foi escolhido por Jesus”. Depois, há o terceiro momento: “Jesus próximo do povo”. Em muitos vão até Ele “para ouvi-lo e serem curados de suas doenças. Toda a multidão procurava tocá-lo”, porque “d’Ele saia uma força que curava todos”. Jesus está no meio do seu povo;
“Não é um professor, um mestre, um místico que se afasta do povo e fala da cátedra. Não! Está no meio do povo; se deixa tocar; deixa que as pessoas perguntem. Assim é Jesus: perto do povo. E essa proximidade não é uma coisa nova para Ele: Ele a sublinha em seu modo de agir, e é algo que vem desde a primeira escolha de Deus para o seu povo. Deus diz ao seu povo: “Pensem, qual povo tem um Deus tão próximo como Eu estou próximo de vocês?”. A proximidade de Deus ao seu povo é a proximidade de Jesus às pessoas”.
“Assim é o nosso Mestre, assim é o nosso Senhor – concluiu o Papa -; alguém que reza, alguém que escolhe as pessoas e alguém que não tem vergonha de estar próximo do povo. E isso nos dá confiança n’Ele. Confiamos n’Ele porque reza, porque nos escolheu e porque está próximo de nós”

Semana de Cura pela Palavra