sexta-feira, 22 de maio de 2015

Novo Pentecostes

A descida do Espírito Santo sobre a primeira assembleia dos apóstolos e dos discípulos, junto com Maria, a Mãe de Jesus, expressa o que somos enquanto Igreja, comunidade orante de irmãos e irmãs.
A oração é de intenso desejo: que o Espírito Santo, o Prometido, venha. A intenção da prece é a do próprio Jesus, Filho de Deus e Irmão nosso: “rogarei ao Pai e Ele vos dará outro Paráclito, para que convosco permaneça para sempre” (Jo 14, 16). Em comunhão com Cristo e por Cristo, a Igreja se sentia, desde o início, sua família. Daí, a presença marcante da Mãe.
A narrativa de Lucas, a única que possuímos sobre a descida do Espírito, simboliza a realidade para torná-la expressiva (Lc 2, 1-13). Poderia ser chamada de realismo simbólico do derramamento do Espírito. O acontecimento é narrado do ponto de vista temporal e espacial.
O tempo é expresso: “completado o Dia de Pentecostes”. Tendo como referência a antiga celebração judaica, são 50 dias após a Páscoa, tempo oficial da inauguração da Igreja, fundada pelo Jesus histórico. Mudada a referência, atualiza o significado. A partir de então, o Espírito, Pentecostes e a Igreja terão laços estreitados e tão profundos, que irão além do tempo.
O espaço, no entanto, é determinado: “estavam todos reunidos no mesmo lugar”. A assembleia é convocada e reunida em recinto predeterminado. O espaço é o lugar do encontro marcado para a oração e a celebração, a recepção e o envio. Logo a seguir, da sala à praça pública, símbolo do sair ao encontro, para divulgar a Mensagem e oferecer o Batismo.
Vento e fogo são os símbolos do dinamismo do Espírito. O vento enche o lugar. Preenche o espaço, preparando-o para a ação sagrada sobre os presentes. Impetuoso, simboliza o poder soberano e irresistível de Deus. Quem pode impedir o vento que sopra? Quem pode contê-lo? Assim também, quem pode resistir ao Espírito de Deus?  E o discípulo conduzido por Ele?
Quanto ao fogo, são línguas que se repartiram e que pousaram sobre cada um deles. Quer dizer que o Espírito Santo fora derramado sobre as pessoas reunidas, porém, de modo personalizado. Todos, de fato, ficaram repletos da unção espiritual.
Consequentemente, começaram a falar em outras línguas, conforme o Espírito lhes concedia se exprimirem. Trata-se de ação profética, em ordem à difusão e à compreensão da Palavra. Diz respeito à universalidade da Mensagem. O instrumento é o homem e a mulher que dizem e falam, pregam e anunciam, professam e testemunham. Consequentemente, o tempo da Igreja é o do anúncio universal do Evangelho de Jesus, cujo conteúdo é a boa notícia da salvação. É o tempo do ensinamento a favor do seguimento, de tornar-se discípulo no amor.
Seja como for, é conveniente recordar o sábio comentário de Bento XVI: “podemos agora dizer: o cristianismo não era apenas uma “boa nova”, ou seja, uma comunicação de conteúdos até então ignorados. (...) Não é apenas uma comunicação de realidades que se podem saber, mas uma comunicação que gera fatos e muda a vida” (Spe Salvi, 2). Pentecostes, portanto, fala ao coração, pois é o dom do Espírito da comunicação comunicante de Deus. Gerou e gera fatos novos e vitais. Transforma vidas. Visualiza as maravilhas operadas por Deus, no início da pregação do Evangelho, hoje como ontem. Renova, pois, a esperança na Igreja para o mundo.
Conduzida pelo Espírito Santo, a Igreja revive sempre um novo Pentecostes diante da missão no vasto mundo dos povos e, sobretudo, no íntimo das pessoas, em variadas circunstâncias, diversos desafios e múltiplas possibilidades. Reconhecer a ação do Espírito é louvá-Lo.

Autor: Dom Edson de Castro Homem

terça-feira, 19 de maio de 2015

“Eucaristia, alimento para a esperança”

A Arquidiocese do Rio se prepara para a 89ª edição da Semana Eucarística, a ser realizada no Santuário de Adoração Perpétua, a Igreja de Sant’Ana, no Centro. Estão programadas, entre os dias 28 de maio e 3 de junho, diversas horas santas organizadas por pastorais, comunidades, congregações, movimentos eclesiais e organismos arquidiocesanos, em preparação à festa de Corpus Christi no dia 4 de junho.
“É uma tradição antiga que a Solenidade do Corpo e Sangue de Cristo seja preparada e antecedida por uma semana de oração e reflexão. No Rio de Janeiro, essa tradição é realizada há 89 anos interruptos, na Igreja de Sant’Ana”, afirmou o coordenador arquidiocesano de Pastoral, monsenhor Joel Portella Amado.
Nas horas santas, os fiéis terão a possibilidade de rezar e refletir sobre o tema “Eucaristia, alimento para a esperança”. Dois textos darão a base litúrgica aos encontros: “O 1º Livro dos Reis” (1Rs 19, 3-8) e “O Evangelho segundo João” (Jo 6, 35-40).
Na primeira parte da hora santa, os fiéis rezam, ouvem a Palavra de Deus e há a benção do Santíssimo. Depois, será refletida a temática da esperança, inspirada pelo Ano Arquidiocesano da Esperança, e o desafio de mantê-la em meio aos sofrimentos cotidianos. “É o modo tradicional e muito antigo de rezar e preparar-se para o Corpus Christi”, comentou monsenhor Joel.
Essas duas diretrizes, acrescentou monsenhor Joel, se interligam: “a esperança é mantida pela oração, mas a oração como Jesus rezou e nos ensinou e que nos mantém na direção do Reino de Deus”.
“Nós sempre temos que ter esperança e confiarmos no Senhor. Na Bíblia, nós encontramos muitos exemplos de que a esperança é a própria confiança na presença de Deus, que não nos desampara nunca. Nas piores situações, temos que rezar, agradecer e confiar na misericórdia de Deus”, comentou o reitor do Santuário de Adoração Perpétua, padre José Laudares de Ávila.
Para o reitor, dois momentos serão marcantes nesta Semana Eucarística: a abertura, com a participação de crianças de escolas católicas e públicas da cidade do Rio e no sábado, dia 30, às 9h, com a missa presidida pelo Cardeal Tempesta junto dos movimentos infanto-juvenis da arquidiocese.
Corpus Christi
A festa de Corpus Christi, dia 4 de junho, na qual se comemora a instituição da Eucaristia, começará com uma missa presidida por Dom Orani, às 10h, na Igreja de Sant’Ana. Como de costume, as Vésperas serão realizadas na Igreja da Candelária, às 15h30, seguida de procissão até a Catedral Metropolitana de São Sebastião, concluindo com a missa solene de Corpus Christi.
No calendário católico, há dois dias em que se celebra a Eucaristia: na Quinta-feira Santa, em recolhimento e em silêncio, e em Corpus Christi, proclamando publicamente a dimensão redentora da Eucaristia. Por isso, é tradição que, neste dia, aconteça uma procissão pelas ruas, com o Santíssimo exposto.
“A presença dos católicos na procissão é fundamental para testemunhar a fé. Quanto maior for, mais atenção ela despertará, e, consequentemente, maior será o testemunho e os frutos”, justificou monsenhor Joel.

PROGRAMAÇÃO
Quinta-feira, 28 de maio
10h - HORA SANTA com as escolas católicas e as escolas públicas
Oficiante: Pe. Paulo Alves Romão
20h - HORA SANTA da Família: Aliança de Casais com Cristo, Encontro de Casais com Cristo, Encontro do Diálogo, Equipes de Nossa Senhora, Movimento Defesa da Vida e demais pastorais ligadas à Família
Oficiante: D. Antônio Augusto Dias Duarte
Sexta-feira, 29 de maio
15h - HORA SANTA com o Apostolado da Oração
Oficiante: Mons. Joel Portella Amado
20h - HORA SANTA dos Movimentos Leigos: Renovação Carismática (RCC) Cursilhos da Cristandade, Focolares, Irmandades, Ordens Terceiras e Confrarias, Movimento Comunhão e Libertação, Neo-Catecumenato, Oficinas de Oração e Vida, Sociedade São Vicente de Paulo.
Oficiante: Pe. Leandro Lenin Silva Tavares Cardoso
Sábado, 30 de maio
9h - MISSA - Rio Celebra com catequistas, crianças e adolescentes: Catequese especial, Catequese Eucarística, coroinhas, Cruzada Eucarística, Infância Missionária, Movimento Eucarístico Jovem, Perseverança, crianças da catequese paroquial e crianças em geral.
Oficiante: Cardeal D. Orani João Tempesta
11h - HORA SANTA das Vocações: Pastoral Vocacional, clubes vocacionais, Obra das Vocações Sacerdotais, Serra Clube.
Oficiante: D. Roque Costa Souza
16h - HORA SANTA da Juventude e Iniciação Cristã de Jovens e Adultos
Oficiante: Pe. Jorge dos Santos Carreira
20h - Assembleia Geral da Adoração Noturna
Diretor: Pe. José Laudares de Ávila
21h - HORA SANTA da Adoração Noturna
Oficiante: Pe. José Laudares de Ávila
Domingo, 31 de maio
12h - HORA SANTA com os movimentos relativos à deficiência: Fraternidade Cristã de Deficientes, Movimento dos Deficientes Físicos, Movimento Fé e Luz, Pastoral dos Surdos
Responsáveis: Pe. Leandro de Souza Câmara
14h30 - HORA SANTA com os ministérios e serviços ligados à Liturgia: Acólitos, Liturgia, Ministério da Consolação e Esperança, Ministério do Acolhimento, Ministério Extraordinário da Comunhão Eucarística, Ministério da Visitação,
Oficiante: D. Roque Costa Souza
16h - HORA SANTA da Guarda de Honra do Santíssimo Sacramento
Pregador: Pe. José Laudares de Ávila
Segunda-feira, 1 de junho
15h - HORA SANTA do clero e seminaristas
Oficiante: Cardeal D. Orani João Tempesta
20h - HORA SANTA do Vicariato Episcopal para a Comunicação Social: artistas, Rádio Catedral, jornal “O Testemunho de Fé”, representantes das paróquias e Amigos da Rádio Catedral, Grupo TV e Rádio Canção Nova e outros
Oficiante: Pe. Omar Raposo de Souza
Terça-feira, 2 de junho
14h30 - HORA SANTA com os movimentos marianos: Federação das Congregações Marianas, Legião de Maria, Movimento Apostólico de Schöenstatt, Pia União das Filhas de Maria, Rosário em Família
Oficiante: D. Edson de Castro Homem
17h - HORA SANTA dos religiosos e religiosas, dos institutos de Vida Consagrada, das sociedades de Vida Apostólica e das novas comunidades.
Oficiante: D. Roberto Lopes
Quarta-feira, 3 de junho
15h - HORA SANTA dos Círculos Bíblicos e grupos de reflexão
Oficiante: D. Paulo Cezar Costa
20h - HORA SANTA do Vicariato para a Caridade Social: Ação Católica Operária, Banco da Providência, Círculos Operários, Juristas Católicos, Juventude Operária Católica, Liga Católica Jesus, Maria e José, M.F.C., Médicos Católicos, Pastoral da Criança, Pastoral da Saúde, Pastoral da Sobriedade, Pastoral da Terceira Idade, Pastoral das Domésticas, Pastoral das Favelas, Pastoral do Menor, Pastoral do Trabalhador, Pastoral Penal, Renovação Cristã, Toca de Assis e funcionários da Mitra e das paróquias
Oficiante: D. Pedro Cunha Cruz
Quinta-feira, 4 de junho, Corpus Christi
10h - Missa solene presidida pelo Sr. Cardeal D. Orani João Tempesta
15h30 -Vésperas na Igreja da Candelária – Oficiante Cardeal D. Orani João Tempesta. Equipe litúrgica do Seminário Arquidiocesano de São José.
16h - Procissão, seguida de missa

quarta-feira, 13 de maio de 2015

Nossa Senhora de Fátima, graça e a misericórdia

Segundo as memórias da Irmã Lúcia, podemos dividir a mensagem de Fátima em três ciclos: Angélico, Mariano e Cordimariano.
O Ciclo Angélico se deu em três momentos: quando o anjo se apresentou como o Anjo da Paz, depois como o Anjo de Portugal e, por fim, o Anjo da Eucaristia.
Depois das aparições do anjo, no dia 13 de maio de 1917, começa o ciclo Mariano, quando a Santíssima Virgem Maria se apresentou mais brilhante do que o sol a três crianças: Lúcia, 10 anos, modelo de obediência e seus primos Francisco, 9, modelo de adoração e Jacinta, 7, modelo de acolhimento.
Na Cova da Iria aconteceram seis aparições de Nossa Senhora do Rosário. A sexta, sendo somente para a Irmã Lúcia, assim como aquelas que ocorreram na Espanha, compondo o Ciclo Cordimariano.
Em agosto, devido às perseguições que os Pastorinhos estavam sofrendo por causa da mensagem de Fátima, a Virgem do Rosário não pôde mais aparecer para eles na Cova da Iria. No dia 19 de agosto ela aparece a eles então no Valinhos.
Algumas características em todos os ciclos: o mistério da Santíssima Trindade, a reparação, a oração, a oração do Santo Rosário, a conversão, a consagração da Rússia ao Imaculado Coração de Maria. Enfim, por intermédio dos Pastorinhos, a Virgem de Fátima nos convoca à vivência do Evangelho, centralizado no mistério da Eucaristia. A mensagem de Fátima está a serviço da Boa Nova de Nosso Senhor Jesus Cristo.
A Virgem Maria nos convida para vivermos a graça e a misericórdia. A mensagem de Fátima é dirigida ao mundo, por isso, lá é o Altar do Mundo.
Expressão do Coração Imaculado de Maria que, no fim, irá triunfar é a jaculatória ensinada por Lúcia: “Ó Meu Jesus, perdoai-nos e livrai-nos do fogo do Inferno, levai as almas todas para o Céu; socorrei principalmente as que mais precisarem!”
Nossa Senhora de Fátima, rogai por nós!

segunda-feira, 11 de maio de 2015

Dom Edson assume Diocese de Igautu em 27 de junho

A posse de Dom Edson de Castro Homem na nova diocese já tem data marcada: dia 27 de junho, às 17h, em Iguatu, no Ceará. Na última quarta-feira, 6, a nomeação do Papa Francisco para o bispo auxiliar do Rio de Janeiro foi divulgada pela Santa Sé.
Na capital fluminense os fiéis cariocas também terão a oportunidade de se despedir e celebrar com Dom Edson. Está agendada uma Missa no dia 29 de maio, às 10h, no Santuário de Nossa Senhora de Fátima, no Recreio; e com os diáconos permanentes acontecerá uma celebração eucarística no dia 13 de junho, às 10h, na Igreja de Sant'Ana, no centro da cidade.

sexta-feira, 1 de maio de 2015

São José Operário, protetor e modelo de todos os trabalhadores

A Igreja, providencialmente, nesta data civil marcada, muitas vezes, por conflitos e revoltas sociais, cristianizou esta festa, isso na presença de mais de 200 mil pessoas na Praça de São Pedro, as quais gritavam alegremente: “Viva Cristo trabalhador, vivam os trabalhadores, viva o Papa!” O Papa, em 1955, deu aos trabalhadores um protetor e modelo: São José, o operário de Nazaré.
O santíssimo São José, protetor da Igreja Universal, assumiu este compromisso de não deixar que nenhum trabalhador de fé – do campo, indústria, autônomo ou não, mulher ou homem – esqueça-se de que ao seu lado estão Jesus e Maria. A Igreja, nesta festa do trabalho, autorizada pelo Papa Pio XII, deu um lindo parecer sobre todo esforço humano que gera, dá a luz e faz crescer obras produzidas pelo homem:“Queremos reafirmar, em forma solene, a dignidade do trabalho a fim de que inspire na vida social as leis da equitativa repartição de direitos e deveres.”
São José, que na Bíblia é reconhecido como um homem justo, é quem revela com sua vida que o Deus que trabalha sem cessar na santificação de Suas obras, é o mais desejoso de trabalhos santificados: “Seja qual for o vosso trabalho, fazei-o de boa vontade, como para o Senhor, e não para os homens, cientes de que recebereis do Senhor a herança como recompensa… O Senhor é Cristo” (Col 3,23-24).
São José Operário, rogai por nós!

terça-feira, 21 de abril de 2015

Igreja no Rio de Janeiro terá novos acólitos no dia 25

temp_titleacolitato_17042015103127
“Ao desembarcar, Jesus viu uma grande multidão e compadeceu-se dela, porque era como ovelhas que não têm pastor. E começou a ensinar-lhes muitas coisas. A hora já estava bem avançada quando se achegaram a ele os seus discípulos e disseram: Este lugar é deserto, e já é tarde. Despede-os para irem aos sítios e aldeias vizinhas comprar algum alimento. Mas Ele respondeu-lhes: Dai-lhes vós mesmos de comer” (Mc 6, 34-37).

Com o tema “Dai-lhe vós mesmos de comer”, os seminaristas Anderson Manoel dos Santos, Eraldo de Souza, Felipe Machado, Guilherme Freitas, José Carlos Rosa, Marcelo Henrique Freitas, Thiago Luiz Serejo e Vítor José de Oliveira, que estão na fase final em direção ao sacerdócio, vão receber o ministério do acolitato no dia 25 de abril, no Santuário de São Sebastião dos Frades Capuchinhos.

Para o reitor do Seminário de São José, cônego Leandro Câmara, esse é um passo importante antes do sacerdócio, e espera ordenar, ainda neste ano, novos diáconos para a Igreja.

“Que eles possam ver neste passo a mão de Deus que os conduz desde o início do processo formativo até a confirmação da vocação: a ordenação. Este passo é bastante importante e decisivo para o próximo que será a ordenação diaconal. Esperamos que, em dezembro, tenhamos novos diáconos para a Igreja no Rio de Janeiro. A esperança da Igreja é de que a vocação deles se confirme e se concretize num serviço cada vez mais generoso, desprendido de si mesmo e dedicado ao povo de Deus”, disse.
O que é acolitato?

O acolitato é um ministério instituído (não ordenado) e que remonta a uma antiga tradição da Igreja. Os seminaristas recebem esse apostolado antes da ordenação diaconal. O acólito é instituído para auxiliar na organização do altar e da Liturgia, na formação dos leigos para receber o sacramento. Além disso, ele se torna um Ministro Extraordinário da Sagrada Comunhão e pode, assim, entregar a Eucaristia durante as celebrações litúrgicas e levá-la aos enfermos.
Mais um passo para o sacerdócio

Este será mais um passo para os seminaristas. Quanto a eles, esperam ansiosos pelo dia da consagração e confirmação da vontade de Deus em suas vidas.
O Santuário São sebastião fica na Rua Haddock Lobo, 266, Tijuca. A celebração será ás 8:30 no dia 25 de abril.
Fonte: arqrio.org

segunda-feira, 13 de abril de 2015

Papa diz que a Divina Misericórdia supera todo limite humano

Após a Santa Missa, o Papa Francisco rezou o Regina Coeli,
que foi inspirado na liturgia deste Domingo da Misericórdia


Após a Missa deste domingo, 12, o Papa Francisco assomou à janela do apartamento Pontifício para rezar, com os milhares de fiéis reunidos na Praça São Pedro, a oração mariana do Regina Coeli.
Inspirado na liturgia deste Domingo da Misericórdia, o Santo Padre falou do mistério pascal manifestado em plenitude na amabilidade de Jesus, que indo de encontro à incredulidade de Tomé, mostra-lhe suas chagas, sinais de sua paixão, para que possa chegar à plenitude da fé pascal.
“Tomé é alguém que não se contenta e busca, pretende verificar pessoalmente, ter uma experiência pessoal própria. Após as iniciais resistências e inquietudes, por fim também ele passa a acreditar, mesmo avançando com cansaço. Jesus o espera pacientemente e se oferece às dificuldades e inseguranças do último a chegar”.
O Senhor proclama “Bem-aventurados” aqueles que acreditam sem ver e a primeira é Maria, recordou o Papa, observando que Jesus também vai ao encontro à exigência do discípulo incrédulo. “Coloque aqui o teu dedo e olha as minhas mãos”.
“Ao contato salvífico com as chagas do Ressuscitado, Tomé manifesta as próprias feridas, as próprias lacerações, a própria humilhação. No sinal dos pregos encontra a prova decisiva de que era amado, esperado, entendido. Encontra-se diante de um Messias pleno de doçura, de misericórdia, de ternura. Era ele o Senhor que buscava nas profundidades secretas do próprio ser, pois sempre soube que era assim”.
O Papa disse que ao ter este contato pessoal com a amabilidade e a misericordiosa paciência de Deus, Tomé compreende o significado profundo da sua ressurreição e, intimamente transformado, declara a sua fé plena e total Nele, exclamando: “Meu Senhor e meu Deus!”.
Tomé pode tocar o Mistério pascal que manifesta plenamente o amor salvífico de Deus, rico em misericórdia.
Este II domingo de Páscoa, disse o Papa Francisco, convida todos a contemplar nas chagas do Ressuscitado a Divina Misericórdia, que supera todo limite humano e resplandece sobre a obscuridade do mal e do pecado.
“Um tempo intenso e prolongado para acolher as imensas riquezas do amor misericordioso de Deus. Será o próximo Jubileu Extraordinário da Misericórdia, cuja Bula de convocação promulguei na tarde de ontem na Basílica de São Pedro. “Misericordiae Vultus”, o Rosto da Misericórdia é Jesus Cristo. Tenhamos o olhar voltado para Ele. E que a Virgem Mãe nos ajude a sermos misericordiosos com os outros como Jesus é conosco”.
Após saudar os diversos grupos de peregrinos presentes na Praça, o Santo Padre dirigiu suas cordiais felicitações aos fiéis das Igrejas do Oriente que, segundo seu calendário, celebram neste domingo, 12, a Santa Páscoa e aos armênios vindos para participar da celebração na Basílica Vaticana.

O Pontífice também agradeceu e retribuiu as mensagens de Páscoa chegadas de todo o mundo nas últimas semanas, manifestando a todos afeto e proximidade, reiterando seu pedido de que continuem a rezar por ele.
Fonte: Canção Nova

terça-feira, 10 de março de 2015

Papa: Deus não dá show, mas atua na humildade e no silêncio

O Papa celebrou na manhã desta segunda-feira (09/03) a Missa na Casa Santa Marta. Comentando o Evangelho do dia, Francisco ressaltou o trecho em que Jesus repreende os habitantes de Nazaré pela falta de fé: no início, Ele é ouvido com admiração, mas depois explode “a ira e a indignação”:
“Naquele momento, entre as pessoas que ouviam com prazer o que Jesus dizia, um, dois ou três não gostaram do que ele disse, e um falador se levantou e afirmou: ‘Mas o que esta pessoa está falando? Onde estudou para nos dizer essas coisas? Que nos mostre o diploma! Em qual Universidade estudou? Ele é o filho do carpinteiro e o conhecemos bem”. E começou a fúria, e também a violência. “E o expulsaram da cidade e o conduziram até o cume da colina”. E queriam jogá-lo lá de cima”.
A primeira leitura fala de Naamã, comandante do exército sírio, leproso. O Profeta Eliseu lhe diz de banhar-se sete vezes no Jordão e também ele se indigna porque pensava num gesto maior. Depois ouve o conselho dos servos, faz o que disse o Profeta e a lepra desaparece. Seja os habitantes de Nazaré, seja os de Naamã – observou o Papa – “queriam um show”, mas “o estilo do bom Deus não é dar show: Deus atua na humildade, no silêncio, nas coisas pequenas”. Isso – destacou – se vê em “toda a história da salvação”, a partir da Criação, onde o Senhor não pegou “a varinha mágica”, mas criou o homem “com o barro”:
“Quando ele quis libertar o seu povo, libertou-o pela fé e a confiança de um homem, Moisés. Quando ele quis fazer cair a poderosa cidade de Jericó, ele o fez através de uma prostituta. Também para a conversão dos samaritanos, pediu o trabalho de outra pecadora. Quando Ele enviou Davi para lutar contra Golias, parecia loucura: o pequeno Davi diante do gigante, que tinha uma espada, tinha muitas coisas, e Davi apenas uma funda e pedras. Quando disse aos Magos, que tinha nascido o Rei, o Grande Rei, o que eles encontram? Uma criança, uma manjedoura. As coisas simples, a humildade de Deus, este é o estilo divino, jamais um show”.
O Papa recorda “também uma das três tentações de Jesus no deserto: o show”. Satanás o convida a lançar-se do pináculo do Templo porque vendo o milagre as pessoas possam acreditar n’Ele. “O Senhor – ao invés disso - se revela na simplicidade, na humildade”. “Nós fará bem nesta Quaresma - conclui Francisco - pensar em nossas vidas em como o Senhor nos ajudou, como o Senhor nos fez seguir em frente, e vamos descobrir que ele fez isso com coisas simples”:
“Assim age o Senhor: faz as coisas de forma simples. Fala-nos silenciosamente ao coração. Recordamos na nossa vida as muitas vezes que ouvimos essas coisas: a humildade de Deus é o seu estilo; a simplicidade de Deus é o seu estilo. E também na liturgia, nos sacramentos, que bonito é que se manifeste a humildade de Deus e não o show mundano. Irá nos fazer bem percorrer a nossa vida e pensar nas muitas vezes em que o Senhor nos visitou com sua graça, e sempre com esse estilo humilde, o estilo que também Ele nos pede para ter: a humildade”.

segunda-feira, 9 de março de 2015

A resposta da fé a todos os problemas

Na realidade em que estamos, cristãos são chamados
 a serem homens e mulheres de soluções.

Nas voltas que o mundo dá, sucedem-se crises de todo tipo. As pessoas conhecem ciclos diversos, mudanças condicionadas pela idade, situação social, opções feitas no correr da vida. A sociedade conhece também suas etapas e eventuais fases difíceis, como o quadro político e econômico em que nos encontramos, ampliado pelos inúmeros desafios que expressam quase um regresso à barbárie, tamanhos são os fatos violentos que passam diante de nossos olhos a cada dia. A Igreja está mergulhada em nosso mundo, com todos os seus problemas e é chamada a dar a resposta da fé a todos eles, superando o medo que podem provocar. Os cristãos são chamados a serem homens e mulheres de soluções, exercendo a necessária criatividade, que lhes possibilite ser presença qualificada no meio de todas as pessoas de boa vontade.

São João descreve, logo no início do quarto evangelho, uma das visitas de Jesus ao Templo de Jerusalém (Jo 2, 13-25). O espaço destinado a ser casa de oração tinha se transformado em comércio, a prática das leis do Antigo Testamento estava em crise, alguns poucos se faziam donos da religião, a presença invasiva dos romanos corrompia as relações entre as pessoas e, ao mesmo tempo, muitas pessoas mantinham viva a esperança da chegada do Messias prometido. O Templo, que já não era o que foi edificado por Salomão, mas a segunda construção, depois restaurada por Herodes, o Grande, veio a ser efetivamente destruído pela invasão romana, alguns anos mais tarde, restando apenas um espaço sagrado utilizado pelos judeus. Na antiga esplanada do templo, foram posteriormente erguidas duas Mesquitas, lugares de culto dos Muçulmanos. E a Jerusalém de hoje, com todos os conflitos subjacentes à sua organização e governo, abriga judeus, muçulmanos e cristãos. Muitos sonham, e nós também, com uma convivência pacífica das três grandes religiões monoteístas. E de lá para cá, por motivos diversos se destroem templos e monumentos de várias religiões, como temos acompanhado nos últimos dias. Com os edifícios destruídos, também fica comprometida a memória histórica da humanidade!

Não era simples o relacionamento dos judeus com as autoridades romanas e seus prepostos. São Lucas descreve alguns fatos reveladores: "Chegaram algumas pessoas trazendo a Jesus notícias a respeito dos galileus que Pilatos tinha matado, misturando o sangue deles com o dos sacrifícios que ofereciam. Ele lhes respondeu: Pensais que esses galileus eram mais pecadores do que qualquer outro galileu, por terem sofrido tal coisa? Digo-vos que não. Mas se vós não vos converterdes, perecereis todos do mesmo modo. E aqueles dezoito que morreram quando a torre de Siloé caiu sobre eles? Pensais que eram mais culpados do que qualquer outro morador de Jerusalém? Eu vos digo que não. Mas, se não vos converterdes, perecereis todos do mesmo modo" (Lc 13, 1-5). Jesus anuncia e faz acontecer o Reino de Deus no meio de uma sociedade conflitiva, com tensões e revoltas prontas a estourarem a qualquer momento.

Ao Templo de Jerusalém chega o esperado das nações, como nos descrevem os textos evangélicos. No entanto, ele vem de forma diferente, certamente decepcionando os sonhos de confronto e poder de muitos de seus contemporâneos. Sua presença quer conduzir as pessoas do Templo edificado com tanto esforço ao novo Templo, o novo lugar que é Ele mesmo, onde acontece o verdadeiro culto ao Pai do Céu. Jesus não destrói o Templo, antes o respeita profundamente, com palavras duras e fortes: "Tirai daqui essas coisas. Não façais da casa de meu Pai um mercado! Os discípulos se recordaram do que está escrito: O zelo por tua casa me há de devorar" (Jo 2,16-17). Além das lições que nós cristãos podemos aprender com estes fatos, nasça um grande respeito pela religião dos outros, sejam quais forem suas convicções!

Profeticamente, o Senhor anuncia que o Templo será destruído e reconstruído após três dias, pois ele falava a respeito do seu corpo. Depois que Jesus ressuscitou dos mortos, os discípulos se recordaram de que ele tinha dito isso, e creram na Escritura e na palavra que Jesus havia falado (Cf. Jo 2, 21-22). De fato, na força de sua Ressurreição gloriosa, a morte veio a ser vencida e todas as suas manifestações podem ser superadas.

Nós cristãos professamos a fé no Cristo Morto e Ressuscitado. Com a fé, nossa vida tem uma meta a ser alcançada, impedindo-nos de sermos afogados pelos acontecimentos positivos ou negativos. Nosso olhar se volta para a plenitude do amor de Deus, acendendo continuamente a luz da esperança. Com esta fé, passamos pelo mundo fazendo o bem, acreditando que é possível restaurar vidas e superar as muitas dilacerações existentes na sociedade.

Para tanto, somos chamados a algumas atitudes e gestos. Para nós, a maldade não tem a última palavra em quem quer que seja. Olhamos para as pessoas e suas crises pessoais e descobrimos aquela fagulha, para não apagar a chama que fumega, pois no nome de Jesus as nações podem depositar a esperança (Cf. Mt 12,15-21; Is 42,1-4). No dia a dia, não desperdiçamos as oportunidades para tecer novos relacionamentos com as pessoas, aproveitando os eventuais laços que poderiam impedir a caminhada para compor redes de fraternidade. As iniciativas de pessoas e grupos em vista do bem comum encontrarão em nós a disposição para parcerias inteligentes, nas quais cada um pode dar o que sabe e pode. Onde quer que encontremos eventuais restos de edificações destruídas, recolheremos os pedaços para realizar a profecia: "Quando o invocares, o Senhor te atenderá, e ao clamares, ele responderá: Aqui estou! Se, pois, tirares do teu meio toda espécie de opressão, o dedo que acusa e a conversa maligna, se entregares ao faminto o que mais gostarias de comer, matando a fome de um humilhado, então a tua luz brilhará nas trevas, o teu escuro será igual ao meio-dia. O Senhor te guiará todos os dias e vai satisfazer teu apetite, até no meio do deserto. Ele dará a teu corpo nova vida, e serás um jardim bem irrigado, mina d’água que nunca para de correr. E a tua gente reconstruirá as ruínas que pareciam eternas, farás subir os alicerces que atravessaram gerações, serás chamado reparador de brechas, restaurador de caminhos, para que lá se possa morar" (Is 58, 9-12).

Se o sonho parece muito alto, sabemos que nossa fé professa nada menos do que a vitória sobre a morte! Portanto, a esta altura do caminho quaresmal em direção à Páscoa, recomecemos a cada dia a tarefa recebida do Senhor, para reconstruir as eventuais ruínas que encontrarmos.
Dom Alberto Taveira Corrêa
Arcebispo de Belém do Pará (PA).

Fonte: domtotal.com

São Domingos Sávio - Padroeiro dos acólitos

Este jovem santo ofereceu a sua juventude por amor a Deus e Maria Santíssima

São Domingos Sávio - Padroeiro dos acólitos
O santo de hoje viveu o lema 

“Antes morrer do que pecar”.
Nascido em Turim, na Itália, no ano de 1842, Domingos conheceu muito cedo Dom Bosco e participou do Oratório – lugar de formação integral – onde seu coração se apaixonou por Jesus e Nossa Senhora Auxiliadora.
Pequeno na estatura, mas gigante na busca de corresponder ao chamado à santidade, foi um ícone da alegria de ser santo. Um jovem comum, que buscava cumprir os seus deveres e amava a vida de oração.
Com a saúde fragilizada, faleceu com apenas 15 anos.
São Domingos Sávio, rogai por nós.

quinta-feira, 5 de março de 2015

O sentido espiritual da Quaresma

Origem da Quaresma
Imitando Cristo no seu deserto de 40 dias, que foi, por sua vez, a realização plena da imagem vétero-testamentária do povo que caminhou por 40 anos no deserto até chegar à terra prometida, a Igreja realiza a sua Quaresma: 40 dias nos quais ela se deixa, a exemplo de Jesus, conduzir para o deserto, lugar da tentação, mas, também, do encontro com Deus, para aí se preparar para a grande festa da Páscoa.

A Quaresma surgiu a partir de uma dupla necessidade: a prática da penitência para que os fiéis pudessem participar da Páscoa do Senhor e a necessidade da preparação mais intensa dos catecúmenos que recebiam, na Vigília Pascal, os sacramentos da iniciação cristã.

Assim sendo, a Quaresma possui uma dupla dimensão: a dimensão batismal e a dimensão penitencial. Na liturgia da Palavra são-nos propostos três ciclos de leitura: ano A (Quaresma Batismal); ano B (Quaresma Cristocêntrica); ano C (Quaresma Penitencial). O ciclo A é mais antigo e propõe textos que possuem uma dimensão marcadamente batismal, tendo em vista que neste período, já na Igreja primitiva, dava-se início à iniciação cristã dos adultos.

Exercícios quaresmais
A Quaresma é vivida por muitos cristãos, na maioria das vezes, como um fardo demasiadamente pesado. Muitos vivem as práticas da Quaresma – notadamente, a oração, o jejum e a esmola – como se elas significassem a satisfação do desejo descontrolado de Deus de ver-nos sobrecarregados de sacrifícios que servem para expiar os nossos muitos pecados. Essa é uma forma errada de ver a Quaresma. O que nela começamos, devemos continuar no decorrer do ano litúrgico.

Os assim chamados “exercícios quaresmais”, não seriam propriamente “exercícios” se não tivessem como finalidade criar em nós disposições e atitudes que estimulem a vida cristã durante todo o ano litúrgico. O que vivemos na Quaresma, então, deve produzir frutos maduros em nós. Os exercícios que aqui começamos não podem terminar neste tempo.

Jejum
Durante o período quaresmal, a Igreja nos convida, sobretudo, a três exercícios: o jejum, a oração e a esmola. Reflitamos um pouco sobre cada um desses exercícios. O jejum, por exemplo, é um dos exercícios quaresmais muito mal vividos. Vivemos o jejum como se Deus precisasse desse sacrifício para nos oferecer o perdão dos nossos pecados. Como conciliar essa mentalidade com Mateus 12, 7, onde o Senhor, citando Oséias 6,6, nos afirma que quer a misericórdia e não o sacrifício? Será então que não devemos fazer o jejum? Ou será que o espírito com o qual fazemos o jejum não está equivocado? Devemos modificar a nossa forma de ver o jejum. Não é que Deus precise do nosso jejum para poder nos perdoar, como se esse sacrifício fosse uma forma de aplacar a ira divina. Nós é que precisamos do jejum para aprendermos a nos relacionar com os bens da criação.

Pelo pecado original – doutrina católica apoiada na verdade que nos é revelada na Sagrada Escritura e muito negligenciada atualmente, sobretudo em alguns círculos teológicos – a verdadeira natureza das coisas ficou velada para o homem, e este, ao invés de reconhecer o Criador nas criaturas, acabou por idolatrar as criaturas, esquecendo-se do seu Criador. O jejum tira-nos da idolatria das criaturas.

O jejum nos ensina uma nova forma de lidar com os alimentos, vendo-os não como uma fonte de prazer somente, mas como dom de Deus. Através do jejum aprendemos a controlar a nossa sede de prazer e a não sermos mais dominados pelo instinto. Aprendemos que o prazer é benéfico, é também dom de Deus, mas nós é que devemos controlá-lo, e não ele a nós. A experiência que fazemos com o jejum redunda em todas as outras áreas da nossa vida, inclusive na própria sexualidade. Evágrio Pôntico diz no seu Tratado Prático que: “Quando a concupiscência se inflama, a extinguem a fome (jejum), a fadiga e a solidão.”

Oração
A oração, por sua vez, nos faz sair da ilusão de que nós somos capazes de resolver tudo com as nossas próprias mãos. Ela nos tira da nossa autossuficiência e nos projeta para o Deus verdadeiro, Aquele que é realmente onipotente. Este é o tempo favorável para através da oração diária nos tornarmos mais íntimos de Deus.

A Quaresma é um tempo propício para participarmos melhor da liturgia da Igreja e, também, para orarmos com a Palavra de Deus. A Palavra de Deus nos proporciona um itinerário espiritual. É ela que deve orientar a nossa vida espiritual na Quaresma e em qualquer tempo litúrgico.

Esmola

A esmola, ou a caridade, como quisermos chamá-la, nos faz quebrar a idolatria do ter. Pela esmola, aprendemos a dividir com o próximo aquilo o que Deus confiou a nós para que o administrássemos. Pela prática da esmola, entendemos que não somos donos de nada, mas meros administradores dos bens de Deus. A esmola tira-nos do perigo de sermos possuídos pelos bens. Às vezes, pensamos tanto ser donos dos bens que Deus nos confiou, que no final eles é que se tornam nossos donos, acabamos sendo possuídos pelas coisas. A esmola nos liberta dessa possessão e deixa o nosso coração livre para Deus.

São Máximo Confessor, reconhecendo que a avareza é um dos males que dominam o homem, nos estimula ao desprendimento, à esmola, quando nos diz na sua obra “Centúrias sobre a Caridade”, n. 18: “O amante do prazer ama o dinheiro para deleitar-se mediante ele. O que se vangloria para ser glorificado por ele. O que não tem fé para escondê-lo e custodiá-lo, tendo medo da fome, da velhice, da doença ou do exílio; e espera mais nele (no dinheiro) do que em Deus, autor e providência da criação toda, até dos últimos e menores seres vivos”.
Como podemos ver, essas práticas, então, não servem somente para este período do ano litúrgico. Elas são praticadas de modo mais intenso agora, como “exercício”, e depois continuam em todo o ano litúrgico. Que este seja nosso programa. Que o itinerário quaresmal não seja para nós um fardo a carregar, mas um programa de vida, um constante caminho de santificação.
Por fim, tenhamos sempre diante dos nossos olhos, sobretudo nestes dias de Quaresma, a “Cruz de Nosso Senhor Jesus Cristo”. A Cruz é o “sinal da vida”. É assim que São Gregório Magno a chama no Livro II dos Diálogos, quando narra o milagre pelo qual São Bento fora salvo da morte por envenenamento ao traçar sobre a taça de vinho o sinal da cruz: “Tomaram, pois, a resolução de colocar veneno no seu vinho. Quando, segundo o costume monástico, apresentaram ao Pai, que estava sentado à mesa, a taça de vidro com a bebida mortífera para ser abençoada, Bento estendeu a mão e traçou o sinal da cruz. A este gesto, a taça, que estava a certa distância dele, estalou e fez-se em pedaços, como se ao invés da Cruz lhe tivesse atirado uma pedra. O homem de Deus logo compreendeu que o vaso continha uma bebida mortal, pois não pôde suportar o sinal da vida.” Tenhamos todos os dias, começando pela Quaresma, esse sinal diante de nós. O chamado de Cristo para nós é um chamado à vida, mas não à vida nesse mundo pura e simplesmente. Cristo nos chama à vida verdadeira, a qual se alcança pela cruz, como Ele o fez.
Uma santa Quaresma a todos!

Padre Fábio Siqueira

Vice-diretor das Escolas de Fé e Catequese Mater Ecclesiae e Luz e Vida

sexta-feira, 20 de fevereiro de 2015

Tempo de Penitência

Começamos o tempo quaresmal! Nestes dias de Quaresma, queremos renovar a nossa fé através de uma vida penitencial mais intensa, aproveitando os temas que a liturgia nos oferece, com orações mais frequentes, jejuns e, sobretudo, uma vida de caridade mais aplicada – a fraternidade.
A penitência e a prática que nos impomos, em primeiro lugar, não são exclusivas deste tempo. Toda a nossa vida deve ser imbuída deste espírito se quisermos seguir a Cristo. A ascese faz parte de nossa caminhada espiritual. Porém, para vencer a inconstância, que é característica do ser humano, são importantes tempos fortes para retemperar a nossa vontade, através de uma inteligência do mistério da cruz redentora. É um tempo de retomar com mais vigor essa caminhada ascética.

São Paulo descreve essa fraqueza falando de si mesmo, da luta interior que experimentamos para viver a fé: "Sabemos que a Lei é espiritual, mas eu sou carnal, vendido como escravo ao pecado. Realmente não consigo entender o que faço, pois não pratico o que quero, mas faço o que detesto” (Rom 7, 14). E conclui: "Quem me libertará deste corpo de morte"?(Idem, 24). Por isso, se esforçava, como aquele que corre no estádio e castiga o seu corpo reduzindo-o à servidão (1Cor. 9, 24-27).

Nascidos no pecado e na concupiscência, como nos lembra o salmista {salmo 51 (50)}. “Eis que nasci na iniquidade, minha mãe concebeu-me no pecado", somente a conversão pode restituir-nos a vida, integrando-nos no Reino da Graça.

A penitência é esse dom que recebemos e respondemos com nosso esforço, que temos de fazer para vencer as fraquezas da carne, para superarmos as paixões e vícios da natureza humana. Ninguém consegue sair de uma prisão, de um atoleiro sem acolher uma boa notícia que o fortifique para dar passos concretos, com sua vontade.

A própria vida de Cristo nos é um exemplo, como ensina “A Imitação de Cristo”: "Toda a vida de Cristo foi cruz e martírio; e tu queres descanso e alegria" (L II, cap. 12). E mais adiante, reitera que não é próprio do homem carregar a sua cruz, mas "é por meio de muitas tribulações que podemos entrar no Reino de Deus” (Atos, 14,21).

Poderia parecer, sobretudo em nossos dias, que esta batalha interior e também exterior, pois somos uma unidade, espírito e matéria, seria um contrassenso. Cada dia nos sentimos mais e mais capazes, mais desenvolvidos cultural e fisicamente. Então, a cruz teria sentido?

Se o nosso horizonte se limitar ao nascer e ao pôr do sol de uma vida, se não considerarmos nosso destino eterno, não tem sentido. Seremos os mais tolos dos homens se nos dermos a estas práticas, responde São Paulo.

Mas a Lei do Espírito da vida nos liberta da morte e realiza em nós a esperança, que está no coração de todo homem e se transborda por toda a natureza, da realização plena da liberdade e da paz na glória dos filhos de Deus.

No sofrimento penitencial, na Cruz, unida ao mistério redentor de Cristo, está a salvação, a vida, a força do espírito. 

O jejum nos ensina que somos radicalmente dependentes de Deus. Na Escritura, a palavra nephesh significa, ao mesmo tempo, vida e garganta. A idéia que isso exprime é que nossa vida não vem de nós mesmos, não a damos a nós próprios; nós a recebemos continuamente: ela entra pela nossa garganta com o alimento que comemos, a água que bebemos, o ar que respiramos. Jamais o homem pode pensar que se basta a si mesmo, que pode se fechar para Deus. Quando jejuamos, sentimos uma certa fraqueza e lerdeza, às vezes nos vem mesmo um pouco de tontura. Isso faz parte da “psicologia do jejum”: recorda-nos o que somos sem esta vida que vem de fora, que nos é dada por Deus continuamente.

A prática do jejum impede-nos, então, da ilusão de pensar que a nossa existência, uma vez recebida, é autônoma, fechada, independente. Muitas vezes dizemos erroneamente: “A vida é minha; faço como eu quero”! A vida será, sempre e em todas as suas etapas, um dom de Deus, um presente gratuito, e nós seremos sempre dependentes Dele. Esta dependência nos amadurece, nos liberta de nossos estreitos e mesquinhos horizontes, nos livra da autossuficiência e nos faz compreender “na carne” nossa própria verdade, recordando-nos que a vida é para ser vivida em diálogo de amor com Aquele que no-la deu. 

O próprio Jesus, de modo particular, e a Escritura, de modo geral, nos exortam à vigilância e à sobriedade. O jejum e a abstinência, portanto, são um treino para que sejamos senhores de nós mesmos, de nossas paixões, desejos e vontades. Assim, seremos realmente livres para Cristo, sendo livres para realizar aquilo que é reto e desejável aos olhos de Deus! O próprio Jesus afirmou que quem comete pecado é escravo do pecado! Não adianta: sem o exercício da abstinência, jamais seremos fortes. Não basta malhar o corpo; é preciso malhar o coração!


Cardeal Orani João Tempesta

Arcebispo da Arquidiocese de São Sebastião do Rio de Janeiro
Cidade natal: São José do Rio Pardo
Data de nascimento: 23/06/1950

segunda-feira, 16 de fevereiro de 2015

Papa no Angelus: "Contagiar e deixar-se contagiar pelo bem"

Papa saúda os presentes na Praça São Pedro, reunidos para a 
Oração do Angelus neste 6ª Domingo do Tempo Comum

Ao meio-dia deste domingo, 15 de fevereiro, o Papa Francisco assomou à janela do apartamento Pontifício para rezar com os fiéis reunidos na Praça São Pedro a Oração mariana do Angelus. A compaixão de Jesus pelo leproso, um símbolo da marginalização, inspirou a alocução do Santo Padre que ao final convidou a nos deixar “contagiar pelo bem e contagiar com o bem”.
O Evangelho deste 6º Domingo do Tempo Comum trata da cura do leproso, que ocorre “em três breves passagens: o pedido do doente, a resposta de Jesus e as consequências da cura prodigiosa”.  O leproso suplica a Jesus de joelhos, que por sua vez reage com a compaixão - uma palavra muito profunda -, que significa “padecer com o outro”. “O coração de Cristo – disse o Papa – manifesta a compaixão paterna de Deus por aquele homem, aproximando-se dele e tocando-o, este gesto tão importante":
“A misericórdia de Deus supera toda barreira e a mão de Jesus toca o leproso. Ele não se coloca numa distância de segurança e não age por procuração, mas se expõe diretamente ao contágio do nosso mal; e assim justamente o nosso mal torna-se o local de contato: Ele, Jesus, assume a nossa humanidade doente e nós assumimos dele a sua humanidade sã e curadora. E isto ocorre cada vez que recebemos com fé um Sacramento: o Senhor Jesus nos toca e nos dá a sua graça. Neste caso pensemos especialmente ao Sacramento da Reconciliação, que nos cura da lepra do pecado”.
Este Evangelho – diz o Papa Francisco – nos mostra o que Deus faz diante do nosso mal:
“Deus não vem dar uma palestra sobre a dor; não vem nem mesmo eliminar do mundo o sofrimento e a morte; vem, isto sim, tomar sobre si o peso de nossa condição humana e assumi-la até as últimas consequências, para libertar-nos de modo radical e definitivo. Assim Cristo combate os males e os sofrimento no mundo: assumindo-os e vencendo-os com a força da misericórdia de Deus”.
O Papa conclui dizendo que, se queremos ser verdadeiros discípulos, somos chamados a ser, unidos a Jesus, “instrumentos de seu amor misericordioso, superando todo tipo de marginalização”:
“Para sermos imitadores de Cristo, diante de um pobre ou de um doente, não devemos ter medo de olhá-lo nos olhos e de aproximarmo-nos com ternura e compaixão, de tocá-lo e de abraçá-lo. Seguidamente eu peço às pessoas que ajudam os outros, para fazê-lo olhando nos olhos, de não ter medo de tocá-los. Que o gesto de ajuda seja também um gesto de comunicação. Também nós temos necessidade de ser por eles acolhidos. Um gesto de ternura, um gesto de compaixão.... Mas eu vos pergunto: vocês, quando ajudam os outros, olham em seus olhos? Os acolhem sem medo de tocá-los?  Os acolhem com ternura? Pensem nisto: como vocês os ajudam, com distância ou com ternura, com proximidade? Se o mal é contagioso, o bem também o é. Assim é necessário que abunde em nós, sempre mais, o bem. Deixemo-nos contagiar pelo bem e contagiemos o bem”.
Ao final do tradicional encontro dominical na Praça São Pedro, o Santo Padre  saudou os diversos grupos presentes, pediu uma salva de palmas aos novos cardeais e fez votos “de serenidade e de paz a todos os homens e mulheres que no Extremo Oriente e em várias partes do mundo se preparam para celebrar o Ano Novo lunar:

“Que tais festividades ofereçam a eles a feliz ocasião de redescobrir e viver de modo intenso a fraternidade, que é um vínculo precioso da vida familiar e base da vida social. Que este retorno anual às raízes da pessoa e da família possam ajudar estes povos a construir uma sociedade em que sejam tecidas relações interpessoais marcadas pelo respeito, justiça e caridade". 

quinta-feira, 15 de janeiro de 2015

Liberdade de expressão não justifica ofensas à fé, diz Papa

Referindo-se aos recentes atentados em Paris, Papa declarou a jornalistas que não se pode ofender a fé, mas matar em nome de Deus é uma “aberração”

A liberdade de expressão e a liberdade de religião são direitos fundamentais, disse o Papa Francisco nesta quinta-feira, 15, ressaltando que não se pode matar em nome de Deus nem ofender a religião dos outros. Em entrevista aos jornalistas no voo do Sri Lanka rumo às Filipinas, ele se referiu aos atentados em Paris na semana passada.

Perguntado sobre o tema por um jornalista francês, Francisco destacou que a liberdade de expressão é um direito fundamental, mas, da mesma forma, é um direito fundamental aquele de uma fé não ser ridicularizada. Ele disse que assim como é uma “aberração” matar em nome de Deus, erra também quem chega a ofender uma religião levantando a bandeira do direito a dizer aquilo que se quer.
O Santo Padre reconheceu que não se pode reagir com violência a uma afronta, mas também não se pode provocar. “Não se pode insultar a fé dos outros, porque há um limite, aquele da dignidade que cada religião possui”.
Francisco defendeu que o uso da liberdade não justifica o gesto de ofender. “É verdade que não se pode reagir violentamente, mas se o doutor Gasbarri [organizador das viagens pontifícias, que se encontra normalmente junto do Papa], que é um amigo, ofender a minha mãe, vai levar um murro”, brincou o Pontífice.