sábado, 28 de fevereiro de 2015

Evangelho do dia 28 de fevereiro

Mt 5,43-48

Naquele tempo, disse Jesus aos seus discípulos: 43“Vós ouvistes o que foi dito: ‘Amarás o teu próximo e odiarás o teu inimigo!’ 44Eu, porém, vos digo: Amai os vossos inimigos e rezai por aqueles que vos perseguem!
45Assim, vos tornareis filhos do vosso Pai que está nos céus, porque ele faz nascer o sol sobre maus e bons, e faz cair a chuva sobre os justos e injustos. 46Porque, se amais somente aqueles que vos amam, que recompensa tereis? Os cobradores de impostos não fazem a mesma coisa? 47E se saudais somente os vossos irmãos, o que fazeis de extraordinário? Os pagãos não fazem a mesma coisa? 48Portanto, sede perfeitos como o vosso Pai celeste é perfeito”.

sexta-feira, 20 de fevereiro de 2015

Tempo de Penitência

Começamos o tempo quaresmal! Nestes dias de Quaresma, queremos renovar a nossa fé através de uma vida penitencial mais intensa, aproveitando os temas que a liturgia nos oferece, com orações mais frequentes, jejuns e, sobretudo, uma vida de caridade mais aplicada – a fraternidade.
A penitência e a prática que nos impomos, em primeiro lugar, não são exclusivas deste tempo. Toda a nossa vida deve ser imbuída deste espírito se quisermos seguir a Cristo. A ascese faz parte de nossa caminhada espiritual. Porém, para vencer a inconstância, que é característica do ser humano, são importantes tempos fortes para retemperar a nossa vontade, através de uma inteligência do mistério da cruz redentora. É um tempo de retomar com mais vigor essa caminhada ascética.

São Paulo descreve essa fraqueza falando de si mesmo, da luta interior que experimentamos para viver a fé: "Sabemos que a Lei é espiritual, mas eu sou carnal, vendido como escravo ao pecado. Realmente não consigo entender o que faço, pois não pratico o que quero, mas faço o que detesto” (Rom 7, 14). E conclui: "Quem me libertará deste corpo de morte"?(Idem, 24). Por isso, se esforçava, como aquele que corre no estádio e castiga o seu corpo reduzindo-o à servidão (1Cor. 9, 24-27).

Nascidos no pecado e na concupiscência, como nos lembra o salmista {salmo 51 (50)}. “Eis que nasci na iniquidade, minha mãe concebeu-me no pecado", somente a conversão pode restituir-nos a vida, integrando-nos no Reino da Graça.

A penitência é esse dom que recebemos e respondemos com nosso esforço, que temos de fazer para vencer as fraquezas da carne, para superarmos as paixões e vícios da natureza humana. Ninguém consegue sair de uma prisão, de um atoleiro sem acolher uma boa notícia que o fortifique para dar passos concretos, com sua vontade.

A própria vida de Cristo nos é um exemplo, como ensina “A Imitação de Cristo”: "Toda a vida de Cristo foi cruz e martírio; e tu queres descanso e alegria" (L II, cap. 12). E mais adiante, reitera que não é próprio do homem carregar a sua cruz, mas "é por meio de muitas tribulações que podemos entrar no Reino de Deus” (Atos, 14,21).

Poderia parecer, sobretudo em nossos dias, que esta batalha interior e também exterior, pois somos uma unidade, espírito e matéria, seria um contrassenso. Cada dia nos sentimos mais e mais capazes, mais desenvolvidos cultural e fisicamente. Então, a cruz teria sentido?

Se o nosso horizonte se limitar ao nascer e ao pôr do sol de uma vida, se não considerarmos nosso destino eterno, não tem sentido. Seremos os mais tolos dos homens se nos dermos a estas práticas, responde São Paulo.

Mas a Lei do Espírito da vida nos liberta da morte e realiza em nós a esperança, que está no coração de todo homem e se transborda por toda a natureza, da realização plena da liberdade e da paz na glória dos filhos de Deus.

No sofrimento penitencial, na Cruz, unida ao mistério redentor de Cristo, está a salvação, a vida, a força do espírito. 

O jejum nos ensina que somos radicalmente dependentes de Deus. Na Escritura, a palavra nephesh significa, ao mesmo tempo, vida e garganta. A idéia que isso exprime é que nossa vida não vem de nós mesmos, não a damos a nós próprios; nós a recebemos continuamente: ela entra pela nossa garganta com o alimento que comemos, a água que bebemos, o ar que respiramos. Jamais o homem pode pensar que se basta a si mesmo, que pode se fechar para Deus. Quando jejuamos, sentimos uma certa fraqueza e lerdeza, às vezes nos vem mesmo um pouco de tontura. Isso faz parte da “psicologia do jejum”: recorda-nos o que somos sem esta vida que vem de fora, que nos é dada por Deus continuamente.

A prática do jejum impede-nos, então, da ilusão de pensar que a nossa existência, uma vez recebida, é autônoma, fechada, independente. Muitas vezes dizemos erroneamente: “A vida é minha; faço como eu quero”! A vida será, sempre e em todas as suas etapas, um dom de Deus, um presente gratuito, e nós seremos sempre dependentes Dele. Esta dependência nos amadurece, nos liberta de nossos estreitos e mesquinhos horizontes, nos livra da autossuficiência e nos faz compreender “na carne” nossa própria verdade, recordando-nos que a vida é para ser vivida em diálogo de amor com Aquele que no-la deu. 

O próprio Jesus, de modo particular, e a Escritura, de modo geral, nos exortam à vigilância e à sobriedade. O jejum e a abstinência, portanto, são um treino para que sejamos senhores de nós mesmos, de nossas paixões, desejos e vontades. Assim, seremos realmente livres para Cristo, sendo livres para realizar aquilo que é reto e desejável aos olhos de Deus! O próprio Jesus afirmou que quem comete pecado é escravo do pecado! Não adianta: sem o exercício da abstinência, jamais seremos fortes. Não basta malhar o corpo; é preciso malhar o coração!


Cardeal Orani João Tempesta

Arcebispo da Arquidiocese de São Sebastião do Rio de Janeiro
Cidade natal: São José do Rio Pardo
Data de nascimento: 23/06/1950

segunda-feira, 16 de fevereiro de 2015

Papa no Angelus: "Contagiar e deixar-se contagiar pelo bem"

Papa saúda os presentes na Praça São Pedro, reunidos para a 
Oração do Angelus neste 6ª Domingo do Tempo Comum

Ao meio-dia deste domingo, 15 de fevereiro, o Papa Francisco assomou à janela do apartamento Pontifício para rezar com os fiéis reunidos na Praça São Pedro a Oração mariana do Angelus. A compaixão de Jesus pelo leproso, um símbolo da marginalização, inspirou a alocução do Santo Padre que ao final convidou a nos deixar “contagiar pelo bem e contagiar com o bem”.
O Evangelho deste 6º Domingo do Tempo Comum trata da cura do leproso, que ocorre “em três breves passagens: o pedido do doente, a resposta de Jesus e as consequências da cura prodigiosa”.  O leproso suplica a Jesus de joelhos, que por sua vez reage com a compaixão - uma palavra muito profunda -, que significa “padecer com o outro”. “O coração de Cristo – disse o Papa – manifesta a compaixão paterna de Deus por aquele homem, aproximando-se dele e tocando-o, este gesto tão importante":
“A misericórdia de Deus supera toda barreira e a mão de Jesus toca o leproso. Ele não se coloca numa distância de segurança e não age por procuração, mas se expõe diretamente ao contágio do nosso mal; e assim justamente o nosso mal torna-se o local de contato: Ele, Jesus, assume a nossa humanidade doente e nós assumimos dele a sua humanidade sã e curadora. E isto ocorre cada vez que recebemos com fé um Sacramento: o Senhor Jesus nos toca e nos dá a sua graça. Neste caso pensemos especialmente ao Sacramento da Reconciliação, que nos cura da lepra do pecado”.
Este Evangelho – diz o Papa Francisco – nos mostra o que Deus faz diante do nosso mal:
“Deus não vem dar uma palestra sobre a dor; não vem nem mesmo eliminar do mundo o sofrimento e a morte; vem, isto sim, tomar sobre si o peso de nossa condição humana e assumi-la até as últimas consequências, para libertar-nos de modo radical e definitivo. Assim Cristo combate os males e os sofrimento no mundo: assumindo-os e vencendo-os com a força da misericórdia de Deus”.
O Papa conclui dizendo que, se queremos ser verdadeiros discípulos, somos chamados a ser, unidos a Jesus, “instrumentos de seu amor misericordioso, superando todo tipo de marginalização”:
“Para sermos imitadores de Cristo, diante de um pobre ou de um doente, não devemos ter medo de olhá-lo nos olhos e de aproximarmo-nos com ternura e compaixão, de tocá-lo e de abraçá-lo. Seguidamente eu peço às pessoas que ajudam os outros, para fazê-lo olhando nos olhos, de não ter medo de tocá-los. Que o gesto de ajuda seja também um gesto de comunicação. Também nós temos necessidade de ser por eles acolhidos. Um gesto de ternura, um gesto de compaixão.... Mas eu vos pergunto: vocês, quando ajudam os outros, olham em seus olhos? Os acolhem sem medo de tocá-los?  Os acolhem com ternura? Pensem nisto: como vocês os ajudam, com distância ou com ternura, com proximidade? Se o mal é contagioso, o bem também o é. Assim é necessário que abunde em nós, sempre mais, o bem. Deixemo-nos contagiar pelo bem e contagiemos o bem”.
Ao final do tradicional encontro dominical na Praça São Pedro, o Santo Padre  saudou os diversos grupos presentes, pediu uma salva de palmas aos novos cardeais e fez votos “de serenidade e de paz a todos os homens e mulheres que no Extremo Oriente e em várias partes do mundo se preparam para celebrar o Ano Novo lunar:

“Que tais festividades ofereçam a eles a feliz ocasião de redescobrir e viver de modo intenso a fraternidade, que é um vínculo precioso da vida familiar e base da vida social. Que este retorno anual às raízes da pessoa e da família possam ajudar estes povos a construir uma sociedade em que sejam tecidas relações interpessoais marcadas pelo respeito, justiça e caridade". 

quinta-feira, 15 de janeiro de 2015

Liberdade de expressão não justifica ofensas à fé, diz Papa

Referindo-se aos recentes atentados em Paris, Papa declarou a jornalistas que não se pode ofender a fé, mas matar em nome de Deus é uma “aberração”

A liberdade de expressão e a liberdade de religião são direitos fundamentais, disse o Papa Francisco nesta quinta-feira, 15, ressaltando que não se pode matar em nome de Deus nem ofender a religião dos outros. Em entrevista aos jornalistas no voo do Sri Lanka rumo às Filipinas, ele se referiu aos atentados em Paris na semana passada.

Perguntado sobre o tema por um jornalista francês, Francisco destacou que a liberdade de expressão é um direito fundamental, mas, da mesma forma, é um direito fundamental aquele de uma fé não ser ridicularizada. Ele disse que assim como é uma “aberração” matar em nome de Deus, erra também quem chega a ofender uma religião levantando a bandeira do direito a dizer aquilo que se quer.
O Santo Padre reconheceu que não se pode reagir com violência a uma afronta, mas também não se pode provocar. “Não se pode insultar a fé dos outros, porque há um limite, aquele da dignidade que cada religião possui”.
Francisco defendeu que o uso da liberdade não justifica o gesto de ofender. “É verdade que não se pode reagir violentamente, mas se o doutor Gasbarri [organizador das viagens pontifícias, que se encontra normalmente junto do Papa], que é um amigo, ofender a minha mãe, vai levar um murro”, brincou o Pontífice.

quarta-feira, 14 de janeiro de 2015

Ano da Esperança

Segundo a opção de nosso Plano de Pastoral, a nossa arquidiocese, depois de ter celebrado o Ano da Fé em 2013 e o Ano da Caridade em 2014, agora, no ano de 2015, celebrará o Ano da Esperança. Portanto, convido, entusiasticamente, toda a nossa querida comunidade arquidiocesana para que neste ano de 2015 possamos refletir esse tema. Isso para completar a tríade das virtudes teologais e pontuar a realidade da esperança cristã. E, sem dúvida, encontrar o nosso caminho de ser anunciadores da esperança em tempos de tantas dificuldades e cansaço das pessoas.
Na encíclica “Spe Salvi”, o Papa emérito Bento XVI fala das realidades eternas e do autêntico fundamento da esperança cristã: o encontro com o Deus vivo que vem a nós em Cristo Jesus e nos promete a vida em plenitude em seu Reino. É a segunda encíclica de seu pontificado, dedicada exatamente ao tema da esperança cristã e publicada na Festa de Santo André, apóstolo (30/11/2007). Para este ano, para o nosso trabalho pastoral poderemos nos inspirar na leitura da encíclica “Spe Salvi”.
Ele afirmou o seguinte: “A verdadeira e grande esperança do homem, que resiste apesar de todas as desilusões, só pode ser Deus – o Deus que nos amou, e ama ainda agora”. Nossa esperança está em Deus, nossa esperança é Deus. Aquele mesmo Deus que criou tudo e formou o homem à sua imagem e semelhança.
A fé cristã está alicerçada na experiência do conhecimento e do reconhecimento de uma realidade que a ultrapassa. Ou seja, diante das vicissitudes da nossa vida, frente às experiências diversas que possamos vivenciar, ou até mesmo diante das fraquezas, as nossas muitas fraquezas, faz-se necessário afirmar que a vida humana, as ações e as escolhas de cada dia se não estiverem iluminadas e guiadas pela luz de Deus, perdem todo o seu sentido. Viver sem esperança é como caminhar numa estrada escura e sem rumo: não se vê claramente e não se sabe aonde vai chegar.
Podemos nos perguntar: o que queremos e qual é a verdadeira esperança? Bento XVI escreve que o que nós desejamos, do fundo do coração, é a vida plena, a vida feliz. A propósito, o Papa cita Agostinho, que, “na sua extensa carta sobre a oração, dirigida a Proba – uma viúva romana rica e mãe de três cônsules –, escreve: no fundo, queremos uma só coisa, ‘a vida bem-aventurada’, a vida que é simplesmente vida, pura ‘felicidade’. No fim das contas, nada mais pedimos na oração. Só para ela caminhamos; só disto se trata” (n.11).
Entretanto, não sabemos exatamente em que consiste essa vida feliz. É alta demais para nós. Sozinhos, temos a convicção de que não podemos atingi-la, embora estejamos impelidos a ela desde o profundo de nosso ser. Ela é, na verdade, conhecida e desconhecida ao mesmo tempo. Aproximamo-nos dela quando nos dirigimos para além da temporalidade. Assim, essa vida feliz, nós a chamamos de vida eterna, não no sentido de que consista numa ilimitada e enfadonha sucessão dos dias do calendário – isso não seria desejável –, mas no sentido de que nos faz mergulhar no oceano do amor infinito e viver no único instante repleto de satisfação, sem a possibilidade de perda. Significa sair da temporalidade para, de algum modo, abraçar a totalidade do ser e do bem (n. 12). É essa vida que almejamos. Desejamos ser preenchidos pela plenitude do amor e da graça de modo irreversível. Na verdade, o homem, com sua razão e liberdade, permanece sempre homem, isto é, um ser capaz tanto do bem quanto do mal. O erro fundamental da modernidade foi apostar demais no homem: ou confiou no homem como agente só do bem, como o fez a fé iluminista no progresso rumo ao melhor, ou achou que, instauradas as justas estruturas sociais, o homem se tornaria, como se fosse um mero produto das relações materiais, justo também, como tentou fazer o marxismo.
Ora, o progresso é ambíguo. O filosófo Adorno constatou que, visto sob certo ângulo, é o progresso da funda à superbomba. Equivale a dizer: o progresso pode trazer coisas boas como coisas más, e, isto é certo, nunca poderá instaurar o paraíso na Terra. A tarefa, pois, de ordenar o mundo para melhor é tarefa jamais concluída, e cada geração deve retomá-la (n. 25).
Contudo, o cristianismo moderno é convidado pelo Santo Padre Bento XVI a exercer uma crítica de si mesmo: “É preciso que, na autocrítica da idade moderna, conflua também uma autocrítica do cristianismo moderno, que deve aprender sempre de novo a compreender-se a si mesmo a partir das próprias raízes” (n. 22).
O Papa Francisco disse, em 2013, que: “A esperança é um dom, é um presente do Espírito Santo. Paulo dirá que é um dom que ‘jamais decepciona’. Por quê? Porque é um dom que o Espírito Santo nos deu. E Paulo nos diz que a esperança tem um nome: Jesus.

Que neste ano de 2015 renovemos a nossa esperança em Jesus. Ele refaz tudo e nos anima a anunciá-Lo neste mundo carente de paz e de justiça!



Cardeal Orani João Tempesta

Arcebispo da Arquidiocese de São Sebastião do Rio de Janeiro
Cidade natal: São José do Rio Pardo
Data de nascimento: 23/06/1950